20 de fevereiro de 2013

 
 
 
Autoria do Reverendo Romeu Maluhy, pastor da Igreja Presbiteriana

Publicação autorizada pelo Presbítero Romeu Maluhy Junior, pastor e epíscopo

Agradecimentos de Universal Assembléia da Santa Aliança Cristã

Presbítero Jailson Pereira, apóstolo e epíscopo

CAPÍTULO 5.VII

 

VII – AS DUAS NATUREZAS DO CRENTE

 
            As Escrituras nos ensinam que as pessoas convertidas são possuidoras de duas naturezas – uma, recebida no nascimento natural, que é inteira e desesperadamente má e, outra – uma natureza nova – recebida por ocasião do novo nascimento, que provém de Deus e é, portanto, inteiramente boa.

            As seguintes passagens bíblicas servirão para manifestar, de um modo mais que suficiente, o pensamento de Deus acerca da natureza velha ou adâmica.

            “Eis que em iniqüidade fui formado e em pecado me concebeu minha mãe” (Salmo 51:5). “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso: quem o conhecerá?” (Jeremias 17:9). O Dr. YOUNG traduz este texto assim: “Arqueado é o coração acima de todas as coisas e é incurável – quem o conhece?”.

            “Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só” (Romanos 3:10-12).

            Deus não diz que nenhum dos regenerados (convertidos) não seja polido, educado, de temperamento amável, generoso, caridoso, ou mesmo religioso, mas afirma que nenhum deles é justo, que nenhum deles o entenda e o busca.

            Uma das mais duras prova a que é submetida a nossa fé é, sem dúvida alguma, a de aceitarmos a estimativa divina sobre a natureza humana; compenetrar-nos de que os nossos amigos são afáveis e morais, que, não raramente, são tão escrupulosos do desempenho de todos os seus deveres, que são tão zelosos em aliviar os sofrimentos e as aspirações dos seus semelhantes, e ativos na defesa dos direitos humanos, sejam, ao mesmo tempo, desprezadores dos direitos de Deus e insensíveis ao sacrifício de Seu Filho, cuja divindade, com insolência, inexplicavelmente, negam e cuja palavra desdenhosamente rejeitam. Uma respeitável e dedicada dama, que teria horror de pronunciar uma mentira, ou desmentir o seu semelhante, pode chamar a Deus de mentiroso diariamente (I João 1:10; 5:10). E essa dificuldade é excessivamente aumentada, por milhares, pelos constantes panegéricos de seres humanos, feitos dos púlpitos das nossas igrejas modernas.

            Como é alarmante o contraste entre as aparências e as realidades nos dias Anti-diluvianos: “Havia gigantes na terra naqueles dias, e também depois quando os filhos de Deus (os descendentes de Sete) entraram às filhas dos homens (ou descendentes de Caim) e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antigüidade, os varões de fama” (Gênesis 6:4).

            E assim parecia que o mundo ia melhorando aos olhos dos homens; um progresso contínuo eles provavelmente podiam prever e o resultado aparente dos casamentos entre os piedosos e mundanos era um meio de elevar a natureza humana às maiores alturas..

            Foi, porém, justamente nessa ocasião que “o Senhor viu que a maldade do homem se multiplicava sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos do seu coração era só má contínuamente” (Gênesis 6:5). Continuemos a ler a Palavra de Deus:

            “Porque do interior do coração dos homens saem os seus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios, os furtos, a avareza, as maldades, o engano, a dissolução, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Todos estes males procedem de dentro e contaminam o homem (Marcos 7:21-23).

            “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (I Coríntios 2:14).

            “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeito à lei de Deus, nem, na verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Romanos 8:7,8).

            “Entre os quais todos nós antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também” (Efésios 2:3).

            Por essas passagens bíblicas, concluímos que o descrente tem uma tríplice incapacidade:

a)     – Pode ser possuidor de vários dons: educado, culto, amável, generoso e religioso;

b)     – Pode pagar todas as suas dívidas honestamente, falar a verdade, ser industrioso, bom esposo e bom pai, ou todas essas coisas em conjunto e;

c)      – Não pode, porém, nem obedecer, nem agradar e nem compreender as coisas de Deus.

            O crente, pelo contrário, embora ainda possua a velha natureza, inalterada e imutável, recebeu uma nova natureza, “que, segundo Deus, é criada em verdadeira justiça e santidade” (Efésios 4:24).

            As seguintes passagens bíblicas revelam, a origem e o caráter do homem novo. Verificaremos, ainda, por elas,que a regeneração é uma criação e não uma mera transformação, que é o nascimento de uma coisa nova e não uma mera mudança de uma coisa velha.

Do mesmo modo como recebemos a natureza humana pela geração natural, recebemos também a natureza divina pela regeneração (conversão).

            “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus” (João 3:3).

            “Mas a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de deus, aos que creram no seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus” (João 1:12,13).

            “Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo” (Gálatas 3:26).

            Podemos observar que o que afirmam essas passagens bíblicas é para condenar a seguinte frase, tão popular em os nossos dias: “A paternidade universal de Deus e a fraternidade universal dos homens”, que não passa de uma afirmativa bastante perigosa pela meia verdade contida da última cláusula. Nem todos os que nascem, mas sim, todos os que nascem de novo é que são filos de Deus. As Escrituras verdadeiramente nos dizem que Adão era filho de Deus, mas elas são cautelosas quando afirmam que Sete era filho de Adão  (Lucas 3:38).

            “E vos revistais do homem novo, que, segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Efésios 4:24).

            “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram e eis que tudo se fez novo” (II Coríntios 5:17).

            E esse homem novo está unido a Cristo.

            “Já estou crucificado com Cristo e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim. E a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gálatas 2:20).

            “Aos quais Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória” (Colossenses 1:27).

            “Porque já estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, que é a nossa vida se manifestar, então também vós vos manifestareis com Ele em glória” (Colossenses 3:3,4).

            “Pelas quais Ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina” (II Pedro 1:4).

            “E se Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito vive por causa da justiça” (Romanos 8:10).

            “E o testemunho é esse: que Deus nos deu a vida eterna e esta vida está em Seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida e quem não tem o Filho de Deus não tem a vida” (I João 5:11,12).

            Mas essa nova natureza divina, que é a do próprio Cristo, subsiste no crente, juntamente com a velha natureza. Foi o apóstolo Paulo mesmo que, depois de escrever: “Não mais eu, mas Cristo que vive em mim”, (Gálatas 2:20). Escreveu também: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum” (Romanos 7:18) e “Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo” (Romanos 7:21). E foi Jó, “o homem sincero e reto” (Jó 1:8) que disse: “Eu abomino a minha vida” (Jó 7:16). E foi Daniel, verdadeiramente um homem de Deus, que disse: “E transmudou-se em mim, a minha formosura em corrupção” (Daniel 10:8), quando viu glorificado o Ancião de Dias.

            Há um grande conflito entre essas duas naturezas. Merece carinhoso estudo a luta entre os dois egos – o do velho Tarso e o do novo Paulo, em Romanos 7:14-25.

            É uma experiência como essa que desanima e torna perplexos os neo-convertidos. A primeira alegria da conversão como que desaparece; seu ardor, esfria-se e eles esmorecem quando entram em contato com os seus velhos hábitos e os desejos que tinham antes da conversão. Surge, então, a dúvida sobre se Deus realmente os aceitou. Esse é o momento de abatimento e perigo.

Paulo, quando, nessa crise, clamou a Deus que dela o libertasse, chamando à sua velha natureza de “corpo da morte” (Romanos 8:24). A lei só servia para aumentar a sua já grande agonia (embora fosse um verdadeiro crente em Cristo). Ele, entretanto, finalmente, encontra o livramento “da carne”, não pelo seu esforço pessoal e nem por desejar guardar a lei, mas tão somente por “Jesus Cristo, nosso Senhor” (Romanos 7:14-25).

            A presença da carne não é, entretanto, desculpa para que andemos por ela, pois sabemos que o “nosso homem velho está crucificado com Cristo” (Romanos 6:6), e que, nesse sentido, “estamos mortos” (Romanos 6:11_, e somos convidados a fazer constantemente esta experiência: “mortificar (ou fazer morrer) os nossos membros, que estão sobre a terra” (Colossenses 3:5).

            O poder para assim procedermos vem-nos do Espírito Santo que habita em nós, os crentes (I Coríntios 6:19), cuja missão bendita é subjugar a nossa carne (isto depende da nossa submissão a Ele).

            “Digo, porém, andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne cobiça contra o Espírito e o Espírito contra a carne e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis” (Gálatas 5:16,17).

            “Porque, se viverdes segundo a carne, morrereis;  mas, se, pelo Espírito, mortificardes as obras da carne, pela nossa própria vontade, ou por boas resoluções, devemos – isto sim! – nos entregar ao domínio do Espírito de Deus que habita em nós.

            No capítulo 7 da epístola aos Romanos, vemos narrado o conflito que há entre o homem convertido e a sua velha natureza – o velho ego – conflito esse de caráter intensamente pessoal. “Eu quero”, “Eu não faço”, “Eu não quero”, “Eu não faço”, eis a triste confissão do homem aparentemente derrotado, que encontra similares em muitos corações crentes. No capítulo 8, o conflito ainda continua, mas bem-aventuradamente impessoal. Não há nenhuma agonia, porque Paulo está fora dele. O conflito, agora, é entre a carne – Saulo de Tarso – e o Espírito Santo. Paulo desfruta a paz pela vitória que este alcançou sobre aquela.

            Devemos entender que isso se refere à vitória sobre a carne, isto é, às solicitações interiores para a prática do mal, como a concupiscência, o orgulho, a ira etc. As tentações exteriores são vencidas, quando recorremos a Cristo, o nosso Sumo Sacerdote.

            Devemos entender que isso se refere à vitória sobre a carne, isto é, às solicitações interiores para a prática do mal, como a concupiscência, o orgulho, a ira etc. As tentações exteriores são vencidas, quando recorremos a Cristo, o nosso Sumo Sacerdote.

            Devemos, atentamente, considerar os seguintes textos bíblicos:

            “Sabendo isto, que o nosso homem velho foi crucificado com Cristo, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mai ao pecado” (Romanos 6:6).

            “Porque a circuncisão somos nós, que servimos a Deus em espírito e nos gloriamos em Jesus Cristo e não confiamos na carne”  (Filipenses 3:3). “Porque já estais mortos e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Colossenses 3:3).

            “Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo e não tenhais cuidado da carne em sua concupiscência” (Romanos 13:14).

            “Assim também vós considerai-vos mortos para o pecado, mas vivos para deus em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Romanos 6:11).

            “De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne para que vivamos segundo ela” (Romanos 8:12).

 

 

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