Publicação autorizada pelo Presbítero Romeu Maluhy Junior, pastor e epíscopo
Agradecimentos de Universal Assembléia da Santa Aliança Cristã
Presbítero Jailson Pereira, apóstolo e epíscopo
07 – LIÇÕES DA VISÃO DE ISAÍAS
Encontramos na Bíblia exemplos notáveis de mudanças radicais que se efetuaram em conseqüência de um encontro pessoal com Deus. Após tais contatos as pessoas experimentaram uma transformação real: seus alvos, seus ideais, sua conduta, sua experiências, tudo,enfim, se modificou, e, por conseguinte, o seu destino também foi alterado. Bem diferente se tornou a vida de Jacó após a visão da escada; ele tomou um novo rumo, a partir do momento que Deus se lhe revelou.
De igual modo, Paulo, depois que o Senhor Jesus lhe apareceu no caminho de Damasco, a sua existência religiosa alcançou um significado que jamais tivera anteriormente.
Isaías era um crente, por certo o melhor homem do seu tempo. De linhagem real, profeta, estadista, reformador, patriota. Exerceu influência poderosa na corte de vários reis. Pela energia do seu caráter e firmeza de suas atitudes, mereceu a confiança dos monarcas e de toda a nação, os quais admiravam-lhe a honradez e o equilíbrio.
Mas Deus lhe apareceu através de uma visão extraordinária, a qual constituiu um marco na sua carreira. Ele a menciona como o fato mais glorioso da sua vida e o segredo e o estímulo do seu ministério posterior.
Cada crente precisa desse contato com o Senhor. Nada neste mundo poderá substituir essa comunhão perfeita com Deus, que constitui a fonte de poder para o exercício de uma tarefa frutífera. Todos necessitam desta bênção; não é possível viver da experiência alheia.
Por isso, é responsabilidade de cada um lutar por alcançá-la mediante a submissão incondicional ao Espírito Santo.
A fim de receber tão proveitosas instruções Isaías foi ao templo. Ele buscou a presença de Deus. A Bíblia ensina que a alma que estiver profundamente interessada sentirá. A promessa infalível do Senhor está apresentada em Jeremias 29:13 “Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração”.
Devemos notar um detalhe interessante que o trecho menciona: “No ano em que morreu o rei Uzias”.
Quando estudamos a história desse rei de Judá em II Crônicas 26, verificamos que começou em a sua carreira. Iniciou a reinar aos 16 anos e governou durante 52. “Fez o que era reto aos olhos do Senhor, conforme a tudo o que fizera seu pai. Porque dedicou-se a buscar a deus…” (versículo 4).
O texto seguinte menciona o segredo do sucesso: “Nos dias em que buscou ao Senhor, Ele o fez prosperar” (versículo 5). Aqui temos uma aplicação do princípio apontado em Provérbios 1:33 “O que me der ouvidos habitará seguramente e estará descansando do terror do mal”. Ilustra também a verdade apresentada pelo profeta ao rei ASA: “O Senhor está convosco enquanto estais com Ele, e, se o buscardes, o achareis; porém, se o deixares, vos deixará” (II Crônicas 15:2).
VEJAMOS ALGUMAS CAUSAS DO SEU DECLÍNIO
1) Desinteresse nas coisas de real valor, indiferença pelos assuntos espirituais ou falta de obediência à Palavra de Deus. Em Números 16:40 lemos a determinação divina; “Nenhum estranho, que não for da semente de Arão, se chegue para acender incenso perante o Senhor”. Ordem clara, conclusiva, insofismável. Mas o rei, desconhecendo ou desrespeitando a exigência divina, “entrou no templo do Senhor para queimar incenso no altar”, ao que resistiram Azarias e com ele oitenta sacerdotes (versículos 16,17). Que triste exemplo de rebeldia e leviandade o monarca ofereceu por esse ato impensado e de conseqüências tão desastrosas!
2) ORGULHO – Informa-nos o autor inspirado que “havendo-se fortificado, exaltou-se o seu coração até se corromper, e transgrediu contra o Senhor, seu Deus” (versículo 16). O escritor de Provérbios declara que “a soberba precede a ruína e a altivez do espírito precede a queda” (16:18). Toda a Escritura condena os orgulhosos, chegando mesmo a afirmar: “quem de exalta será humilhado”. Quando o crente deixa de observar a instrução a Palavra de Deus, para confiar em si mesmo ou agir segundo os seus próprios pensamentos, fatalmente está marchando para um abismo.
3) ENDURECIMENTO – Ao receber a advertência dos sacerdotes: “A ti não compete queimar incenso perante o Senhor, mas aos filhos de Arão, que são consagrados para queimá-lo. Sai do santuário, porque transgrediste, e não será isso para honra tua, diante do Senhor Deus”, Uzias se indignou, e quis persistir.
Recordando as bênçãos de Jeová, Moisés mostrou os prejuízos resultantes da falta de obediência à Sua vontade, e apelou: “Não endureçais a vossa cerviz” (Deuteronômio 10:16). Idêntico pedido fez Ezequias mais tarde, aconselhando o povo a não se desviar do verdadeiro caminho: “Convertei-vos ao Senhor…Não sejais como vossos pais e como vossos irmãos, endurecendo a cerviz” (segundo Crônicas 30:6,8). O historiador sagrado informa a respeito de Zedequias: “Fez o que era mau aos olhos do Senhor seu Deus…Endureceu a suja cerviz e tanto se obstinou no seu coração que não se converteu ao Senhor”(II Crônicas 36:12-13).
Na sua profunda experiência, Jó, falando sobre o poder do Altíssimo, interroga: “Quem se endureceu contra Ele e teve paz?” (9:4).
Um dos mais vívidos exemplos que a Bíblia fornece quanto à atitude insensata de resistir a Deus é o de Faraó, que foi destruído por não dar ouvidos aos avisos do Todo-Poderoso. Nele se confirma o princípio que mais tarde Salomão incluiria na sua imortal coletânea de máximas: “O que, muitas vezes repreendido, endurece a cerviz, será de repente quebrantado, sem que haja cura” (Provérbios 29:1).
O Salmo 95, recordando a in credulidade dos israelitas no passado, declara que, por falta de execução da ordem divina, muitos pereceram no deserto, sem participarem do descanso de Deus. Daí o conselho, repetido na Carta aos Hebreus: “Hoje, se ouvirdes a minha voz, não endureçais o vosso coração” (versículos 7,8).
O Senhor Jesus, após a exposição da Palavra do Semeador e os vários tipos de terra, aplica à multidão que o escutava as palavras de Isaías: “O coração deste povo está endurecido e ouviram de mau grado com seus ouvidos, e fecharam seus olhos; para que não vejam, e ouçam, e compreendam e se convertam…” (Mateus 13:15).
Igualmente, Estevão, no seu corajoso testemunho do evangelho, concluiu a mensagem censurando fortemente a rebeldia dos inimigos: “Homens de dura cerviz, incircuncisos de coração e ouvido; vós sempre resistis ao Espírito Santo, assim sois como os vossos pais” (Atos 7:51).
O texto revela o triste fim do rei devido ao seu pecado: “Assim ficou leproso Uzias até o dia da sua morte; e morreu, por ser leproso, numa casa separada, porque foi excluído da casa do Senhor” (versículo 21). Teve de segregar-se do ambiente em que vivia, isolar-se da família, afastando-se da função real. Ficou inútil; era agora um ser abandonado; tornara-se infeliz.
Há outros exemplos de lepra em conseqüência do pecado. Alguns murmuram contra Moisés e por isso foram severamente repreendidos por Deus: “Por que não tivestes temor de falar contra o meu servo?…Assim a ira do Senhor se acendeu contra eles…E a nuvem se desviou de sobre a tenda; e eis que Miriã era leprosa como a neve; e olhou Arão para ela e eis que estava leprosa” (Números 12:8-10).
Após a cura do general Naamã, Geazi, o moço que servia ao profeta Eliseu, movido pela ambição, correu na direção do notável estrangeiro para pedir-lhe mudas de vestido e um talento de prata. A fim de conseguir o seu intento, mentiu duas vezes, usando o nome do amo e negando-lhe o que havia feito.
Mas o jovem, que se considerava venturoso por obter generosos presentes do militar sírio, foi decepcionado ao ouvir dos lábios do homem de Deus a sentença terrível: “A lepra de Naamã se pegará a ti e a tua semente para sempre. Então saiu diante dele leproso, branco como a neve” (II Reis 5:27).
Notemos agora a expressão do profeta Isaías: “Quando morreu o rei…vi o Senhor”. Aqui Uzias é um símbolo dos sentimentos carnais ou pecaminosos, que, quais nuvens negras, muitas vezes nos ocultam a face de Deus: ambição, impureza, soberba, ira, avareza, incredulidade…Daí o conselho apostólico: “Deixando todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus…” (Hebreus 12:1,2).
Separação de todo o mal é, portanto, o segredo ou a condição que a Bíblia apresenta àqueles que desejam experimentar essa comunhão mais perfeita que ela denomina pela frase: “Ver o Senhor”. Eis o seu ensino claro: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus” (Mateus 5:8). “Sem santificação ninguém verá o Senhor” (Hebreus 12:14).
“Vi o Senhor…”Experiência pessoal, gloriosa e transformadora. Deus se revela assim de modo maravilhoso, extraordinário, aos que com todas as veras da alma o buscam, com o verdadeiro desejo de alcançar a ventura de contemplá-Lo. Foi este o anseio de Moisés: “Rogo-te que me mostres a tua glória” (Êxodo 33:18).
Também a súplica de Davi: “Uma coisa pedi ao Senhor e a buscarei: que possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a formosura do Senhor e aprender no seu templo” (Salmo 27:4).
A Marta, o Senhor Jesus salientou a indispensável necessidade da fé para tal experiência: “Se creres, verás a glória de Deus” (João 11:40).
O profeta-evangelista, numa linguagem de impressionante beleza, apontou a vida reta como a condição para o mortal conseguir tão elevada experiência ou gozar tão benéfica atmosfera: “Quem dentre nós habitará com o fogo consumidor? Quem dentre nós morará com as labaredas eternas? O que anda em justiça e o que fala com retidão, o que arremessa para longe de si o ganho de opressões, o que sacode das suas mãos todo o presente; o que tapa os ouvidos para não ouvir falar de sangue e fecha os olhos para não ver o mal. Este habitará nas alturas; as fortalezas das rochas serão o seu alto refúgio, o seu pão lhe será dado e as suas águas serão certas. Os teus olhos verão o Rei na sua formosura e contemplarão a terra que está longe” (Isaias 33:14-17).
Tal será o gozo dos remidos no futuro, como habitantes da cidade celestial: “Ali não haverá mais maldição contra alguém; nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão. Verão o seu rosto e nas suas testas estará o seu nome. E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os alumia; e reinarão para todo o sempre” (Apocalipse 22:3-5).
“Vi o Senhor”. O Soberano, o Dominador que ocupa o trono do universo e O Doador de todas as bênçãos.
Quanto aos serafins, guardadores da santidade divina, “cobnam os rostos” –
Reverência; “os pés” – pureza de testemunho, que nos faz recordar as palavras da mulher sunamita dos Cantares: “Já lavei os meus pés; como os tornarei a sujar?” (5:3); voavam, denotando atividade incessante.
Observemos as quatro visões notáveis na experiência do profeta Isaías:
1 – DA GLÓRIA DIVINA – A majestade excelsa de Deus. Semelhante à de Cristo transfigurado perante os discípulos lá no monte (Mateus 17) ou à do apóstolo João na ilha de Patmos (Apocalipse 1).
2 – DA PRÓPRIA INDIGNIDADE – À proporção que nos aproximava da santidade absoluta, nos convencemos das nossas culpas, nos consideramos indignos. Jó exclamou: “Abomino-me no pó e a cinza”. Pedro suplicou, humilhado: Retira-te de mim, Senhor, porque sou homem pecador”. O centurião: “Não sou digno que entres na minha casa”. O pobre publicano, em lágrimas: “Tem misericórdia de mim, pecador!”. E João, na ilha deserta, cai aos pés do Filho de Deus como morto… Esse sentimento profundo e sincero de nossa vileza é condição indispensável do despertamento espiritual, quer do indivíduo, quer de uma coletividade.
3 – DA PURIFICAÇÃO – “Quem se humilha será exaltado”. Temos o exemplo de Davi: Logo que, arrependido, exclamo: “Pequei”, ouviu a notícia consoladora: “Também o Senhor perdoou o teu pecado”. Deus ensina que “o que encobre as suas transgressões nunca prosperará”, e encerra o versículo com a garantia de uma promessa: mas o que confessa e deixa alcançará misericórdia” (Provérbios 28:13). E, através do apóstolo, acrescenta: “O sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (I João 1:7). Essa imediata reconciliação é perfeitamente ilustrada na parábola do Filho Pródigo: o moço perdulário, logo que regressou ao lar paterno, confessando as suas culpas, foi recebido com festa, sendo alvo da demonstração de simpatia e afeto.
4) – VISÃO MISSIONÁRIA – A necessidade da obra de Deus é algo tão elevado que jamais pode ser entendido por crentes levianos. Só depois de despertado é que o profeta estava apto para falar em nome do Senhor. Davi entendeu este fato ao suplicar: “Restituiu-me…sustenta-me…” Então ensinarei aos pecadores o teu caminho e eles se converterão” (Salmo 51:13).
É indiscutível que Deus só utiliza instrumentos limpos. Daí a exigência do livro divino: “Santificai-vos, todos vós que levais os vasos da Casa do Senhor” (Isaías 52:11). O apóstolo Paulo, nos seus escritos, dá muita ênfase à conduta dos salvos: “Separai-vos, não toqueis o que é imundo, e vos receberei, diz o Senhor…Purifiquemo-nos de toda impureza…aperfeiçoando a nossa santificação no temor de Deus” (II Coríntios 6:17,18 7:1). “Se alguém, pois, se purificar destas coisas, será vaso de honra, santificado e útil, preparado para toda boa obra” (ver II Timóteo 2:21). E João, apontando os nossos deveres ante a aproximação da volta do Senhor, exorta: “Todo aquele que nEle tem esta esperança, purifica-se a si mesmo, assim como Ele é puro” (I João 3:3).
Consciente da sua purificação, simbolizada na brasa do altar que lhe tocara os lábios, o profeta Isaías estava habilitado a atender ao apelo: “Quem há de ir por nós?”
Apresentando o plano divino para a salvação dos perdidos, Paulo preceitua: “A fé vem pelo ouvir e o ouvir pela Palavra de Deus”, mas argumenta: “Como crerão naquele de quem não ouviram, e como ouvirão se não há quem pregue?” (Romanos 10:14).
Hoje, talvez mais do que nunca, Deus está necessitando de servos corajosos, fiéis e dedicados para a proclamação da Sua mensagem.”A seara é realmente grande e os trabalhadores são poucos”. Quem há de ir?…
Que o Senhor encontre em nós a disposição, a obediência, a firmeza e a prontidão de Isaías. Ó assim poderemos cumprir satisfatoriamente a ordem que há dois milênios aponta o programa divino: “Ide por todo mundo e pregai o evangelho a toda criatura”.
EBENÉZER !!!

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