18 de fevereiro de 2013

Mil Anos de Bençãos

 

Mil Anos de Bênçãos

A Prisão de Satanás

O livro de Apocalipse nos revela uma visão detalhada sobre o período milenar, um tempo de bênçãos e paz sobre a Terra, que começa com a prisão de Satanás. Em Apocalipse 20:1-3, encontramos a descrição deste evento crucial:

Versículo 1: “E vi descer do céu um anjo que tinha a chave do abismo e uma grande cadeia na mão.”

Versículo 2: “Ele prendeu o dragão, a antiga serpente, que é o diabo e Satanás, e amarrou-o por mil anos.”

Versículo 3: “E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para que mais não engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois importa que seja solto por um pouco de tempo.”

Nesta visão, Satanás é aprisionado e lançado no abismo, um lugar de confinamento reservado para os espíritos maus (Lucas 8:31; Marcos 5:10). O abismo não deve ser confundido com o lago de fogo, que é o destino final dos ímpios e do próprio Satanás. O abismo é descrito como a prisão temporária dos espíritos malignos (Judas 6; Apocalipse 9:1-2).

É importante compreender que a prisão de Satanás não é uma metáfora para um estado de restrição simbólica, como alguns podem sugerir. Em vez disso, é uma realidade física e literal onde Satanás é realmente aprisionado, e não pode enganar as nações durante o período dos mil anos. A ideia de que Satanás é “virtualmente amarrado” não condiz com a descrição bíblica, que é clara quanto à natureza literal da sua prisão (II Pedro 2:4; Judas 6).

Algumas interpretações históricas, como a de Agostinho, sugerem que o Milênio já estaria em curso e que a prisão de Satanás é simbólica do triunfo da Igreja. No entanto, a realidade prática e observável sugere que Satanás continua a agir de maneira destrutiva, desafiando a ideia de que ele está efetivamente aprisionado. Além disso, a visão adventista, que coloca Satanás vagando por uma Terra desolada, também não corresponde à descrição bíblica, que prevê uma prisão efetiva e não uma liberdade limitada.

O Estabelecimento do Reino

Com o início do Milênio, o reino de Cristo é estabelecido, como descrito em Apocalipse 20:4:

Versículo 4: “E vi tronos; e assentaram-se sobre eles aqueles a quem foi dado o poder de julgar. E vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus e pela Palavra de Deus, e que não adoraram a besta nem a sua imagem, e não receberam o sinal na testa nem na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante mil anos.”

Este versículo descreve a ascensão do reino de Cristo, que será caracterizado pela paz e prosperidade globais, como previsto em Isaías 9:6-7, Daniel 7:13-14, Miquéias 4:1-4, e Zacarias 8:3-29. Jerusalém e a nação de Israel serão o centro deste reino, conforme prometido em Isaías 2:2-4, Joel 3:17,20 e Miquéias 4:2.

Os que sofreram martírio por causa de sua fé, como os mencionados em Apocalipse 20:4, terão um papel especial no Milênio. Eles reinam com Cristo e participam das bênçãos desse período. O Milênio é uma época em que, pela última vez, o homem será testado em circunstâncias ideais, com um reinado justo e a Terra repleta do conhecimento da glória de Deus (Isaías 11:6-10).

Durante o Milênio, a maldição será removida (Romanos 8:20-22) e o reino de Cristo estabelecerá um novo padrão de justiça e paz. A nação de Israel será restaurada como a primeira entre as nações, conforme prometido a Abraão (Gênesis 22:18), e todas as tribos de Israel se reunirão (Ezequiel 37:15-28). A Terra prometida se estenderá do Eufrates ao mar Mediterrâneo (Gênesis 15:18).

A Primeira Ressurreição e Seus Benefícios

Versículo 5: “Mas os outros não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição.”

Versículo 6: “Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele mil anos.”

A primeira ressurreição é inaugurada por Cristo como as primícias dentre os mortos (I Coríntios 15:20; Colossenses 1:18), e inclui a ressurreição dos mártires da Grande Tribulação no retorno de Cristo com Sua Igreja (Mateus 27:52-53). A primeira ressurreição abrange desde a ressurreição de Cristo até a dos mártires.

Os outros mortos, que morreram em seus pecados, não ressuscitarão até o fim dos mil anos (João 5:28-29). A segunda ressurreição ocorrerá após o Milênio, quando todos comparecerão perante o Trono Branco para julgamento (Daniel 12:2).

A segunda morte é a condenação eterna para aqueles cujos nomes não estão escritos no Livro da Vida, conforme indicado em Apocalipse 20:15. O conceito de ressurreição e julgamento é fundamentado na necessidade de prestar contas pela vida vivida, sendo a justiça de Deus aplicada a cada um segundo suas obras (Eclesiastes 12:14; Romanos 2:5-11).

Satanás é Solto e Derrotado para Sempre

Versículo 7: “E, acabando-se os mil anos, Satanás será solto da sua prisão.”

Versículo 8: “E sairá a enganar as nações que estão sobre os quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, cujo número é como areia do mar, para os ajuntar em batalha.”

Versículo 9: “E subiram sobre a largura da terra e cercaram o arraial dos santos e a cidade amada; mas desceu fogo do céu e os devorou.”

Versículo 10: “E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre.”

Após os mil anos de prisão, Satanás será solto por um breve período para enganar as nações restantes e reunir uma última rebelião contra Deus (Apocalipse 20:7-9). Esta rebelião, envolvendo uma multidão numerosa como a areia do mar, revela a verdadeira natureza do coração humano, mesmo sob um governo perfeito. Apesar das bênçãos do Milênio, muitos ainda se rebelarão contra Cristo, mostrando que a natureza pecaminosa do homem é resistente a qualquer forma de governo.

O julgamento final ocorrerá rapidamente, com fogo descendo do céu para consumir os rebeldes. Satanás, a Besta e o Falso Profeta serão lançados no lago de fogo, onde sofrerão tormento eterno (Apocalipse 20:10).

O Juízo Final – O Trono Branco

Versículo 11: “E vi um grande trono branco e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu, e não se achou lugar para eles.”

Este é o Grande Trono Branco, um símbolo do poder e da justiça perfeitos de Deus. Diante deste trono, a Terra e o Céu antigos passam, dando lugar a um novo Céu e uma nova Terra (Isaías 66:22; II Pedro 3:13). O Juízo diante do Grande Trono Branco é para os mortos, onde todos serão julgados conforme suas obras (João 5:22).

Versículo 12: “E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros. E abriu-se outro livro, que é o da vida, e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras.”

Os mortos são julgados conforme suas obras registradas em livros, e o Livro da Vida é aberto para confirmar se seus nomes estão inscritos (Apocalipse 3:5). Os verdadeiros seguidores de Cristo têm seus nomes garantidos no Livro da Vida (Lucas 10:20; Filipenses 4:3). Aqueles que não têm seus nomes escritos neste livro serão lançados no lago de fogo (Êxodo 32:32-33; Salmo 69:28; Apocalipse 21:27).

Versículo 13: “E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras.”

Versículo 14: “E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte.”

Versículo 15: “E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.”

A segunda morte é a condenação eterna, o destino final de todos os que não foram encontrados no Livro da Vida. A morte e o inferno também serão lançados no lago de fogo, simbolizando o fim de todo sofrimento e a destruição final da maldade.

Conclusão

O período milenar é uma época de paz e bênçãos, estabelecida por Cristo como um reino de justiça. Após este período, Satanás será solto para uma última tentativa de rebelião, que será rapidamente extinta por Deus. O julgamento final diante do Grande Trono Branco sela o destino eterno dos justos e dos ímpios, com os justos recebendo a vida eterna e os ímpios sendo condenados ao lago de fogo. Este panorama revela a justiça de Deus e a realização final de Suas promessas.

 

 

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