Publicação autorizada pelo Presbítero Romeu Maluhy Junior, pastor e epíscopo
Agradecimentos de Universal Assembléia da Santa Aliança Cristã
Presbítero Jailson Pereira, apóstolo e epíscopo
CAPÍTULO 3:1 – 22
AS TRÊS ÚLTIMAS CARTAS
QUINTA CARTA – (3:1-6)
VERSÍCULO 1 “E ao anjo que está em Sardes escreve…”
SARDES ou SARDO, foi a primeira cidade dessa região a receber o Evangelho, era primeira a desviar-se da fé, e uma das primeiras a cair em ruínas.
Como período da Igreja, Sardes corresponde ao tempo da Reforma, que produziu o protestantismo com suas ramificações (1.600 d.C.).
“…Isto diz o que tem os sete Espíritos de Deus e as sete estrelas…”
O título usado pelo Senhor, ao dirigir-se à igreja de Sardes, indica claramente a ação do Espírito de Deus, que simboliza a perfeição e a plenitude do Espírito Santo em suas múltiplas operações (I Coríntios 12:4-11), nas diversas igrejas locais então existentes.
“…Eu sei as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto…”
O grande despertamento que originou a Reforma do século XVI, foi a operação do Espírito de Deus; mas esse despertamento foi logo sufocado pelo crescente formalismo que surgiu concomitantemente com a Reforma, o qual trouxe graves e sérias conseqüências. Grande foi a bênção: ter a Bíblia traduzida na língua do povo, ter liberdade para cultuar e servir ao Senhor e também ter a ajuda e garantia do Espírito Santo como o Autor do movimento. Esses privilégios não deveriam jamais ser esquecidos, porque deles dependiam o progresso espiritual e material da Igreja, a qual acabava de sair da escravidão em que viveu por doze longos séculos (de IV a XVI), sob o domínio da Igreja de Roma.
Logo apareceram as controvérsias entre os reformadores, e, à proporção que se desenrolavam os acontecimentos, surgiram opiniões e heresias que modificaram o ardor e o espírito da Reforma. Ao invés de ser uma luta para a conquista espiritual da Igreja, para a sua elevação em santidade e perfeição diante de Deus, tornou-se a Reforma em tremenda batalha carnal, de ambições e conquistas de melhores posições. Não faltavam as cerimônias e os ritos de uma religião ortodoxa, mas o Espírito Santo era excluído do ardor da luta (ler I Timóteo 5:6) e somente os sentimentos carnais prevaleciam (Efésios 4:30,31).
“Tens nome de que vive, e estas morto”. Se não houver liberdade para o Espírito Santo, a vida da Igreja sucumbe (II Coríntios 3:14).
O Espírito de Deus é o Espírito de amor (Romanos 5:5; I João 4:18); é chamado “o óleo de alegria” (Isaías 61:1; Hebreus 1:9; ler Lucas 4:1,14; Atos 4:27; 10:38).
Com a Sua presença e atuação, vem o espírito de sabedoria e de inteligência, o
Espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de reconhecimento e de temor do Senhor (Isaías 11:12). O Espírito Santo é que dá vida à Igreja (II Coríntios 3:17; ler Romanos 8:11).
VERSÍCULO 2 – “Sê vigilante e confirma o restante que estava para morrer; porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus”.
A razão da morte espiritual é ocasionada pela falta de vigilância, vide (Mateus 26:41; ler Efésios 6:8). A expressão “confirma o restante que estava para morrer” significa dizer: fortalece ou ajuda (Lucas 22:31) os que vivem com os mesmos sentimentos.
A Reforma foi inspirada e feita pelo Espírito Santo. O espírito da Reforma, que caracterizava os sentimentos de cada reformador, era o mais nobre e sublime. Deus havia sido excluído da Igreja pela união dela com o mundo e agora todos estavam cheios e possuídos de um grande desejo: os poucos fiéis que existiam no mundo deveriam unir-se e voltar para o Senhor, com um só sentimento de fé e nos moldes da vontade de Jesus Cristo (João 17:21,23). Porém, não houve vigilância: abriu-se a porta aos inimigos da alma (I Pedro 5:8), o diabo, o mundo e a carne, que tomaram partido na luta, e como não puderam extinguir completamente a Igreja, fracionaram-na e enfraqueceram-na de morte. Contudo, Deus é longânimo e não permitirá que mais nada aconteça (ler Isaías 42:3; Mateus 12:20), até a vinda de Jesus.
As obras da igreja em Sardes não eram perfeitas diante de Deus porque tudo era feito fora do espírito e ensinamento dos apóstolos. Paulo dizia: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros” (Filipenses 2:3,4); “Não sejamos cobiçosos de vanglórias, irritando-nos uns aos outros, invejando-nos uns aos outros” (Gálatas 5:26). Tiago também diz: “Mas, se tendes amarga inveja e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade” (Tiago 3:14). Estas eram as obras que Sardes apresentava.
No zelo da Reforma cada um fazia algo de sua parte, cada reformador pregava a seu modo, cada grupo independia de outrem, e todos excluíam completamente o amor fraternal e o interesse coletivo (Romanos 12:10; I Tessalonicenses 4:9; Hebreus 13:1; I Pedro 1:22).
VERSÍCULO 3 – “Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, e guarda-o, e arrepende-te…”
UMA ADVERTÊNCIA: O autor da carta aos Hebreus diz no capítulo 2:1 “Portanto Convém-nos atentar com mais diligência para as coisas que já temos ouvido, para que em tempo algum nos desviemos delas”. Aqui, uma advertência à lembrança de tudo quanto o Senhor fez à Igreja, privilégios de que não éramos dignos, mas Deus concedeu aos homens que salvou (I Pedro 1:12). Se fôssemos nos lembrar quem éramos e quem somos (I Pedro 2:10); nós que nada merecíamos e temos alcançado tudo do Senhor (Colossenses 7:13-15); que vivíamos sem Deus, sem luz e sem salvação (ler I Pedro 2:9). E agora temos tudo em Cristo, viveríamos em um eterno espírito de gratidão e talvez nossa consagração fosse completa.
“Guarda-o e arrepende-te”, diz o Senhor a Sardes, e também a nós nestes últimos dias. “Como escaparmos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor Jesus, foi-nos depois confirmada pelos que a ouvira…?” (Hebreus 2:3); “Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e na caridade que há em Cristo Jesus.
“Guarda o bom depósito pelo Espírito Santo que habita em nós” (II Timóteo 1:13,14).
Ler Tito 1:9; Hebreus 10:23; I Timóteo 6:20; Romanos 8:11). * A CARIDADE = AMOR EM AÇÃO.
“E, se não vigiares, virei sobre ti como um ladrão e não saberás a que hora sobre ti virei”
Há uma espécie de vigilância que inclui todas as outras: “Vigiar a vinda do Senhor” (Mateus 24: 36-44; Lucas 21:34-36; ler II Pedro 3:10). Alguém perguntou-me certa ocasião: “Por que a Bíblia chama Jesus de ladrão? “Fui obrigado a explicar: A Bíblia não o chama de ladrão. Ele foi quem disse que a Sua vinda será como ladrão de noite, para ilustrar a maneira inesperada e surpreendente desse acontecimento. Será uma ação rápida e momentânea, e quem não estiver vigilante não perceberá quando Ele vier. Por Lucas, Jesus diz: “Sabei, porém, isto: que, se o pai de família não sabe a que hora haveria de vir o ladrão, vigiaria, e não deixaria minar a casa. Portanto, estai vós também apercebidos, porque virá o Filho do homem à hora que não imaginais” (Lucas 12:39,40).
“E não saberás a que hora sobre ti virei”. Fala aqui de juízo e vingança (ler Isaías 35:4; II Tessalonicenses 1:7,8; Hebreus 10:26,27; II Pedro 2:20,21), quando então será vista a diferença entre o justo e o ímpio, entre o que serve a Deus e o que não O serve (Mateus 3:18; ler Malaquias 4:1).
VERSÍCULO 4 ”Mas também tens em Sardes algumas pessoas que não contaminaram as suas vestes e comigo andarão de branco, porquanto são dignas disso”
Como o Senhor guardou os sete mil joelhos em Israel que não se dobraram a Baal (I Reis 19:18); como guardou os restantes fiéis, não obstante o apogeu do romanismo com suas perseguições e atrocidades, os quais viviam isolados e foragidos, mas permaneciam sem se contaminarem, assim Ele soube guardar estas pessoas que não mancharam seus vestidos com o ardor da Reforma. “O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniqüidade” (II Timóteo 2:19).
VERSÍCULO 5 – “O que vencer será vestido de vestes brancas, e de maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida; e confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante dos seus anjos”
VERSÍCULO 6 “Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas.”
A promessa tríplice ao vencedor:
1. “Será vestido de vestes brancas” Branco resplandecente (Lucas 24:4), branco como a luz (Mateus 17:2), que é a justiça dos santos.
2. “De maneira nenhuma riscarei o seu nome do livro da vida”. O nome de nenhum permanecerá escrito no livro dos vivos. Deus não é Deus dos mortos, (Lucas 20:38). Disse o Senhor a Moisés; “Aquele que pecar contra mim, a este riscarei Eu do meu livro” (Êxodo 32:33; ler Salmo 69:28; Apocalipse 21:27; e 20:15).
3. “Confessarei o seu nome diante de meu Pai e diante de seus anjos”. Não se envergonharam de serem crentes verdadeiros e fiéis, mesmo em meio à luta e indiferença, nas críticas e zombarias dos circunstantes, não se envergonharam de confessar o nome de Jesus (Mateus 10:32; Lucas 12:8; Romanos 10:9). O contrário acontecerá aos que desobedeceram e não guardaram a Sua Palavra: Ele se envergonhará deles diante do Pai e de seus anjos (Mateus 10:33; Marcos 8:38; Lucas 9:26; 12:9).
SEXTA CARTA (3:7-13)
VERSÍCULO 7 – “E ao anjo da igreja que está em Filadélfia escreve…”
Filadélfia, a igreja do avivamento. O Espírito Santo tomou o seu lugar na Igreja e voltaram, com toda a liberdade, as manifestações espirituais, como no princípio (Atos 2:42,43) – 1646, 1666, 1857. 1859, 1900 d.C.
Filadélfia era uma cidade da Lídia, 40 km . distante de ardes, e foi edificada por Atalo Filadelfo, rei de Pérgamo. Era uma igreja irrepreensível. Ela e Esmirna foram as únicas das sete igrejas que não receberam censura. Filadélfia significa “amor fraternal”. Sardes saiu de Tiatira e é um protesto contra ela, assim Filadélfia (no sentido histórico e profético) saiu de Sardes e é um protesto contra ela. Mesmo nos tempos mais obscuros, Deus concedeu alguns preciosos despertamentos à Igreja. Os primeiros avivamentos foram entre os valdenses e albigenses..
Mas, no fim do século XVIII, houve entre as igrejas um notável avivamento que tirou a Igreja daquela condição mortal que caracterizava Sardes, para um movimento que visava despertar entre os cristãos um amor forte e ativo.
Diz Emílio Conde, no seu livro “O Testemunho dos Séculos”: “Um dos maiores avivamentos religiosos que a História registra é o movimento conhecido por PIETISTA, que se manifestou em toda a Alemanha, a começar de 1666. Foi um movimento que não deixou dúvidas quanto à sua origem, entre os historiadores, embora sofresse a oposição do luteranismo. O programa desse movimento era combater o exemplo indigno de alguns ministros (oh! quantos hoje seriam alcançados!), combater a embriaguez, as controvérsias teológicas que foram a ruína da Reforma; lutar contra a imoralidade e o egoísmo entre os leigos . Exigir dos pastores uma verdadeira experiência religiosa e não somente uma biblioteca. Esforçar-se para dar ao povo uma mensagem necessária, destinada à edificação e a transformar a vida dos ouvintes, sem se preocupar se a pregação fere a conduta ímpia dos grandes que possam estar presentes. E, finalmente, levar o povo à abstinência do teatro, da dança, dos jogos de toda espécie, coisas estas que o luteranismo tolera escandalosamente. Diante de tal programa, houve reação: os religiosos comodistas acharam logo a arma preferida em todas as ocasiões para dizerem que esse avivamento era dirigido por ´hereges´. Não fora a proteção do eleitor de Bandenburgo, Frederico III, mais tarde rei Frederico I da Prússia, dada a SPENER, um dos homens eminentes da Alemanha e pietista sincero, teríamos de registrar mártires nesse movimento. Mas esse avivamento tinha que triunfar. “As idéias desse movimento eram tão puras, que ganharam o coração de muitos intelectuais, os quais se transformaram em seus ardorosos defensores” (pag. 43).
“Em 1646, quando ainda não existia liberdade religiosa na Inglaterra, começou um grande despertamento a que foi dado o nome de Amigos ou Tremedores (Quakers), o qual passou à história como um dos movimentos religiosos mais sinceros e de princípios mais puros d e quantos os anais assinalam. Esse despertamento com exigências tão rígidas encontrou forte oposição de todos os lados. Consideram-no um movimento de fanáticos, loucos, extravagantes: deram-lhe o nome de ‘tremedores’, porque o poder de Deus descia no meio deles. O Espírito Santo manifestava-Se de muitas maneiras, pois falavam línguas estranhas e tinham outros dons. Em 1661, durante uma perseguição, nada menos de três mil, cento e setenta e nove foram presos, inclusive os seus principais orientadores. Prenderam os “perturbadores” e quiseram acabar com as extravagâncias (manifestações do Espírito), mas não calaram a Palavra. A obra crescia: as classes começaram a interessar-se pelo que hoje chamariam “pentecostalismo” (página 70).
“Encontramos, logo a seguir, o avivamento de 1857-1859 que se tornou conhecido em todo o mundo. Os frutos desse despertamento chegaram até os primeiros dias do presente avivamento, numa linha que não sofreu solução de continuidade, pois o fogo não estava ainda extinto quando, de novo, começou a arder na América, em 1900 (página 104).
Jesus revela-se aqui como é realmente (Salmo 16:10; Marcos 1:24; Lucas 1:35; Atos 3:14; 4:27; I João 5:20). Ele veio constituir santos entre os homens (ler Salmo 16:1 e I Pedro 1:15,16); santos que cantam (Salmo 30:4, Efésios 5:19; Colossenses 3:16); santos que oram (Salmo 32:6; Efésios 5:13,16; I Tessalonicenses 5:17,25: I Timóteo 2:8); santos que se congregam (Salmo 50:5; Hebreus 10:25); santos que vivem em justiça e santidade (Lucas 1:74,75; Romanos 6:18; Efésios 4:24; II Tessalonicenses 2:13; II Timóteo 1:9; Tito 2:12; II Pedro 1:3,4); santos que se manifestarão com Ele em glória (Zacarias 14:4,5; Mateus 25:31; Colossenses 3:4; Judas 14).
“…Isto diz o que é santo, o que é verdadeiro…”
A luz da verdade brilha, a fim de convidar as almas sequiosas e oprimidas a aceitá-la e a se deixarem guiar por ela (João 14:6; Leia Mateus 11: 28-30).
“… o que tem a chave de Davi, o que abre, e ninguém fecha, e fecha, e ninguém abre.”
Enquanto “as chaves da morte e do inferno” (Apocalipse 1:18) se referem à vitória de Cristo sobre a própria morte e o mundo invisível, “a chave de Davi” refere-se ao seu direito como senhor e cabeça da casa de Davi (Isaías 22:22), a fim de evidenciar o Seu reinado na Terra (Daniel 7:13,14,21,22,26,27; I Crônicas 17:12-14; Apocalipse 11:15).
VERSÍCULO 8 “Eu sei as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar…”
A exemplo dos avivamentos sucessivos verificados em fins dos séculos XVIII e XIX, época que corresponde ao período de Filadélfia, o Espírito Santo com toda a sua força e liberdade de ação, operou na Igreja de um modo maravilhoso.
Tem sido até hoje uma “porta aberta” que se evidencia pelas conversões das massas, pelos sinais de milagres e operações maravilhosas, resultantes do poder de Deus que está derramado (Provérbios 1:23; Isaías 44:3; Joel 2:28.29; Atos2:17,18,33) sobre a Igreja. O Pentecoste não é privilégio de uma denominação. O Espírito Santo, à semelhança da Igreja Primitiva Atos 2:27; 5:14; ler Atos 8:14,15; 10:44-48; 19:2-7). Continua a batizar os fiéis, a curar os enfermos e a dar dons aos homens que se salvam.
“…tendo pouca força, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome”.
FORTE É O SENHOR – “Em Deus faremos proezas” (Salmo 60:12; 108:13)..
Realmente, não há força nem poderio humano que possa conservar de pé Esta obra. Diz o Senhor: “Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito, “Diz o Senhor dos Exércitos” (Zacarias 4:6). A fidelidade dos salvos tem movido o braço de Deus, cuja promessa repousa sobre os fiéis (ler Isaías 54:2,3).
O Espírito Santo tem ajudado a Igreja na sua conservação como coluna e firmeza da verdade (I Timóteo 3:25), a qual tem procurado guardar a Palavra de Deus para a sua preservação (ler Romanos 8:31-39).
VERSÍCULO 9. “Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus e não são, mas mentem…”
Já dissemos que desde os primórdios da Igreja levantam-se grupos de homens, pretensos guardadores da lei de Moisés, para perturbar o bom progresso e a felicidade da comunidade cristã (Atos 15:1,5,24).
Estes que o Senhor denomina de “sinagoga de Satanás” (Apocalipse 2:9) reconhecerão o erro que cometem na atualidade (Gálatas 5:4; ler Romanos 9:31,32; Gálatas 2:21), e voltarão a compreender que somente pela graça (Efésios 2:8,9; ler João 1:17) e firmeza na fé em Jesus Cristo (Colossenses 1:21-23) poderão ser salvos. Hão de reconhecer a verdade e pregá-la, sem enganarem os outros nem serem iludidos com falsas doutrinas (ler Romanos 1:21).
“…eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que eu te amo”.
Pelo amor de Seu grande nome, o Senhor Jesus faz essa sublime promessa aos seus fiéis. O mérito não está na Igreja. Para provar tão somente o amor que Cristo tem dedicado aos seus, esta promessa foi feita, e já em parte a vimos cumprida.
“Venham, e adorem prostrados a teus pés” (ler Isaías 60:4). Isso não significa que a Igreja espera ou vai ser adorada, mas apenas reconhecida como verdadeira (leia João 3) como a que está realmente em Cristo. Impelidos por esse reconhecimento, o Senhor mesmo os trará, e conjuntamente com a Igreja, prostrados, adorarão a Deus. Diz o Senhor: “Por mim mesmo tenho jurado; saiu da minha boca a palavra da justiça, e não tornará atrás; que diante de mim se dobrará todo o joelho, e por mim jurará toda a língua” (Isaías 45:23). Isto prova a submissão de todos os que se opõem a Cristo e sua Igreja (Salmo 110:1; ler Filipenses 2:9-11). A adoração pertence a Deus (Apocalipse 22:9).
“… e saibam que Eu te amo”. O amor de Cristo é concreto como o do esposo que realmente ama a sua esposa (Efésios 5:25-30; ler Cantares 5:1; Isaías 54:5; João 3:29; II Coríntios 11:2). Este amor será reconhecido e todos os inimigos de Cristo e de Sua Igreja hão de confessá-lo.
VERSÍCULO 10 – “Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra”.
A Igreja fiel não sofrerá a Grande Tribulação, pois será arrebatada antes (ler I Coríntios 10:13; I Tessalonicenses 1:10; I Pedro 2:9).
A Grande Tribulação é um tempo de angústia para Jacó (Jeremias 30:7; Isaías 10:22; ler Oséias 12:2; Miquéias 6:2). E de indignação e angústia como nunca houve na face da terra (Daniel 12:1; Sofonias 1:15).
“Para tentar os que habitam na terra”. Aqui há duas grandes meditações:
1. Os que habitam (têm como sua pátria, sua morada permanente) a Terra (Salmo 17:14; Romanos 8:5; Filipenses 3:18,19);
2. Os que têm a sua pátria nos céus (Efésios 2:6,19; Filipenses 3:20,21; Colossenses 3:1,3; Hebreus 11:13-16).
Aos que preferem sua morada na Terra, e nela terem seu tesouro, a eles está destinada a Grande Tribulação que é o dia da vingança do Deus Todo-Poderoso contra os homens ímpios. Qual a habitação que você deseja irmão? Jesus disse: “Porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração” (Mateus 6:21).
VERSÍCULO 11 – “Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa”.
Mais a advertência da parte do Senhor sobre a Sua vinda (leia Apocalipse 22:12): “Venho sem demora” ou “cedo venho” é uma palavra que estimula o preparo de cada crente para a Sua volta imediata.
Foi nesta esperança, como se o Senhor viesse a qualquer momento, que viveu a Igreja Primitiva (I Tessalonicenses 5:1-11). Diz alguém nos nossos dias: “Por que o Senhor prometeu que ´vem sem demora´, que “cedo vem”, e já são passados dois milênios, e ainda não veio?”. Dizemos nós: esta pergunta é mais um sinal da sua vinda (II Pedro 3:4). Dizemos nós: esta pergunta é mais um sinal da Sua vinda (II Pedro 3:4). Sim, “daquele dia e hora ninguém sabe, mas unicamente o Pai” (Mateus 24:36).
Mas Deus é sábio que, para o nosso próprio bem, nada disse, nem mesmo ao Seu próprio Filho (quando na carne, pelo menos), porque se o Pai houvesse revelado o momento da vinda de Jesus, o dia certo do arrebatamento da Igreja seria aos homens prejudicial, e certamente muitos perderiam a salvação.
Nós pregamos e a Palavra de Deus afirma que Jesus vem, breve. O próprio Senhor, pelo Espírito Santo, sempre adverte, de todas as maneiras, os crentes, que a Sua vinda está próxima; e, mesmo assim, são poucos os que permanecem e estão prontos para esse grande evento. Se estivesse marcada a data, talvez para alguns séculos distantes, o que poderia ter acontecido aos crentes primitivos? Eles poderiam dizer: ainda está muito longe a vinda de Jesus; vou brincar mais um pouco, vou desfrutar os deleites do mundo que é bom e folgado, e quando estiver bem velho, quase para morrer, vou aceitar Jesus como meu Salvador para esperar a morte. Perguntamos: qual é a idade em que o homem morre? A morte só vem ao indivíduo de uma maneira?
Somos advertidos a estarmos preparados para qualquer momento, conservando o que já temos recebido do Senhor (II Timóteo 1:14). A fim de não Perdermos a bênção. Para o Senhor (Ele poderá demorar o tempo o tempo que desejar) sempre é cedo. Diz o salmista: “Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite” (Salmo 90:4).
O apóstolo Pedro afirma: “Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite” (Salmo 90:4). O apóstolo Pedro afirma: “Mas, amados, não ignoreis uma coisa: que um dia para o Senhor é como mil anos, e m Il anos como um dia” (II Pedro 3:8).
“Guarda o que tens”. Equivale a dizer: “Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas (de ensinar outra doutrina, que não é segundo a piedade), e segue a justiça, a piedade, a fé, a caridade, a paciência, a mansidão. Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual foste chamado…” (II Timóteo 6:11,12; leia os versículos 3-10). “Em tudo te dá, por exemplo, de boas obras; na doutrina mostra incorrupção, gravidade, sinceridade, linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós” (Tito 2:7,8). “Conserva o modelo das sãs palavras que de mim tens ouvido, na fé e na caridade que há em Cristo Jesus. “Guarda o bom depósito pelo Espírito Santo que habita em nós” (II Timóteo 1:13,14). “Mas o que tendes retende-o até que eu venha” (Apocalipse 2:25).
“Para que ninguém tome a tua coroa”. Coroa é galardão (Isaías 40:10; 62:11; ler I Tessalonicenses 2:19,20; II Timóteo 4:8; I Pedro 5:4), e esta coroa é o galardão ou o pagamento que havemos de receber naquele dia por tudo que tivermos feito através do nosso corpo (II Coríntios 5:10). O mal citado neste versículo não é condenação, mas é o menor galardão; são as vestes da salvação (ler I Coríntios 3:15).
VERSÍCULO 15: “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do m eu Deus, e dele nunca sairá…”.
Colunas de Jacó (Jeremias 28:18; 31:45,51,52; 35:14); pilares de Moisés (Êxodo 24:4); pedras do rio Jordão e Siquém (Josué 4:8,9; 24:26,27); colunas que serviam de marcos (I Samuel 20:19)). Colunas em metáforas: “Coluna de nuvem, de fogo, de fumo” (Êxodo 13:21; Juízes 20:40). Jô fala de coluna do Céu e da Terra (Jô 9:6; 26:11); Paulo fala da Igreja como coluna (coluna e firmeza da verdade (I Timóteo 3:15); Absalão levantou para si um pilar para que o seu nome não fosse esquecido (II Samuel 18:18). Assim a promessa para o vencedor é um lugar de permanência, honra e utilidade no Templo divino.
“…e escreverei sobre ele o nome de meu Deus, e o nome da cidade de meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu de meu Deus, e também o meu novo nome”.
Os nomes escritos sobre as pessoas ou os distintivos usados designam a função ou o emprego delas, quer no comércio, na indústria, ou em qualquer empresa em que exerçam suas atividades.
Aqui, o nome escrito é o de Deus, como o Grande Empresário, o Dono, o Proprietário, o Senhor da pessoa que o receber (ler Êxodo 19:5; Deuteronômio 7:6; Salmo 135:4); é o da cidade de Deus, como designação do seu nascimento ou cidadania (Salmo 87); este é o novo nome de Jesus, como confirmação de sua aquisição, quando nos comprou para Deus com o seu precioso sangue (I Coríntios 6:20; 7:22,23; Efésios 1:7; Apocalipse 5:9,10).
VERSÍCULO 13 “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”. Para que não haja esquecimento, o Senhor repete esta advertência em cada carta.
SÉTIMA CARTA (3:14-22)
VERSÍCULO 14 “E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve…”
Laodicéia era chamada Theópolis, cidade de Zeus; foi melhorada e ampliada por Antíoco II, que lhe pôs o nome de “Laodicéia”, em honra de sua mulher Laodice. Era uma cidade sobre o rio Lice. Parece que o apóstolo Paulo esforçou-se para introduzir o Evangelho em Laodicéia, para onde escreveu uma epístola, acerca da qual se refere em Colossenses 4:16. A cidade foi destruída por um terremoto em 62 d.C., e reconstruída pelo próprio povo.
O nome compõe-se de duas palavras que juntas significam: “julgamento pelo povo” ou “direitos do povo”. É o retrato exato da igreja que se envaidece. É o período da apostasia.
“Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus.
Ao dirigir-se às igrejas, Cristo apresenta-se a cada uma no caráter mais adequado à condição da igreja local, que corresponde aos sete períodos da Igreja na Terra.
“Isto diz o Amém”. Para Laodicéia, Jesus é o “Amém de Deus”.
Ele é o “Assim seja”. Amém significa o fim; significa aprovação; significa a prova triunfante; significa a promessa imutável; significa o selo de Deus. A confirmação final é afirmativa: “Porque todas quantas promessas há de Deus, são nEle amém” (II Coríntios 1:20). Cristo é a garantia de todas as promessas e nEle estão confirmadas as que foram feitas aos pais, para a salvação dos gentios (ler Deuteronômio 32:43; Salmo 117:1; Romanos 15:8-11).
“A testemunha fiel e verdadeira” (João 5:36). Ele é fiel ao Pai e ao Seu povo (Romanos 3:3; II Timóteo 2:13).
“O princípio da criação de Deus”. Cristo, o Originador e Autor da criação de Deus. Em João 1:1-3, lemos: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez”. Veja o Deus Trino e Uno realizando uma criação física e completa (Gênesis 1:1,26).
Deus está em Cristo dirigindo toda a Criação. Ele é tanto Criador quanto Sustentador (Colossenses 1:16,17). Ele está exatamente no meio de tudo.
Agora, Ele está no meio de Sua Igreja, trabalhando fielmente como o Grande Pastor das ovelhas, e revelando-Se a Si mesmo como nova criação de Deus, o Deus humanizado (Isaías 7:14), o Emanuel [Deus conosco] (ler Hebreus 10:5-7).
O anjo disse a Maria: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra, pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus (Lucas 1:35). O homem e Deus encontraram-se e uniram-se. Ele foi o primeiro e a cabeça desta nova raça (Colossenses 1:18; ler II Coríntios 5:17). Agora, Sua própria existência é para os Seus; Ele os ama e cuida deles.
No Salmo 2:7 lemos: “Recitarei o decreto: O Senhor me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei”, e em Hebreus 1:1-5: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo. O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas; feito tanto mais excelente do que os anjos, quando herdou mais excelente nome do que eles. Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, e ele me será por Filho?”
E para enfatizar, Paulo escreveu aos Colossenses: “Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz; o qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor; em quem temos redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados; o qual é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, seja principados, sejam potestades: tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e toldas as coisas subsistem por ele” (Colossenses 1:12-17).Esta “nova criação” não é a velha criação reformada; também não poderia ser chamada de “uma nova criação”, no sentido de ser abandonada aquela e feita outra criação independente; mas é nova criação surgida daquela (João 3:7; ler I Coríntios 5:7; II Coríntios 5:17; Gálatas 6:15).
Aqui é o Deus Criador, criando para Si mesmo uma nova criação, e elegendo pelo seu decreto os membros desta criação. Por isso, Cristo, como o princípio da criação de Deus, podia olhar direto para a última era, quando tudo está prestes a acabar, e ver a Si mesmo ainda no meio da Igreja, como autor desta nova criação de Deus.
Com esta prerrogativa, afirmando os títulos que credenciavam a Sua própria pessoa, Cristo apresenta-se a Laodicéia.
VERSÍCULO 15 “Eu sei as tuas obras, que nem és frio nem quente. Tomara que foras frio ou quente”.
Laodicéia tinha-se afastado do que é real e verdadeiro. O seu estado era completamente desagradável ao Senhor, por causa do seu espírito de conformismo. “Nem frio nem quente”. Tinha apenas um pouco de frio e de quente. Tal coração dividido, tal vida indiferente, produz cegueira espiritual, na qual o homem sente-se satisfeito com a sua condição, mas torna-se insensível ao apelo e à admoestação. É a vida vivida apregoando uma condição espiritual altamente privilegiada, mas mantendo-se ainda ligada ao mundo, com todas as suas participações.
Destes dois estados, origina-se um terceiro: morno. É a condição moderna das igrejas atuais: “Não faz mal! É sempre a expressão ouvida dos lábios de muitos “crentes” modernos. Dizem outros: Vocês são antiquados e querem ser santos demais: Isso é fanatismo!” – respondem outros sempre que são censurados.
O Senhor não se deixa levar por respeitos humanos (Deuteronômio 10:17; Atos 10:34; Romanos 2:11; I Pedro 1:17). As obras de Laodicéia provaram o que ela era: morna e indigna. A igreja conformada, que quer somente agradar à vista, que fica sempre em meio termo, representa os últimos tempos de frieza, de decadência espiritual (Mateus 24:12). Quantos membros nominais de igrejas estão nas mesmas condições!?
VERSÍCULO 16 “Assim, porque és morno e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca”.
Aqui o Senhor está revelando o estado espiritual da Igreja.
1. Ser quente é estar vivo, como um corpo vivo é quente; essa vida produz em si mesma o calor. Assim todos quantos se chegam a Deus recebem vida de Deus (Deuteronômio 4:4). Disse Jesus: “Examinais as Escrituras, porque cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam, e não quereis vir a mim para terdes nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam, e não quereis vir a mim para terdes vida”. Cristo é a própria vida (João 4:4; 11:25,26; Colossenses 3:4; I João 1:1,20; João 10:10). Estar nEle é permanecer vivo para sempre (João 4:4; 11:25,26; Colossenses 3:4; I João 1:1,20; João 10:10).
2 . Ser frio é estar morto; como um corpo morto é frio, sua vida extinguiu-se e nele não há mais calor. A Bíblia diz: a. “Duas vezes morto” (Judas 12). Morto para Deus e morto para o mundo; isto é, estar destinado à segunda morte (Apocalipse 21:8). Estes, são os que pereceram sem Cristo, e o juízo os aguarda (Hebreus 9:27).
b. “Morto no pecado” (Efésios 2:1,5; 4:18; Colossenses 2:13); é estar morto para Deus (ler Mateus 22:32), mesmo que esteja vivo para o mundo. Estes, Cristo os pode ressuscitar: “Eu sou a ressurreição e a vida, quem crê em Mim, ainda que esteja morto viverá” (João 11:25). Com a vida tornar-se-ão quentes.
3. Ser morno é não estar vivo nem morto; é não ser nem espiritual nem carnal; é desejar estar em Cristo e também no mundo. Disse Jesus: “Ninguém pode servira dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” (vide Mateus 6:24); “Porque o Senhor disse: Pois que este povo se aproxima de mim, e com a sua boca, e com os seus lábios me honram, mas o seu coração se afasta para longe de mim e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, em que foi instruído, eis que continuarei a fazer uma obra maravilhosa e um assombro, porque a sabedoria dos seus lábios perecerá e o entendimento dos prudentes se esconderá. Ai dos que querem esconder profundamente o seu propósito do Senhor, e fazem as suas obras às escuras, e dizem: Quem nos vê? E quem nos conhece? Ver (Isaías 29:13-15): “Ou cuidais vós que em vão diz a Escritura: O Espírito que em nós habita tem ciúmes?” (Tiago 4:5).
Por isso, o morno é repugnante e o Senhor não o tolera. A sentença é: “Porque és morno, vomitar-te-ei da minha boca”. É o mesmo que dizer: “Tu me tens repugnado; por isso lançar-te-ei fora como vômito”.
Simboliza isto um duro juízo. Disse Jesus: “Oxalá foras frio ou quente (melhor te seria do que seres morno compenetrado)”; resta apenas juízo para esse.
VERSÍCULO 17 – “Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta…”
Cristo não pode proclamar o nome de semelhante “crente” diante do Pai quando Ele vier, porque esse crente está cheio do orgulho de sua riqueza carnal (Oséias 12:8,9; I Coríntios 4:6), e ainda se julga o único conhecedor do que é divino (I Coríntios 1:19-29). Para um cristão exaltado, o arrependimento é difícil, porque a vaidade lhe cega a visão espiritual. Aqui o Senhor censura, ao invés de convidar ao arrependimento.
“… e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”.
Esta é a descrição exata da Igreja moderna, que se vangloria no número de seus membros; que se orgulha dos recursos financeiros e da posição e influência de seus membros na sociedade. Orgulha-se dos seus templos suntuosos, com aparatos e ornamentos ostensivos. Orgulha-se de possuir como seus dirigentes homens doutos e cheios de pergaminhos, que exigem ser chamados de “doutores”, de “referendos”. Orgulha-se das suas organizações sociais, clubes e departamentos da igreja que servem para sua exaltação e para menosprezo das suas coirmãs que desejam servir humildemente ao Senhor.
A carta é dirigida ao anjo da igreja de Laodicéia, o responsável direto pela igreja diante do Senhor nosso Deus. Isto posto, é dirigida aos pastores de cada igreja local dos nossos dias, que constituem no seu todo a Igreja de Cristo na Terra nesta dispensação.
Começa o versículo com uma advertência, que também é uma repreensão do Senhor contra o domínio do “eu”: “Como (tu) dizes. Tu dizes assim: “Tu te julgas assim”: “Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta”. Mas, “e (tu) não sabes”. Pela cegueira espiritual em que vives, ainda não é do teu conhecimento esta verdade: “que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu”.
Triste é esta verdade revelada. Eis porque não nos convém emudecer e ficar de braços cruzados, sem nenhum grito de alerta; mormente quando estamos vivendo nestes últimos dias e vemos o retrato perfeito pintado por esta profecia.
Convidamos o irmão a meditar conosco: de que valem os hinos em acordes maviosos, os bonitos sermões do púlpito, as “grandes orações” bem formadas e até decoradas para serem recitadas, as cerimônias executadas com todo o ritual, quando tudo isso não agrada ao Senhor? A quem é que cultuamos? A quem nos interessa agradar? Paulo diz: “Por que, persuado eu agora a homens ou a Deus? Ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo” (Colossenses 1:10).
O membro da Igreja que assim se apresenta ao Senhor está realmente nesta penúria espiritual: é um desgraçado, miserável, pobre, cego e nu. Isto fala da miséria espiritual em que vive: Nada tem, Ada vê, anda despido na presença de Deus (I Coríntios 1:20; ler Jô 5:13; Jeremias 9:23,24).Todo o aparato e luxo de vestir o corpo não vale coisa alguma; o que vale é o incorruptível traje do espírito, ver I Pedro 3:5; que esconde a nudez espiritual.
VERSÍCULO 18 – “aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças…”
Laodicéia considerava-se tão rica, que o Senhor não fala a ela em dar, mas a exorta a comprar. O que ela possuiu é falso (Tiago 5:1-3; Mateus 19-21).
O Senhor lhe oferece “ouro provado no fogo” (Provérbios 3:14).
– Mas como podem comprar ouro? – Justamente como podem comprar de Cristo vinho e leite, sem dinheiro e sem preço! (Isaías 55:1; Mateus 13:44; 25:9).
“… e vestidos brancos, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez…”
É igualmente exortada a comprar vestidos brancos para que se vista, significando que deve vestir-se da pureza e praticar a justiça de Deus na Terra. O linho fino são as justiças dos santos (Apocalipse 19:8); leia II Coríntios 5:1-5).
Andar despido na presença do Senhor é não estar preparado para encontrar-se com Ele no arrebatamento da Igreja.
“… e unjas os olhos com colírio, para que vejas”.
A cegueira espiritual é o que há de pior, mormente em se tratando da perversão, como no caso de Laodicéia. Nada vê: é cega (ler Provérbios 22:2 e Mateus 6:22,23).
VERSÍCULO 19 – “Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê, pois, zeloso e arrepende-te”
Vemos em Provérbios: O filho sábio ouve a correção do pai, mas o escarnecedor não ouve a repreensão” (13:31); “Castiga a teu filho enquanto há esperança, mas para o matar não alçarás a tua alma” (19:18); “O que retém a sua vara aborrece a seu filho; mas o que o ama, a seu tempo o castiga” (13:24).
Diz ainda o autor da epístola aos Hebreus: “Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos, porque, que filho há a quem o pai não corrija?
Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos. Além do que tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiram como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade” (Hebreus 12:6-10).
Ante toda esta admoestação, ainda o Senhor, grandemente compassivo e misericordioso, convida: “Sê pois zeloso e arrepende-te!”. A fé precisa ser exercitada. O Senhor não abandona jamais a Igreja; porém deixa de dirigir-se à coletividade para falar a cada um (Jô 5:17,18; Provérbios 3:11,12; Hebreus 12:5-11).
VERSÍCULO 20 – “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo”.
Cristo bate à porta de cada coração, quando fechada para Ele, como na igreja de Laodicéia. Este apelo não é para os perdidos descrentes, mas para cada crente em particular. Os crentes modernos têm deixado o Senhor do lado de fora do coração e da própria casa em que habitam. O coração está ocupado dos sentimentos, em como há de agradar o mundo, os amigos, para que tenham uma vida folgada e possam ser estimados por todos.
Não querem desgostar ninguém e desejam sempre ser elogiados. Suas casas estão cheias de tudo quanto há de melhor no mundo, procurando proporcionar ao mundo uma melhor acolhida.
Mas Cristo diz: “Eis que estou à porta e bato”. Ele está batendo porque deseja ser um hóspede especial. O Senhor é santo, puro e imaculado. Ele não poderá ser hóspede de uma casa onde haja manchas e sentimentos abomináveis.
O Senhor não pode compactuar com o pecado nem se acomodará com a corrupção deste mundo. Para hospedá-Lo é preciso abrir o coração e retirar do lar tudo que possa desagradar-Lhe.
Será que o Senhor gosta de assistir a programas de televisão? Gostará Ele de novelas? Ou assuntos de futebol o interessam? Será que Ele vai observar brigas constantes entre os cônjuges e os falatórios profanos dos filhos?
Será que Ele não vai notar as brigas com os vizinhos e o falar mal da vida alheia/ Estas e muitas outras coisas devem ser observadas por quem deseja hospedar Jesus em nossos dias. Cristo continua falando ao nosso coração. Como vamos recebê-Lo? Como vamos usar a divisa: “Cristo é o hóspede desta casa”?
“Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?”(Mateus 16:26; ler Tito 4:4; João 5:19; Gálatas 6:14). Cristo está à porta (Cantares 5:2), como O grande amado clama para entrar! Aquele que ama o Senhor não O deve deixar do lado de fora (João 13:23), porque assim será perigoso para a criatura quando bater também à sua porta (Lucas 13:24-29).
“Se alguém ouvir a minha voz”. Se ouvires a voz do Senhor, consagrares o teu amor para Ele, tirares do teu coração e também do teu lar todos os obstáculos, tudo o que possa desagradar-Lhe, Ele será o teu hóspede e participarás com Ele de uma comunhão mútua: “entrarei em tua casa e com ele cearei, e ele, comigo”.
VERSÍCULO 21 “Ao que vencer, lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci e me assentei com meu Pai no seu trono”!
Cristo, mesmo do lado de fora, oferece um prêmio ao vencedor. Aos que ouvem a Sua voz, Ele os convida a partilhar do Seu trono do mesmo modo como Ele recebeu do Pai (Salmo 110:1; Hebreus 1:3; ler Mateus 19:28,29; Lucas 22:29,30; João 12:26). Laodicéia, ela que tanto tem falhado, é, das sete, a que mais graciosamente tem a promessa do Senhor: pode ser reanimada pela Sua graça, firmar-se e vencer, herdando a mais alta promessa de comunhão íntima com Cristo em Seu reino de glória.
VERSÍCULO 22 “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas”.
Em todas as cartas, há esta advertência. Realmente, o Espírito Santo está continuando a Sua obra na Igreja (João 14:26), avisando e mostrando claramente a aproximação do fim (leia Apocalipse 22:17).
Como foi dito, o estado das Igrejas, figurado em cada uma das quatro últimas cartas, continua até a vinda do Senhor. O atual dia da graça está prestes a terminar. A dispensação cristã aproxima-se do fim. Gozos e alegrias perenes aguardam o cristão fiel. Cumprir-se-á a promessa do nosso bendito e amado Salvador: “Virei outra vez e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também” (João 14:3).
EBENÉZER !!!!!

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