16 de fevereiro de 2013

Digno é o Cordeiro que foi Morto

Sermão Dominical

 

02 – DIGNO É O CORDEIRO, QUE FOI MORTO
Leitura Bíblica: Apocalipse 5:1-14
“Digno é o cordeiro, que foi morto, de receber o poder; e riqueza, e sabedoria, e força, e honra, e glória, e louvor” (v. 12).
  
       Digno é o Cordeiro que foi Morto: Uma Reflexão Teológica e Litúrgica

A visão apocalíptica de João, descrita no capítulo 5 do livro de Apocalipse, é uma revelação grandiosa da adoração celestial e da centralidade do Cordeiro na narrativa cristã. Este texto oferece uma perspectiva profunda sobre a dignidade do Cordeiro que foi morto e a importância desta figura na adoração universal. Através de uma análise detalhada dos versos 1 a 14 de Apocalipse 5, exploraremos o significado teológico e litúrgico desta visão, que revela o Cordeiro como digno de poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor.

I. A Música do Céu

A adoração no céu é descrita de forma exuberante e multifacetada, refletindo a magnitude da glória de Cristo e a resposta universal de louvor que Ele inspira. A visão de João começa com uma cena de adoração que transcende o tempo e o espaço, envolvendo todas as esferas da criação.

  1. A Adoração dos Quatro Seres Viventes e dos Vinte e Quatro Anciãos

    Os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos representam a totalidade da adoração terrena e celestial. Os quatro seres viventes, que simbolizam os quatro evangelhos e a criação, louvam incessantemente ao Cordeiro. Eles são uma representação da criação que, através da sua própria existência, glorifica a Deus. Os vinte e quatro anciãos, por sua vez, representam a Igreja completa, unindo as doze tribos de Israel e os doze apóstolos, simbolizando a plenitude da obra redentora de Cristo tanto para judeus quanto para gentios.

    Este cântico de adoração é uma expressão de harmonia divina, onde a Igreja, na sua totalidade, se une em louvor ao Cordeiro. A adoração dos quatro seres viventes e dos anciãos é um reflexo da adoração perfeita e eterna que caracteriza o céu.

  2. O Cântico dos Miríades de Anjos

    A adoração dos anjos, descrita como uma miríade de anjos, intensifica ainda mais a adoração celestial. Eles se unem ao cântico dos seres viventes e dos anciãos, reforçando a magnitude do louvor dirigido ao Cordeiro. Os anjos, como mensageiros e servos de Deus, reconhecem a supremacia de Cristo e participam da adoração universal, destacando a abrangência e a profundidade do louvor celestial.

  3. A Adoração da Criação

    A visão culmina com a adoração de todas as criaturas do céu, da terra, debaixo da terra e do mar. Este momento sublinha a totalidade da criação, que, em sua plenitude, se une em adoração ao Cordeiro. A visão de João reforça a ideia de que todo ser criado reconhecerá a majestade de Cristo e O adorará, cumprindo a profecia de que “todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus Cristo é o Senhor.”

II. As Orações dos Santos

As taças de ouro cheias de incenso, que são descritas como representações das orações dos santos, oferecem uma visão do valor e da importância da oração no culto cristão. O incenso simboliza o aroma suave e aceitável das orações dos fiéis diante de Deus. Este símbolo ressalta que a oração é um componente essencial da adoração e do culto.

  1. A Significância das Orações

    As orações dos santos são um reflexo do relacionamento contínuo entre os crentes e Deus. Elas representam não apenas a súplica e a adoração, mas também a intercessão pelos outros e o desejo de conformar-se à vontade divina. Em Apocalipse 5, as orações são apresentadas como um sacrifício espiritual, um meio pelo qual os crentes comunicam seus louvores, pedidos e gratidão a Deus.

  2. O Culto Cristão

    A leitura da Palavra, a exposição das Escrituras, o cântico e as orações formam o núcleo do culto cristão. Cada uma dessas práticas tem um significado profundo e é fundamental para o crescimento espiritual e para a adoração genuína. A presença das orações nas taças de incenso sublinha que nenhuma parte do culto é mais importante que a outra; todas são indispensáveis para uma adoração plena.

III. A Morte do Cordeiro

A morte do Cordeiro é o ponto focal da visão apocalíptica e tem implicações teológicas e práticas profundas.

  1. A Morte Sacrificial e Expiatória

    A morte de Cristo é descrita como sacrificial, expiatória e substitutiva. Ela é o meio pelo qual a redenção foi alcançada para toda a humanidade. Cristo morreu para pagar o preço pelos pecados da humanidade, oferecendo-se como um sacrifício perfeito e substitutivo. Este ato de amor e de justiça divina é o fundamento da salvação e da nova aliança estabelecida entre Deus e a humanidade.

  2. O Efeito Universal da Morte de Cristo

    A morte do Cordeiro une todos os crentes em um só corpo, formando uma nação santa e uma nova raça eleita em Cristo. Esta união transcende barreiras culturais, étnicas e sociais, criando um novo povo de Deus que é co-herdeiro com Cristo no Reino eterno. A morte de Cristo, portanto, tem efeitos universais e transformadores, estabelecendo a base para a adoração e a comunhão entre os crentes.

  3. A Vitória sobre a Morte

    O Cordeiro, embora tenha sido morto, venceu a morte e está vivo para sempre. Sua vitória sobre a morte é a garantia de que Ele é digno de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor. Esta vitória é o motivo pelo qual Ele é adorado e exaltado no céu e na terra. O regozijo dos salvos é uma resposta à certeza de que, através de Cristo, a morte foi vencida e a vida eterna foi assegurada.

Conclusão

A visão apocalíptica de João em Apocalipse 5 é uma poderosa revelação da dignidade do Cordeiro que foi morto. Ela revela a profunda adoração celestial que Cristo inspira, a importância das orações dos santos e o significado redentor e transformador de Sua morte. Ao contemplar esta visão, somos lembrados da magnitude da obra de Cristo e da nossa própria chamada para participar da adoração universal. Que nossa adoração, tanto individual quanto comunitária, seja um reflexo da adoração celestial descrita em Apocalipse 5, antecipando o dia em que toda a criação se unirá em louvor ao Cordeiro que é digno de receber todo poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor.

 

Ebenézer!

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