19 de fevereiro de 2013

 
 
Autoria do Reverendo Romeu Maluhy, pastor da Igreja Presbiteriana

Publicação autorizada pelo Presbítero Romeu Maluhy Junior, pastor e epíscopo

Agradecimentos de Universal Assembléia da Santa Aliança Cristã

Presbítero Jailson Pereira, apóstolo e epíscopo

 
 

2 – CARTA DE CONSOLAÇÃO

 
 

                                                   Rio de Janeiro, 30 de junho de 1975

Prezados primos Fábio e Samira:

 

            Preferimos buscar a orientação de Deus para escrever uma carta, que pudesse levar algum conforto aos seus corações partidos. Nós, que já enfrentamos o sofrimento da saudade, deixada por um filho chamado por Deus, não poderíamos consolá-los, pois a sua dor foi mais prolongada.

Mas uma coisa pedimos ao bom Deus: que a fé em Deus não se acabe! Por isso estamos escrevendo, porque diante da morte de um ente querido, aflora à nossa mente uma pergunta: “Nós merecíamos receber esse sofrimento?”.

E no caso de vocês: Nossa filha merecia morrer através de tanto sofrimento? Milhares de pessoas atingidas pelo sofrimento têm feito a mesma pergunta. Nós sentimos uma grande compaixão, tanto por elas, como por vocês que viram sua filha sofrendo de uma doença durante tanto tempo. Sabemos que tudo feito para obtenção da cura. Despesas não foram levadas em conta. O que havia de melhor em matéria de ciência médica especializada foi usado. Mas a vontade de Deus é soberana e Ele sabe o que é melhor para nós, embora não possamos compreender.

            Temos diante de nós, ainda que não queiramos, a visão do nosso Renato estendido na sala do hospital, onde tudo estava sendo feito para recuperá-lo do afogamento. Lembramos, também, do Reinaldo filhinho do René, que sofreu dessa doença horrível durante mais de dois anos, nos primeiros anos de vida, na infância!

            Achamos que podemos falar na linguagem comum, disciplinados que estamos no mesmo banco da escola da vida, para responder à pergunta: “Nós merecíamos isto?” A mais simples observação da vida presente, nos mostra que não estamos recebendo agora, aquilo que merecemos. Tanto assim, que vocês têm visto pessoas perversas que não são atingidas pelo sofrimento e, também, pessoas cheias de bondade que sofrem muito. Porque o sofrimento tem muitas causas diferentes, das quais nós conhecemos apenas algumas, e mal.

Como explicar a morte da jovem Márcia? Do Renato? Do Reinaldo? Do Newman, filho do Reverendo Oswaldo (Igreja Presbiteriana de Curitiba), que aos 18 anos foi atacado de artérioesclerose cerebral progressiva, provocando sua morte, após quatro anos, quando já não possuía reações sensoriais?

            Este mundo não é o lugar de recebermos o que merecemos. Inda não chegou o tempo da aplicação da justiça de Deus. Mas é preferível que citemos a Palavra de Deus. No Salmo 103, versículo 10 está escrito: “Misericordioso e piedoso é o Senhor. Não nos tratou segundo os nossos merecimentos, nem nos retribuiu segundo as nossas iniqüidades; pois quanto o céu está elevado acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com aqueles que o amam”.

Vocês já pensaram no que é que aconteceria se Deus estivesse tratando os seres humanos como eles merecem ser tratados? O que as Escrituras Sagradas nos ensinam, com toda clareza, é que nesta vida não é a ocasião de cada um receber de Deus aquilo que merece. A prestação de contas vem depois. Foi isto que o apóstolo Paulo ensinou: “Todos devemos comparecer perante o tribunal de Cristo, para um receber o que tiver feito por meio do corpo, ou bem ou mal” (II Coríntios 5:10). E ainda mais: “Deus recompensará a cada um segundo as suas obras, a saber, vida eterna aos que com perseverança em fazer o bem, procuram glória, e honra, e incorrupção, mas a indignação e a ira aos que são desobedientes à verdade. Porque para com Deus não há acepção de pessoas” (Romanos 2:6-8,10). Não é porque vocês merecem que o sofrimento prolongado os atingiu. Vocês estão sendo provados. Para que? Só Deus sabe. Uma coisa é certa: “Você s, de hoje em diante, vão ler os jornais e ver o noticiário da TV de forma diferente.

Vão entender o sofrimento dos outros. E o ponto de partida dessa mudança é a lembrança de que Jesus Cristo sofreu muito sem merecer. Pela primeira vez vocês perceberam o que há de sofrimento no mundo, porque também estão sofrendo. Meus caros primos: vocês foram promovidos a uma classe superior. E Deus, quando sarar a ferida dos seus corações, vai usá-los para consolar muita gente. Voltamos a suplicar: que a fé em Deus não se apague nos seus corações.

            Nós sabemos, por experiência própria, que quando existe fé (confiança total em Deus), ela nos ajuda a enfrentar a dor. E damos graças a Deus, porque muitas pessoas têm mantido a firmeza de sua fé, apesar de terem perdido filhos desta ou daquela maneira. Será que nós temos o direito de nos considerar melhores do que os outros que antes de nós passaram pelo mesmo sofrimento?

Teremos nós o direito de exigir que Deus tivesse estabelecido para os nossos filhos uma situação de privilégio que nos livrasse do sofrimento que atinge, diariamente, a milhares e milhares de pessoas? Não seria isso uma forma de egoísmo? O próprio Deus não poupou a Seu Filho. Jesus veio ao mundo para nos salvar. E no plano de Deus para a salvação da criatura humana, estava programada a vida, a paixão, a morte e a ressurreição de Cristo. E Cristo foi obediente até à morte e morte de cruz. E essa morte traz VIDA a todo aquele que crê? Outra pergunta: de que maneira a nossa fé pode ser provada, verdadeiramente, a não ser através de provações e sofrimentos?

Não é no escuro que a luz brilha mais? Esta é a hora de mostrar que confiamos tanto na sabedoria perfeita como na bondade infinita de Deus, apesar daquilo que nos aconteceu. Na Epístola aos Romanos 8:20, o apóstolo Paulo diz: “Sabemosque todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”. Sabemos quer dizer, temos experiência. Não podemos entender a frase – todas as coisas (alegrias, tristezas, fartura, penúria, liberdade, prisão, vitórias, fracassos, saúde, doença, vida, morte) – mas podemos aceitar porque cremos num Deus de infinito amor conforme o apóstolo João expressa no seu Evangelho, capítulo 3, verso 16 “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Sabemos porque cremos nas promessas de Jesus Cristo. Estamos certos de que a morte não termina a existência. Temos certeza de que é verdade aquilo que Jesus disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Vou preparar-vos lugar”. Cremos naquilo que Paulo escreveu, dizendo: “Sabemos que se a nossa morada terrestre deste tabernáculo (nosso corpo) se desfizer, temos de Deus uma morada, não feita por mãos, eterna, nos céus”. E mais: “Se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também os que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele”. A morte é um sono prolongado mas acabará um dia.Jesus não prometeu que, se acreditássemos nEle, seríamos livres do sofrimento deste mundo. O que Cristo prometeu foi outra coisa: a salvação, a vida eternadepois desta vida. E foi para isso que Jesus morreu e ressuscitou.

            Não cremos em anjo da guarda. Remos em Jesus Cristo. A fé em Jesus e Suas promessas acerca da vida eterna, é que nos ajuda a enfrentar o sofrimento.

Muitos têm afirmado que até hoje estão revoltados contra Deus: perderam a fé. Mas eles estão enganados. Acontece é que não estão sabendo usar e aplicar a fé, talvez porque não possuem suficiente instrução acerca da fé em Cristo.

Essas pessoas estavam esperando de Jesus aquilo que Ele nunca prometeu. Que foi que Cristo disse? “No mundo tereis aflições; tende bom ânimo, eu venci o mundo”. Estas palavras foram ditas direta e pessoalmente aos seus apóstolos que, mais tarde, sofreram perseguição e morte, pelo fato de estarem pregando e testemunhando do Evangelho de Jesus.

Mas o Senhor Jesus fez também um convite que nós queremos transmitir a vocês, disse Ele: “Vinde Amim todos os que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vossas almas”. Nestas palavras Cristo mostra como devemos praticar a nossa fé. Primeiro, Ele diz: “Vinde a mim”. Jesus chama as pessoas que estão sofrendo para irem a Ele diretamente. Ele é quem dá descanso. Não há intermediários. Disse Jesus: “Se alguém tem sede, venha mim e beba”. Se nós estivermos com sede, não adianta mandar outra pessoa ir a fonte em nosso lugar para beber água; ou bebemos, ou continuaremos com sede. A grande necessidade de vocês é Cristo, ir imediatamente a Cristo, orar diretamente a Cristo, entregarem,-se a Cristo, crer e confiar em Cristo, porque somente Ele pode consolar os seus corações.

            Depois Ele diz: “Tomai sobre vós o meu jugo”. Vocês sabem o que é um jugo? É aquele aparelho de madeira que se põe no pescoço dos bois, para que possam puxar com mais força e menor cansaço a sua carga. A vida de qualquer de nós tem uma carga pesada; às vezes, muito difícil de suportar. Jesus não prometeu tirar a carga. Mandou que experimentássemos usar o jugo que Ele usou. E que jugo era esse? Disse Ele: “Sou manso e humilde de coração”.

            Nada ajuda tanto a suportar o sofrimento como a humildade diante de Deus.Uma atitude de submissão a Deus, de toda a humildade, ajuda a suportar as contrariedades e o sofrimento. Não sei se vocês conhecem a história de Jó. Narram as Escrituras Sagradas que Jó perdeu num só dia, todos os seus filhos, os quais pereceram num desastre. Dia, ainda,a Palavra de Deus que Jó ao receber aquela notícia, exclamou: “O Senhor o deu, o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor”. Contam, ainda, as Escrituras, que amigos de Jó, tendo ouvido falar daquela desgraça espantosa, vieram de longe para lhe fazer uma visita.

Quando chegaram à casa de Jó e tomaram conhecimento da extensão da tragédia, não puderam dizer palavra. Apenas choraram. É o que nós podemos fazer diante dos grandes sofrimentos – chorar com os que choram. Não sabemos explicar, porque só Deus tem a chave da explicação de tudo. Nossas palavras, ainda que sinceras, não consolam. Mas existe alguém cuja palavra traz conforto, consolação e esperança ao coração aflito. É dessa palavra que vocês estão precisando, a palavra de Jesus!

            A maior necessidade de vocês neste momento é ler as palavras de Cristo no Evangelho, as palavras de esperança que Ele disse acerca da morte, do sofrimento, da vida eterna, das crianças, dos jovens, da imortalidade e da salvação, Nós conhecemos algumas e vocês podem conferi-las na Bíblia.

João 14:1 “Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim”.

I João 4:16 “Deus é amor”

I João 14:27 “Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize”.

Salmo 31:24 “Esforçai-vos e ele fortalecerá o vosso coração, vós todos que esperais no Senhor”

Mateus 28:20 “Eis que eu estou convosco todos os dias”

João 15:5 “Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim  nada podeis fazer”

João 14:18 “Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós”

Salmo 147:3 “Sara os quebrantados de coração e liga-lhes as feridas”

Salmo 145:18 “Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos que o Invocam de verdade”

Salmo 73:26 “Deus é a fortaleza do meu coração”

Salmo 46:1 “Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia”

Salmo 121:1,2 “Elevo os meus olhos para os montes; de onde me virá o socorro?o meu socorro vem do Senhor, que fez o céu e a terra”.

Salmo 27:14 “Espera no Senhor, e anima-te e ele fortalecerá o teu coração; espera, pois, no Senhor”

Lucas 1:37 “Para Deus nada é impossível”

Hebreus 11:1-3 “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem; porque por ela os antigos alcançaram testemunho. Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram, criados: de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente”

Hebreus 11:6 “Ora, sem fé, é impossível agradar a Deus”

Marcos 11:22  “E Jesus respondendo-lhes, disse: Tende fé em Deus”

Mateus 7:7 “Pedi e dar-se-vos-á; buscai e encontrareis; batei e abrir-se-vos-á”

              Primos: não basta uma pessoa ter religião; é preciso também conhecer a doutrina que Cristo ensinou. Foi por isso que o apóstolo Paulo escreveu: “Irmãos, não quero que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais como aqueles que não têm esperança”. Nestas palavras, Paulo estabeleceu a diferença entre o cristão e o pagão (incrédulo), Sofre, tanto sofre um como o outro. O cristão não está livre dos desastres, das necessidades, nem dos sofrimentos deste mundo. Mas há uma diferença. O discípulo de Jesus Cristo sofre, mas tem esperança. O sofrimento pior é o sofrimento sem esperança. O apóstolo Paulo disse que nós não devemos ser ignorantes da doutrina de Cristo para que não sejamos como aqueles que sofrem sem esperança.

            FÁBIO e SAMIORA: solidários na dor que vocês v:em curtindo há tanto tempo, desejamos que o bom Deus faça chover sobre a sua família as consolações do Seu Santo e Divino Espírito. As nossas orações de súplica e de intercessão pela Márcia cessaram no dia em que Deus a chamou, mas continuaremos a orar para que o nosso amado Pai esteja presente nos seus corações de pais, avós, irmãos, tios, primos e amigos.

            Se não levamos o conforto da nossa presença nesses dias dolorosos, foi porque motivos de força maior impediram. Minha sogra, que desde 1971 mora comigo, teve ameaça de derrame cerebral. Coincidiu com o período da bateria de exames médicos que há mais de dois meses a Ophélia vem realizando para resolver o problema da pressão alta, que há vinte anos nos tem dado preocupações. Deus tem nos assistido e se for da vontade dEle tudo será resolvido; mas de uma coisa estamos certos: vindo a cura, louvado seja o nome de Deus e, caso contrário, sabemos que Ele continuará nos sustentando de tal maneira, que viveremos sempre, contando com o Seu amor, a Sua paz, a Sua misericórdia e o Seu poder. E é por isso que a experiência da vida cristã nos ensina que: quando estamos fracos aí é que somos fortes!

            Na primeira ida a São Paulo, imperiosa se faz a visita a vocês.

 

Com todo amor em Cristo,

                                              Romeu, Solange, Priscila, César, Rodrigo e Mônica.

 

(Esta carta é cópia da carta escrita pelo então Presbítero Romeu Maluhy, na época, membro da Igreja Presbiteriana da Ilha do Governador)

 

Que o bom Deus envie aos seus corações, o conforto que somente Ele pode propiciar. Amém e Amém.

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