18 de fevereiro de 2013

Lamentação Sobre a Terra

APOCALIPSE 18: LAMENTAÇÃO SOBRE A TERRA

Introdução 

Apocalipse 18 descreve a queda de Babilônia, um símbolo do sistema corrupto do mundo que se opõe a Deus. Esse capítulo detalha o julgamento divino sobre Babilônia, destacando a reação de diferentes grupos que se beneficiaram de sua riqueza e poder. Ao mesmo tempo, contrasta o lamento na terra com a alegria no céu, onde o julgamento é visto como uma retribuição justa pelos pecados de Babilônia.

Versículos 1-3: A Proclamação do Juízo

“Depois destas coisas vi descer do céu outro anjo, que tinha grande poder, e a terra foi iluminada com a sua glória. E clamou fortemente com grande voz, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia, e se tornou morada de demônios, e guarida de todo espírito imundo, e esconderijo de toda ave imunda e odiável. Porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua prostituição, e os reis da terra se prostituíram com ela, e os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias.”

O capítulo começa com a visão de um anjo poderoso, cuja glória ilumina a Terra, simbolizando a presença e autoridade de Deus. O anjo proclama a queda de Babilônia, destacando sua corrupção espiritual. Babilônia é descrita como uma morada de demônios e espíritos impuros, um lugar completamente dominado pelo mal. As nações, reis e mercadores que participaram de sua corrupção agora enfrentam o juízo divino.

Versículos 4-5: Um Chamado para o Povo de Deus

“E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas. Porque já os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou das iniquidades dela.”

Aqui, uma voz do céu exorta o povo de Deus a sair de Babilônia, afastando-se de sua corrupção para evitar ser participante de seus pecados e não sofrer as consequências de seu julgamento. A referência aos pecados de Babilônia “acumulados até ao céu” indica a gravidade e o volume de suas iniquidades, que agora exigem a intervenção divina.

Versículos 6-8: A Retribuição Divina

“Tornai-lhe a dar como ela vos tem dado, e retribuí-lhe em dobro conforme as suas obras; no cálice que vos deu a beber, dai-lhe a ela em dobro. Quanto ela se glorificou, e em delícias esteve, tanto lhe dai de tormento e pranto; porque diz em seu coração: Estou assentada como rainha, e não sou viúva, e não verei pranto. Portanto, num dia virão as suas pragas, morte, pranto e fome; e será queimada no fogo; porque é forte o Senhor Deus que a julga.”

Os versículos 6 a 8 falam sobre a retribuição justa que Babilônia receberá por suas obras. A cidade, que se glorificou em suas riquezas e poder, agora enfrentará tormento e pranto. Sua confiança arrogante (“não verei pranto”) será destruída quando suas pragas chegarem repentinamente. A força do julgamento de Deus é enfatizada, mostrando que nenhum poder terreno pode resistir à sua justiça.

Versículos 9-10: O Lamento dos Reis da Terra

“Os reis da terra, que se prostituíram com ela e viveram em deleites, quando virem a fumaça do seu incêndio, chorarão e se lamentarão por ela, e, de longe, estarão em pé, pelo temor do seu tormento, dizendo: Ai! Ai da grande cidade, Babilônia, a cidade forte! Pois em uma só hora veio o seu julgamento.”

Os reis da Terra, que participaram da corrupção de Babilônia, lamentam sua destruição, mas se mantêm à distância por medo de sofrer o mesmo julgamento. A frase “em uma só hora” destaca a rapidez e a surpresa do julgamento, mostrando a impotência dos poderes terrenos diante do juízo de Deus.

Versículos 11-13: O Lamento dos Mercadores da Terra

“E os mercadores da terra choram e lamentam por ela, porque ninguém mais compra a sua mercadoria: mercadorias de ouro, prata, pedras preciosas, pérolas, linho fino, púrpura, seda, escarlata, toda madeira odorífera, todo objeto de marfim, todo móvel de madeira preciosíssima, de bronze, de ferro e de mármore; canela, especiarias, incenso, bálsamo, perfume, vinho, azeite, flor de farinha, trigo, gado e ovelhas, cavalos, carros, corpos e almas de homens.”

Os mercadores, que se enriqueceram com o comércio de Babilônia, lamentam a sua destruição porque agora não há mais quem compre suas mercadorias. A lista de produtos reflete a riqueza e o luxo associados a Babilônia, mas também a sua corrupção, ao incluir “corpos e almas de homens”, indicando a prática de escravidão e exploração.

Versículos 14-17a: A Perda dos Prazeres Luxuosos

“Os frutos do desejo de tua alma se afastaram de ti, e todas as coisas suntuosas e esplêndidas desapareceram, e não mais serão achadas. Os mercadores dessas coisas, que se enriqueceram por meio dela, se colocarão de longe, por causa do temor do seu tormento, chorando e lamentando, dizendo: Ai! Ai da grande cidade, que estava vestida de linho fino, de púrpura e de escarlata, e adornada com ouro, pedras preciosas e pérolas! Pois em uma só hora foi destruída tamanha riqueza.”

Aqui, a ênfase está na perda total dos prazeres e luxos que Babilônia oferecia. Os mercadores lamentam porque todo o esplendor e riqueza da cidade desapareceram de repente. A repetição de “em uma só hora” sublinha a rapidez do julgamento.

Versículos 17b-19: O Lamento dos Navegadores e Marinheiros

“E todos os pilotos, e todos os que viajam por navio, e marinheiros, e quantos negociam no mar, se puseram de longe, e, vendo a fumaça do seu incêndio, clamaram, dizendo: Que cidade se compara à grande cidade? E lançaram pó sobre as suas cabeças, e clamaram, chorando e lamentando, dizendo: Ai! Ai da grande cidade, na qual todos os que tinham navios no mar se enriqueceram à custa da sua opulência! Pois em uma só hora foi assolada.”

Os navegadores e marinheiros lamentam a queda de Babilônia, pois a cidade era a fonte de sua riqueza. A imagem de lançar pó sobre as cabeças simboliza luto profundo, e eles expressam desespero pela destruição repentina da cidade.

Versículo 20: A Alegria no Céu

“Alegrai-vos sobre ela, ó céu, e vós, santos apóstolos e profetas, porque Deus já julgou a vossa causa quanto a ela.”

Em contraste com o lamento na Terra, o céu é chamado a se alegrar pela justiça de Deus. Os santos, apóstolos e profetas, que foram perseguidos por Babilônia, agora veem sua vindicação. Este versículo destaca a retribuição justa e o triunfo da justiça divina.

Versículos 21-23: A Destruição Completa de Babilônia

“Um forte anjo levantou uma pedra como uma grande pedra de moinho, e lançou-a no mar, dizendo: Com igual ímpeto será lançada Babilônia, a grande cidade, e nunca mais será achada. E som de harpistas, músicos, tocadores de flauta e de trombeta não mais em ti se ouvirá; nem artífice de arte alguma jamais em ti se achará, nem ruído de mó em ti mais se ouvirá; e luz de candeia nunca mais brilhará em ti, e voz de esposo e de esposa nunca mais em ti se ouvirá; porque os teus mercadores eram os grandes da terra, porque por tuas feitiçarias foram todas as nações enganadas.”

A imagem da pedra de moinho lançada ao mar simboliza a destruição total e irreversível de Babilônia. A cidade, antes cheia de vida, música e celebração, será silenciada para sempre. As “feitiçarias” de Babilônia referem-se às suas manipulações e enganos, que levaram as nações à corrupção.

Versículo 24: O Sangue dos Profetas e Santos

“E nela se achou o sangue dos profetas, e dos santos, e de todos os que foram mortos na terra.”

Este versículo finaliza o julgamento de Babilônia, trazendo à tona o motivo principal de sua condenação: o sangue dos profetas, santos e todos os inocentes mortos na Terra. A repetição dos atos simbólicos, como o anjo que lança a pedra de moinho no mar, lembra o ato de Jeremias, que lançou o livro da profecia sobre a Babilônia antiga no rio Eufrates (Jeremias 51:60-64). Estes atos são sinais da destruição completa e irrevogável de um poder corrompido.

Jeremias lamentou a antiga Babilônia dizendo: “Queríamos sarar Babilônia, mas ela não sarou” (Jeremias 51:9). De forma similar, em Apocalipse 18, a destruição de Babilônia é descrita como definitiva: “Nunca mais, nunca mais será achada!”. Esta sentença pronunciada contra Babilônia é como um cântico fúnebre sobre um poder religioso infiel e apóstata.

A descrição do julgamento é detalhada, mencionando como a música, as celebrações, e até mesmo o trabalho dos artífices desaparecerão de Babilônia. As artes, os símbolos religiosos e todos os sinais de vida serão apagados. A cidade, que enganou as nações com suas feitiçarias e enriquecia os poderosos, será reduzida a nada.

 

Conclusão

Apocalipse 18 é um capítulo poderoso que revela o julgamento final de Babilônia, símbolo de toda a corrupção e opressão no mundo. A queda de Babilônia é um alerta para todos os sistemas e poderes que se opõem a Deus e perseguiam Seu povo. O lamento na Terra contrasta com a alegria no céu, onde a justiça de Deus é celebrada. A destruição de Babilônia é completa e irrevogável, selando o destino daqueles que escolheram o caminho da corrupção e rebelião contra Deus.

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