19 de fevereiro de 2013
 
 
 
 
Autoria do Reverendo Romeu Maluhy, pastor da Igreja Presbiteriana


Publicação autorizada pelo Presbítero Romeu Maluhy Junior, pastor e epíscopo

Agradecimentos de Universal Assembléia da Santa Aliança Cristã

Presbítero Jailson Pereira, apóstolo e epíscopo

 
 
 
FAMÍLIA EM FOCO

 

 

A COLUNA DE GILGAL

 

            “…Falou o Senhor a Josué, dizendo: …Daqui do meio do Jordão,…tomai doze pedras, e levai-as convosco…

…As doze pedras que tiraram do Jordão, levantou-as Josué em Gilgal.

…Para que todos os povos da terra conheçam que a mão do Senhor é forte:

   “a fim de que temais ao Senhor vosso Deus todos os dias”

   (Juízes 4:1,3,20,24),

 

            Depois de quarenta anos de peregrinação, Israel chegava à terra prometida. Tendo o Jordão pela frente, transbordando pelas ribanceiras, o Senhor aos sacerdotes que conduziam a Arca da Aliança que entravam com ela no rio e ali ficassem parados. Ao obedecerem, eles viram as águas se separarem, permitindo que todo o povo atravessasse a “pé enxuto”.

            E então veio nova ordem do Senhor para que doze pedras fossem retiradas do leito, e agora descoberto, e levadas ao alojamento.

            Chegando a Gilgal, Josué tomou aquelas pedras e levantou-as em coluna como um testemunho dos milagres operados por Deus e para que no coração de cada um houvesse temor do Senhor.

            Como teria sido aquela coluna? Imagino uma coisa tosca, bem simples, as pedras alisadas pelo passar das águas, possivelmente marcadas pelo limo, de diferentes tamanhos e qualidades. E foram ligadas num só propósito de testemunhar os milagres de Deus e conservar na memória das gerações que haveriam de v ir, a importância da felicidade e do temor do Senhor.

            Quando pensava em como deveria fazer a apresentação deste livro, veio-me à lembrança a figura da coluna de Gilgal.

Cada verso, cada estudo seria como uma pequena pedra natural, tirada do leito desse rio da nossa vida. E tudo, então, arrumado em uma simples coluna, tendo simplesmente o propósito de testemunhar as bênçãos do Senhor e lembrar deveres para com Ele, na família, tão sacudida pelos impactos do mundo e das forças diabólicas.

            Aí está portanto, nossa modesta “Coluna de Gilgal”, por coincidência, exatamente quando estamos (precisamente a vinte e sete de janeiro de 1989 quarenta anos de caminhada com família, não pelo deserto, mas por montes e vales, com sol, chuva ou tempestade – mas sempre guiados de dia pela “nuvem” e à noite pela “coluna de fogo” – penhores da presença constante do Senhor!

            Assim, continue Ele a abençoar-nos. Amém.


MILAGRES DO AMOR

                   

                                         Lucas, cap.2

 

            Eu creio na família

           Criada por Deus.

            Que, embora por tantos rejeitada,

            freqüentemente desvirtuada,

            fugindo ao padrão divino do Criador,

            será por Ele preservada!

 

            A relíquia sobrará

            contendo o calor do ninho,

            a leveza do passarinho,

            o perfume do manacá…

 

            Vejo poesia no nenê embalado

            por braços cansados;

            incessantemente vigiado

            por olhos insones,

            capazes de ver além:

            de transformar a “manjedoura”

            num berço encantado;

            de ver aquelas simples “faixas”

            como se fossem

            rico tecido bordado…

 

            Identifico-me com as mães

            fraquinhas como eu

            que não conseguem desligar,

            nas noites compridas,

            o ouvido e a mente

            da porta da entrada,

            até que ela se abra devagarinho

            no silêncio da madrugada…

 

            Lembro Maria,

            que ao encontrar, três dias depois,

            o Filho querido

            Que no templo ficara,

            mesmo vendo-O “entre os doutores”,

           liberta o clamor sentido

            que em su´alma se formara!

           – Filho, por que fizeste assim?!

            como se ignorasses a dor 

           que sobreveio a teu pai e a mim?!”

            Encanta-me o lar de Nazaré

            que, embora pobrezinho,

            encerra tanta riqueza

            de vivência familiar:

            pais cheios de carinho;

            ao filo, que submisso lhes é,

            e que aprende a carpintar,

            trabalhando junto a José…

 

            E, já no fim da jornada,

            a mãe – superando a fraqueza

            que antes manifestara –

            surge na senda da cruz

            tão nobre e tão bela

            ao desafio da dor,

            que estranho poder revela!

 

            De Deus se agiganta na força

            e, sem gritos nem desespero,

            seguindo o Divino Filho,

            contempla o ápice do amor:

            Ele da cruz se esquecendo,

            Das injúrias e da dor,

            Preocupa-se com ela aqui:

            “- Mãe, eis aí o teu filho,

            – Filho, tua mãe eis aí”

                                                          

 

ALELUIA !

 

 


VOCÊ SE ESQECEU

 

(Para as minhas noras Mônica e Michele)

           

           

A mulher quando está para dar à luz tem tristeza, porque a sua hora é chegada; mas depois de ter nascido o menino,já não se lembra da aflição…” (João 16:21).

 

       Eu vi você, Mãe,

       durante nove meses

       sonhando

       com o filho desejado             

       Imaginando

       o momento de tê-lo

       ao seu peito aconchegado!

 

       Você teceu sapatinhos

       de lã e de linha.

       Fez camisinhas,

        cueiros, mantas, babadouros

        e uma porção de fraldinhas…

 

        Chegou a hora,

        Você ficou nervosa.

        Você sofreu

        Mas logo depois, tudo passou,

        você se esqueceu:

        porque um bebê rechonchudo

        era seu filho!

        porque o seu filho nasceu!

 

        Você quase passava as noites acordada,

        entre um e outro chorinho sentido,

        entre uma e outra mamada…

 

        Mas pela manhã,

        como uma sonâmbula,

        enquanto ele dormia,

        uma pilha de roupinhas você lavava

        e, no varal, uma a uma estendia!

 

        Logo ele engatinhava,

        Dizia “dada” e “tetê”…

        – Que gracinha!

        – Como cresceu!

        E das noites mal dormidas

        depressa você esqueceu…

 

        Brinquedos, sopinhas,

        febres repentinas.

        escola, adolescência…

        Um braço quebrado –

        que susto!

        Malcriações…

        – Aha! Precisa paciência!

        – Vou te dar umas palmadas,

        menino levado!

 

        Faz tanto tempo!

………………………………………………..

 

       Menino, você não comeu direito!

       Está frio. Ponha um agasalho!

       Mas, mãe, ele já é homem feito!

        Não vê que o menino cresceu?

        Mas você nem faz conta!

         Se “já não se lembra”

         das dores passadas,

         das travessuras e febres,

         das noites compridas,

         dos sustos e medos,

         também se esqueceu

         de que o tempo passou

         e o menino cresceu!

 


DEIXAI QUE ELES VENHAM…

 

            “Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraceis, porque deles é

o reino de Deus” (Marcos 10:14).

 

            Certo domingo, em nossa Igreja (no dia da criança), numa cerimônia simples e edificante, apresentando, em oração, os nenês ao Senhor, o Pastor lembrou que Jesus disse a todos: “Vinde a mim”, mas não teve necessidade de fazer esse convite direto às crianças, porque elas se inclinam a ir a Ele, e vão com alegria. Com relação às crianças, Ele disse, porém aos adultos: “Deixai vir a mim…”

            Esta palavra tem sua razão de ser, pois os discípulos tentavam impedir que as crianças chegassem a Jesus.

            Comecei a pensar na cena em que os Evangelhos Sinóticos descrevem o encontro de Jesus com os pequeninos. “Deixai vir a mim…” E conclui: a nossa responsabilidade, o nosso dever, como adultos, é ir a Jesus e deixar que as crianças inocentes e espontâneas se cheguem a Ele.

            Porque os discípulos queriam impedir que trouxessem as crianças a Jesus? Cuidado com o Mestre, que estaria cansado? Talvez. Mas naqueles dias m que as mulheres e as crianças não eram contadas! (Mateus 14:21 e 15:38), eles podiam estar achando, como muitos em nossos dias também, que as crianças só atrapalham!

            Quantas mães têm, na televisão, uma espécie de babá  eficiente, sem acordar para a realidade de que esta maravilha do século é arma de dois gumes e está roubando a inocência e até a saúde de seus filhos? – “Mas com a televisão, eles não atrapalham a gente…”

DEIXAI VIR A MIM…

            Tantas vezes as crianças estariam prontas para serem conduzidas pela mão até a Igreja, onde aprendem a estudar a Palavra de Deus, onde se exercitam na oração. Mas o papai e a mamãe estão cansados, foram dormir tarde, trabalham a semana toda e…no domingo, preferem ficar em casa…

            “Deixai vir a mim…”

            Às vezes eles dizem aos filhinhos: – “Há um Deus que nos ama e que espera que O amemos e que sejamos bonzinhos, não briguemos, não mintamos para o papai e para a mamãe…”

            Mas eles mesmos discutem diante das crianças, mandam dizer que “não estão”, e ao invés de louvarem o Senhor “em tudo”, reclamam e murmuram por tudo, enquanto os olhinhos curiosos e os ouvidinhos atentos registram tudo!

            Quantas oportunidades, cada dia, de pensar com seriedade nas crianças, de conversar com elas, de levá-las a um passeio, de responder honestamente às suas perguntas, de gastar mais tempo falando-lhes das coisas de Deus, de deixar que elas se encaminhem a Cristo!

            Na própria disciplina inteligente, , calma, sem gritos, e pancadaria, mas com muita firmeza, estaria uma forma de conduzirem seguramente os pequenos ao Senhor, sem embaraçá-los com a nossa negligência ou com a nossa ira.

            Pais e professores: o apelo é dirigido a nós:

“Deixai vir a mim os pequeninos, e não os embaraceis…”

 

BONECAS E MAIS BONECAS

(Em casa da vovó)

 

 

            Em minha casa, ultimamente,

            as coisas estão mudadas.

            A vida está diferente!

 

            Se os pratos eu vou arrumar,

            descubro no secador,

            a mamadeira limpinha,

            que não sei onde guardar…

 

            Na sala, de vez em quando,

            uma boneca escabelada

            (que já vi, certa vez, de vestido)

            mas agora, inteiramente pelada!)

 

            E, como as colheres de pau

            vieram parar aqui?

            Tampas de panelas no sofá?

            São coisas que nunca vi!

 

            Na cadeira do papai

            há outra boneca sentada:

            de pano, com olhos azuis

            e cabeleira encaracolada…

 

            E até na escrivaninha

            “sobrou” uma pequena boneca

            que chegou pela mãozinha

            de uma garota sapeca…

 

            Lá no quarto da vovó

            está na cama a sacola

            com fraldas e mamadeiras,

            chupetas e uma bola.

 

           

            Tudo está mais alegre!

            tudo está diferente!           

            mas, o que mais encanta

            são os “toquinhos de gente”!

 

            Fernanda chamando o “au-au”

            e Lila de mãos preparadas

            para agarrar os cabelos

            das titias descuidadas…

 

            Graças, Senhor, pelas bonecas,     E por estas bonecas tão vivas

            que são deixadas na casa               que reviram todos os cantos

            de forma assim displicente!              E alegram a vida da gente!

 


 

O MENINO DE CASACO MARRON

 

Terminal Rodoviário Tietê.

 

 

“ – Juizado de Menores
Alô!, Alô! Atenção!
Chamamos os pais
(ou responsáveis)
de um menino
de casaco marrom
de aproximadamente
dois anos de idade…
 
“ – Alô, Alô! Atenção!
  um menino
de casaco marrom.
  dois anos de idade…”
 
“-  Um menino
de casaco marrom…”
 
Não sei quantas vezes
Ouvi a voz insistente,
que apelava para os pais
de um menino extraviado
que alguém tinha encontrado.
– Menino de casaco marrom:
eu imaginei você, franzino,
com olhinhos assustados,
(apenas dois aninhos),
sem saber dizer seu nome,
tremendo de medo e de frio
no meio de pessoas estranhas,
talvez de estômago vazio…
 
-Qual a sua história?
-Como você se perdeu?
Por descuido ou de propósito
(neste mundo tresloucado)
tudo isto aconteceu?
 
E enquanto o tempo passava
e o alto falante
insistente anunciava,
no meu tempo de espera,
a ausência de seus pais,
eu me envolvia em sua história
e sofria cada vez mais!
 

 

Tive vontade de vê-lo,

segurar suas mãozinhas,

ajeitar seu casaco marrom,

aconchegá-lo ao peito

e dizer-lhe ao ouvido!

– Não fique assustado!

ainda que não pareça

Você é muito amado!

 

– Eu estou de passagem;

nem posso ficar com você…

 

Mas sei de Alguém

(Alguém que você não vê)

que ainda mais do que eu

ama as criancinhas

perdidas como você!

 

Eu pedi a Ele

Que ficasse a seu lado,

Que o ajudasse a ser feliz

E a ser depressa encontrado!

 

 


 

O SEGUNDO CORDÃO

 

“Disse o rei: Dividi em duas partes o menino vivo, e daí metade a uma e metade a outra.”

 

            Então a mulher, cujo filho era vivo, falou ao rei (porque o amor materno se aguçou por seu filho), e disse: Ah! Senhor meu, dai-lhe o menino vivo, e por modo nenhum o mateis. Porém respondeu o rei. Dai à primeira o menino vivo: não o mateis, porque esta é a sua mãe” (I Reis 3:25-27).

 

I     Todos sabem                                       II Quanto o bebê

      a respeito                                                 está preparado

      do cordão umbilical                              para viver por si,

      que liga o feto                                         a própria natureza

      à sua mãe,                                               o expulsar do aconchego

      e através do qual                                    do útero materno

      a seiva da vida,                                       ele chora assustado,

      durante nove meses                              mais de nada adianta:

      lhe é transmitida.                                  o cordão é cortado…

 

 

III E pela vida a fora                               VI Descobri esse cordão

      muito se fala                                           ouvindo a mãe velhinha

      no tal cordão                                          dizer à filha adulta

      que, segundo parece,                             que se exauria

      aqui e ali,                                                 no cuidado da casa:

                                                                 

      no dizer de muitos                                Estás tão magrinha!

      – ou de verdade, até,                              Nem seios tens, filhinha!

      não foi cortado, não!

 

IV  O que muitos ignoram                   VII Também ouvindo a outra

      é que há, oculto,                                    como sonâmbula

      um segundo cordão.                             dizer:

      Quando o primeiro se corta,               Não durmo direito…

      não é mais necessário,                          Penso na filha

      o segundo toma vulto.                          que não está, feliz;

      É um cordão invisível                           que tem um lar

      que parte do coração.                            prestes a desmoronar…

                                                              

V   Ele prende mais a mãe                  VIII E a que me pediu,                         

      do que o filho.                                        As lágrimas caindo!

      Mesmo a mais sensata                         – Por favor,

      aquele que acata                                    ajude-me a orar!

      o direito que o filho tem                      Meu filho é moço feito

      de ser ele mesmo,                                  mas está viciado

      de ser na vida alguém…                        Não dá para agüentar!

 

Descobri também,                                       

Entre feliz e assustada,

Que esse cordão

Às vezes envolve

Com tanta força

Que não sei me alegra

Ou se me deixa machucada!

Então fiquei pensando:

Esse cordão não se corta!

Ele é mais forte

que a vida e que a morte!

Ele vence o mundo

e desafia o inferno!

Ele não perece

Porque é eterno!

E tem um nome:

AMOR MATERNO!


 

OS JOVENS NÃO DEVEM MORRER

 

            “Naquele tempo, que resultados colhestes? Somente as coisas de que agora vos envergonhais; porque o fim delas é morte (Romanos 6:21).

 

            No dia 22 de maio de 1974, na clínica de uma das favelas, do Rio, nascia uma criança saudável a quem o Dr. CARLOS, médico assistente, chamou carinhosamente de “Brasileirinho”, associando o seu nascimento à proximidade da comemoração da Descoberta do Brasil. Os pais do garoto adotaram o apelido, pelo que ele passou a ser conhecido.

            A mãe, trabalhando duro como faxineira durante o dia e à noite numa birosca, ajudava no sustento da família que, além do pai, se compunha de mais três filhos. E, segundo a sua versão, teve que se separar do marido porque ele bebia muito.

            Talvez, em razão da mãe trabalhar fora, após a separação, o “Brasileirinho” passou a morar com o pai até aos doze anos, quando este morreu.

            Nessa idade, porém, a criança inocente e saudável, que fora carinhosamente “batizado” pelo Dr, Carlos, já não era o mesma.

Iniciara-se no mundo do crime, já não vivia praticamente em casa, envolvera-se com o tráfico de drogas e, dois anos depois da morte do pai, com apenas catorze anos de idade, foi morto numa “batida” policial, como também outros companheiros igualmente jovens (dezenove, vinte, vinte e um, trinta e quatro anos e até uma menina de catorze anos).

            A história desse adolescente é a de todos os outros que, na favela ou na cidade, enveredavam pelo caminho de miséria e de engano do crime.

            Lendo os jornais, um dia depois de mais um destes cercos policiais, decididos a pôr termo ao tráfico de drogas, comove acompanhar angústia de mães e pais, como da D, Carl inda, mãe do “Brasileirinho”, ou do seu José, pai do Erick, que entre lágrimas de desespero afirmava: “Às vezes um pai tenta fazer tudo e não consegue”. E até mesmo uma mãe crente – D. Antônia – que, orando, lamentava o desvio do filho, José, para o “caminho da perdição”, onde veio encontrar a morte.

            E não é só aqui no Rio nem apenas no mundo do crime que se deparam estas situações tristes. Viajando pelo Brasil a fora, falando nas Igrejas, em grupos de mulheres aqui e ali, tenho sido solicitada a orar ou simplesmente a compartilhar

Dramas de mães e familiares de jovens nas mais diversas e desagradáveis situações. Jovens que, por fraqueza, desajustes na família, insinuações de falsos amigos, necessidade de auto-afirmação, enveredavam-se pelo caminho das drogas, ou bebida ou de outras coisas estranhas.

            O “caminho sem fim” dos tóxicos não é tudo, infelizmente, o que mina a juventude de nosso tempo. Dentre outras coisas impera uma frouxidão moral com focos de progresso, com certo toque de “Radical Chique”, que assusta, pois, além do mais, nos alerta no sentido de que, até nações outrora em posição invejável, encontraram aí o começo do seu fim.

            É uma pena ver meninos que se prostituem como se ao fazê-lo fosse algo de avançado ou moderninho, sem se lembrarem de que as conquistas fáceis tendem a enojar.

            É o que lemos a respeito de Amnon e Tamar em II Samuel 13:15 “Amnon sentiu por ela grande aversão, e maior era a aversão que sentiu por ela que o amor que lhe votara. Disse-lhe Amnon: Levanta-te, vai-te embora”

            Revolta constatar o que a televisão, em horário nobre, de preferência através das novelas, em situações vividas por seus personagens, tem feito no sentido de manipular as mentes jovens. Inclusive apresentando propaganda escancarada de homossexualismo e sexo livre. Daí a necessidade com que jovens comentam as “transas” como coisa que faz parte da vida diária, lamentando apenas a AIDS, que veio limitar os seus prazeres!

            E, às vezes, a gente tem de “engolir” até uma mulher velha, animadora de programa da TV, que, falando a um auditório repleto acerca do perigo da AIDS, sem nenhum respeito ola gravidez do assunto, a única coisa que tem a recomendar, às gargalhadas, é que não deixem de usar a camisinha!

            Os meios de comunicação insistem em escancarar diante de todos, inclusive crianças e adolescentes, tudo o que há de negativo pelo mundo a fora.

É o quadro real da vida, afirmam. Mas, não acontecerá, por acaso, alguma coisa bela e nobre, digna de ser mostrada, ainda que a título de estímulo?!

Ao lado de pais que falham não haverá os que acertam ou pelo menos tentam fazê-lo? Não haverá heróis anônimos por aí, dignos de serem revelados? Mas isso não dá IBOPE!

            Pensando nessa multidão que ao nosso redor está morrendo, em “batidas” policiais ou sob o efeito das drogas, ou ainda morrendo em seu ânimo, em sua inocência, em sua beleza morrendo, talvez, tanto como se fosse em uma guerra de verdade, lembro as palavras de Paulo, escrevendo aos Romanos (6:16): “Não sabeis que daquele a quem vos ofereceis para obediência, desse mesmo a quem obedeceis sois servos, seja do pecado para a morte, ou da obediência para a justiça?”

            E comemorando o efeito da escravidão do pecado, ele diz no verso 21 do capítulo 6, acima citado: “Naquele tempo, que resultado colhestes? Somente as coisas de que agora vos envergonhais, porque o fim delas é a morte.

            Além de tudo, é a morte da capacidade de revelarmos toda a poten- cialidade de que Deus nos dotou.

            Mas Paulo conclui (versículos 22-23): “Agora, porém, libertados do pecado, transformados em servos de Deus, tendes o vosso fruto para a santificação, e por fim a vida eterna, porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor”

            João, em sua primeira epístola, capítulo 2, versículo 14, diz: “…jovens, eu vos escrevi porque sois fortes, e a palavra de Deus permanece em vós,  e tendes vencido o maligno”.

            Estaria ele escrevendo a um punhado de jovens privilegiados, de seu conhecimento, ou seria a sua palavra um desafio aos jovens, de modo geral, uma proposta de vida?

            “Jovens fortes”, em cujo coração permanece a Palavra de Deus, vencedores do maligno em quaisquer que sejam as suas armadilhas; jovens com domínio próprio, que sabem o que querem, que têm um ideal digno de ser exposto ao mundo, que têm garra para perseguir este ideal até o fim, que são capazes de acreditar em si mesmos, de enfrentar as adversidades sem lamentar, sem atribuir seus possíveis fracassos à educação que receberam, aos pais que tiveram, aos amigos que falharam, à sociedade injusta, – é destes que o país precisa para sair do caos em que se encontra; é a estes que o Senhor convoca para realizar a obra que nem a anjos confiou, mas a homens fortes, revestidos de Seu poder !

            Os jovens não devem morrer, mas precisam viver para nos substituírem com muita vantagem, a nós que vamos passando, pois a ciência e a tecnologia lhes oferecem hoje muito mais do que tivemos. Sim, os jovens não devem morrer!

 


 

REMÉDIO DIVINO

 

            O problema é antigo como a própria humanidade. Para este, muitas soluções novas se têm estudado.

            É uma doença que tem sido tratada de muitas maneiras e com os mais diversos remédios. Alguns com a cortisona e outros similares que, segundo os entendidos, podem ser armas de dois gumes.

            Usando e abusando do relativo livre-arbítrio que o Senhor lhe concedeu, a humanidade se tem atirado avidamente – e de modo especial os jovens – às experiências mais ousadas e extravagantes, buscando uma saída ou, quem sabe, até mesmo uma compensação para a frustração de uma resposta sempre negativa.

            Se olharmos o problema em seu aspecto global, temos de encarar as guerras, os tratados fracassados, o medo  entre as nações, a desigualdade gritante, alimentada, gerando descontentamentos, criminalidades, delinqüência juvenil.

            Se particularizarmos, focalizando a família, ali estão os divórcios em massa, vozes que se erguem cada vez mais, gritando por seus direitos, muitas vezes sem desejarem ao menos tomar conhecimento de uma coisa que se chama dever.

Divergências seríssimas entre pais e filhos, que não conseguem se entender. Frustrações, descontentamentos íntimos, tragédias…

            Tão antigo quanto à doença é o remédio providenciado por Deus. Mas a receita tem estado esquecida dentro de antigas e amareladas páginas. Poucos têm acertado com ela: apenas os que são suficientemente humildes para aceitar que, embora antiga, ela é infalível, muito melhor que a sua própria solução.

            Gostaria de convidar os que são ainda capazes de reconhecer que a minha e a sua solução – por mais erudito ou bem dotado que você, porventura, seja, – são simples remendos.

Estes, que venham comigo, sem idéias preconcebidas, para uma visita à antiga “Biblioteca”, a fim de fazermos uma pesquisa.

            Não será difícil descobrirmos, numa busca desapaixonada através da Sagrada Biblioteca, uma palavra imperativa, que clama, incentiva, indica o caminho a seguir rumo ao antídoto para o veneno, ou ao remédio para o mal que chicoteia a humanidade.

– “Amarás…”

– “Amarás…”

  Amarás…”

  A quem?

-“…O Senhor teu Deus”…”o teu próximo”… ”…os vossos inimigos…”

  Como? Em que medida?

– “…de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento…” e ”…o teu próximo como a ti mesmo…”

AMARÁS…

“Amarás, porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”

(João 3:16).

“Nós amamos porque Ele nos amou primeiro. Se alguém disser: Amo a Deus,e odiar o seu irmão, é mentiroso, pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê (I João 4:19-20).

“O amor não pratica o mal contra o próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor” (Romanos 13:10).

Se houver amor no lar, haverá desejo de servir, capacidade de renunciar. Haverá perdão. Lembrança de que os deveres existem ao lado dos direitos.

Todos falarão a mesma língua. Não haverá necessidade de divórcios…

 O amor reparte seu farnel, oferece a sua capa e o seu cobertor, pensa os ferimentos, lava as chagas, anda a segunda milha…

            “Quando segares a messe da tua terra, o canto do teu campo não segarás totalmente, nem as espigas caídas…”Não rebuscarás a tua vinha; nem colherás os bagos caídos da tua vinha: deixá-los- á ao pobre e ao estrangeiro” (Levítico 19:9-10).

            Isso faz parte da “receita”.

            Pena que ela figure apenas entre páginas quase esquecidas e não nos códigos das nações, nos umbrais das nossas casas e nas paredes vivas dos corações!

            O que tens feito para torná-la conhecida?

            Não diga que é muito fraca a minha ou a sua voz para clamarmos nesta hora aos que “correndo passam”.

            A ordem do Senhor é entregar a mensagem. Se todos nós conscientizarmos disso, preocupados, não com o mundo inteiro, mas com os que passam pelo nosso caminho; se olharmos cada dia e a cada momento ao nosso redor, primeiro para vivermos a mensagem, depois para a transmitirmos, o mundo tomará conhecimento do Remédio Divino, do recado do Amor que firmes fomos incumbidos de entregar!

 


 

LENDO A PALAVRA

 

…Qual é p principal de todos os mandamentos? Respondeu Jesus; o principal é: …o Senhor nosso Deus é o único Senhor!

Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força.

           

O Segundo é: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Marcos 12:28-31)

 

Era como se Ele estivesse

ao meu lado e me dissesse:

– Tu vives num mundo corrompido

onde escasseiam os nobres ideais.

Onde os homens se odeiam e se matam.

Onde fazem a guerra sem saber por que.

E nem os filhos confiam em seus pais.

  E há quem ache até muito natural.

que, se um homem pela vida foi lesado,

se carece de recursos ou bens materiais,

vista a pele de um louco marginal

e invista contra aquele que tem mais!

 

– Os que te cercam só falam em direitos,

Gritam tanto e argumentam tão bem

que a tua voz, medrosa, morre na garganta

quando tentas, timidamente, perguntar:

– Mas, não existem deveres também?!

 

– É preciso estar sempre atento

pra numa “ilha” não seres transformado.

Também pra que, vivendo entre estranhos,

não assimilar erros tamanhos,

nem sejas do teu alvo desviado.

 

– A tua meta é um ideal de Amor

que eu ensinei mas que também vivi.

Amor capaz de consertar o mundo,

deter as guerras, esgotar a ira;

e colocar os outros acima de ti!

 

– E não só por atos ou palavras

que se revela ter do Amor a direção.

É preciso o interior esvaziado

do fel do ódio, que vem disfarçado.

E uma vida de novo renascida,

para amar de todo o coração!


 

VÓS NÃO QUISESTES!” 

                                             (Isaías 30:15-19).

 

            Soa com um toque de nostalgia, até mesmo um leve tom de tristeza, a

Palavra de Deus através do profeta Isaías (texto citado, versículo 15) quando diz:

“Em vos converterdes e em negares, está a vossa salvação; na tranqüilidade e na confiança a vossa força, mas não o quisestes”.

            A conversão leva o coração a sossegar na presença do Deus revelado, então a palavra de ordem é estar tranqüilo e confiante no Senhor que cuida até dos passarinhos e das flores, como disse Jesus no Sermão do Monte, – desde que o desejemos.

            “…Mas não o quisestes”, lamenta o Senhor. E o texto prossegue dizendo que o povo preferiu providenciar, ele próprio, o seu escape sobre “cavalos ligeiros”, que não foram capazes de ajudá-lo !

            A mesma idéia encontramos no Salmo 81: “…Ó Israel, se em escutasses!…Mas o meu povo não me quer escutar, a voz e Israel não me atendeu…Eu de pronto lhe abateria o inimigo… Eu o sustentaria com o trigo mais fino e o saciaria com o mel que escorre da rocha”.

            No Evangelho de Mateus (23:27) a palavra de Jesus tem sentido idêntico: “Jerusalém, Jerusalém!…quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes!”

            É como o pai amoroso que sonha com a prosperidade do filho, faz tudo para vê-lo aprumado e feliz, e de repente o vê rejeitando orgulhosamente tudo, até o carinho e amor que, de graça, lhe são oferecidos!

            O Pai da parábola do “Filho Pródigo”, contada por Jesus, nada fez desde o momento em que o filho decidiu escolher o seu próprio rumo, sem maturidade, embora, para fazê-lo. Mas houve um dia em que ele “caindo em si”, tendo aprendido duramente com a própria experiência, sentiu saudades de casa e

Resolveu voltar. Aí, sim, aquele Pai que não cansara de esperá-lo correu a recebê-lo, presenteando-o e promovendo festa por sua volta, demonstrando a sua alegria.

            Ainda no, livro de Oséias, o Senhor nos mostra como trata com filhos adultos que se rebelam. Ele diz (Oséias 4:17): “Efraim está entregue aos ídolos; é deixá-lo”. E no versículo 19 mostra as conseqüências da escolha feita pelo filho: “O vento os envolvia nas suas asas; e envergonhar-se- ao por causa dos seus sacrifícios”.

            Em todos os textos que citamos está implícita a idéia de que Deus não nos trata como a fantoches, mas como gente capaz de raciocinar e decidir. Como faria o pai de bom senso: não é simplesmente entregar o prato feito, mas o que lemos é que quase a súplica para um andar ombro a ombro, num relacionamento gostoso de adultos que se entendem.                            

“Vós não quisestes”…

            A orientação do Senhor, diante das encruzilhadas da vida, do sofrimento, da carga pesada, é confiar no companheiro da jornada, escolher andar ao seu lado, agindo como se tudo dependesse de nós mas descansando como se tudo dependesse dEle.

            Ele nos sustentará com o “trigo mais fino” e com o “mel que escorre da rocha” – se o quisermos!

           


“…PORQUE TU ESTÁS COMIGO…”

                                                           (Salmo 23:4)

 

            “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal  

nenhum, porque Tu estás comigo”

 

         I     Porque Tu estás comigo,       IV  Madrugada, na Galiléia

               porque és o meu Pastor,             pescadores junto ao mar,

               de nada eu terei falta                   frustrados, famintos, com frio,

               seja abrigo, pão, amor…               um Estranho viram chegar.

        

         II   De manhã, lá no jardim,       V   Logo suas redes se encheram,

               Tu falaste com Maria.                  Seus olhos foram abertos.

               E soando a Tua voz.                      Agora não mais duvidavam;

               O pranto virou alegria!                da vitória estavam certos.

 

         III  À tardinha, em Emaús,         VI  E como se não bastasse,

               corações entristecidos,                ao chegarem na areia

               ao calor dessa Promessa             havia peixes na brasa

               Sentiram-se aquecidos.               Calor e pães à mancheia!      

 

                                             VII   Seja tarde, manhã ou noite,

                                                      com adversário ou amigo,

                                                      mesmo no vale da morte –

                                                      Jesus! Que estejas comigo!

 


 

JESUS, O JUGO E O LAR

                                                               (Mateus 11:20—30; Colossenses 3:18-21)

 

            O lar foi o primeiro palco da tentação. Não foi num campo de batalha que o inimigo se manifestou pela primeira vez ao homem, mas na tranqüilidade da vida em família (Gênesis 3:1).

            Sagaz como é, ele estava certo de que teria poucas possibilidades de vitória, para o futuro, tratando com pessoas que vivessem em lares ajustados e cheios da presença de Deus.

            Numa oportunidade em que pôde tratar com a mulher só (mais fácil de

derrubar um que os dois juntos), ele conseguiu o seu intento, levando-a a duvidar da Palavra de Deus e a desobedecer-Lhe. E estava aberta a porta para um rosário de problemas na família.

            Nossa geração não se exclui desses problemas. Pelo contrário, eles se agravam cada vez mais. Bastaria mencionar: o descrédito do casamento, a liberdade excessiva de cada um dos cônjuges que, com honrosas exceções, querem a satisfação plena do seu EU, permitindo-se, tantas vezes, o direito de buscar, em novas e sucessivas experiências, o que porventura, não tinham encontrado na primeira, sem um esforço autêntico para corrigir os erros cometidos; filhos que partem à busca de uma realização – o que é louvável – mas tantas vezes sem tentar (ou sem conseguir?) um diálogo com os pais que, aos seus olhos (ou em realidade?) “são quadrados”…

            A velha Bíblia, sempre rica em soluções novas, abre-se diante de nós, diagnosticando a doença e indicando remédios, num convite a um “meia-volta-volver”, visando à restauração do enfraquecido lar do século XX. É o que pretendemos examinar neste estudo.

            Verificando com cuidado os problemas que afligem os lares, descobrimos que a maioria deles tem sua origem no egoísmo, ou no egocentrismo, a despeito de todos os diferentes nomes ou capas coloridas que lhes queiram dar. Infidelidade, Machismo, Feminismo, Abandono de responsabilidades. E, quantos males, mais, são gerados pelo EU de rédeas soltas!

            O EU exaltado, separa, divide!

            Em seu livro “Realidade e Religião”, o famoso místico indiano SADU SUNDAR SINGH, afirma: “Se todos resolvessem abandonar seu egoísmo, todas as dissenções do mundo cessariam e a terra seria um paraíso. Todos os pecados se originam no egoísmo. Esta é a razão por que nosso Senhor nos manda que nos neguemos a nós mesmos e o sigamos.

            E as soluções? Uma delas, de acordo com a Palavra de Deus, seria a vitória do altruísmo.

            No texto citado (de Colossenses 3:18-21), temos um quadro que, se em examinado, nos leva a conclusões interessantes.

            A orientação é para cada um se voltar para seu próximo.

           Vejamos:

            “ Esposas, sede submissas aos próprios maridos…”

           “ Maridos, amai a vossas esposas…”

           “Filhos, obedeceis a vossos pais…”

           “Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados…”

     Esta orientação se repete em Efésios 5:22-23; 6:1-4 e I Pedro 3:1-7.

            Na prática, descobrimos que, agindo assim, acabamos recebendo de volta

Aquilo de que abrimos mão. Podemos imaginar o lar onde a esposa seja inteligentemente submissa ao marido, dando-lhe o lugar de líder; o marido ame a esposa “Como Cristo amou a Sua Igreja e a Si mesmo se entregou por ela”?; os filhos obedeçam aos pais e estes não abusem de sua autoridade ao ponto de irritá-los, ou desanimá-los!

            Alguém pode dizer: “Não é fácil”. É verdade. É um juízo sob o qual nos disporíamos a entrar. Mas Jesus, em cuja palavra encontramos a lei do altruísmo, disse que somente tomando o Seu jugo encontraríamos descanso para as nossas almas (Mateus 11:29).

            Que é um jugo? É uma canga que é colocada sobre os pescoços dos bois e atrelada ao carro que eles devem conduzir. Algo assim:

DESENHO

A origem da palavra “cônjuge” sugere alguém sob o mesmo jugo. Aplicando o que aprendemos em Colossenses 3:18-19, no que diz respeito a marido e a mulher, teríamos o jugo assim:

            Para o marido, o jugo é o dever de amar, para a mulher, de ser submissa.

Na carta aos Efésios (5:24-25), verificamos que Paulo estabeleceu um paralelo entre a união do casal, e a união de Cristo e Sua Igreja. Ele diz: “Como…a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam submissas aos seus maridos.

“Maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a Igreja, e a Si mesmo se entregou por ela”.

            Existe, pois, jugo, igual, que Jesus tomou por Sua Igreja, mas ao mesmo tempo, convida a Igreja para ir com Ele, do outro lado, quando diz: “Tomai sobre vós o meu jugo…” (Mateus 11:29).

            A parte do Senhor (como a do homem) é o amor, ou dever de amar, a da Igreja (como a da mulher) é a submissão. Figuraríamos assim:

            Este é o modelo para a vida no lar. Um jugo feito de altruísmo, cada qual preocupado com o outro, ao invés de buscar honras e privilégios apenas para si.

Um padrão que funciona igualmente bem no relacionamento de pais e filhos, operários e patrões, sogros e genros, sogras e noras.

            O ideal é que as duas partes estejam de acordo com este esquema, mas esta não é a condição “sine qua non” para ele funcione.

            O fazendeiro, quando coloca o boi manso sob o mesmo jugo com o bravo, sabe que pela paciência e perseverança do primeiro, o segundo acaba aprendendo a sua parte, e então, ambos juntos conduzirão, sem, problemas o caro…

            Assim acontece ao casal quando aceita Jesus e se dispõe a ser o “boi manso…” Certamente colherá o seu fruto, a seu tempo pela perseverança e obediência ao Senhor.

            Meditando sobre o convite de Jesus para buscarmos descanso debaixo de um juízo – o Seu jugo – achei isto um pouco estranho. Mas não tardou em me vir a explicação: se o juízo é para dois, e Ele me convida para estar sob o Seu juízo

É para dois, e Ele me convida para estar sob o Seu jugo, é que Ele está, figuradamente, do outro lado. E, sendo o mais forte, leva todo o peso por mim!

Na verdade, o Seu propósito é manter-me permanentemente jungido a Ele, para meu aprendizado, segurança e deleite.

            “Encontramos descanso para as vossas almas…”

            Não na rebelião, na infidelidade, no egoísmo, mas no cumprimento da lei do Senhor.

            Para concluir, um lembrete: não confie apenas em suas forças ou bons propósitos. Sua vontade é o indispensável “arranque”, mas o “combustível” diário você encontra na oração, atendendo ao convite do Senhor!

            “Vinde a mim…e achareis descanso…” Amém.

 


 

NINHO DESFEITO

 

A tempestade derruba o ninho,

os ovinhos se espalharam pelo chão.

 

Eu vi uma ave tonta

batendo as asas ao redor da árvore…

 

Quis recompor aquele quadro,

mas não foi possível:

os ovinhos estavam danificados

e o ninho não mais se firmava

no galho de onde caíra!

 

Os meus olhos ficaram úmidos,

Porque achei muito triste

Ver um ninho desfeito…

 


 

A MOÇA LAURA

 

(Para o meu irmão Valdívio e minha cunhada Laura, nas suas Bodas de Diamante – 60 anos de casados)

 

 “Mulher virtuosa, a quem achará?

 O seu valor muito excede ao de finas jóias…”

  “… Como o navio mercante, de longe traz a seu patrão…”

  “… Atende ao bom andamento da sua casa e não consome o pão da preguiça”

 (Provérbios 31:10,14,27).

 

– Faz tempo. Os idos de vinte e cinco.         Quanto fermento não havia

quando o namoro começou,                        que se pudesse comprar,

alguém de minha família                              com o padeiro na padaria,

contigo se preocupou.                                    uma “amostra” arranjou,

                                                                           e com muita sabedoria

– Quem é essa moça Laura?                         na gamelinha o secou.                  

– Quais são os costumes seus?                

– Será que,pra o nosso filho,                         E semana após semana                  

é a mulher ideal,                                             pondo água na gamela,

o que pedimos a Deus?!                                um novo pão preparava

                                                                           e a todos alimentava

Olhando pra trás, nesse dia,                         com a habilidade dela!

sessenta anos atrasados,

vendo filhos, netos e bisnetos,                     E semana após semana

tanta festa e alegria,                                       pondo água na gamela,

responde ao que foi perguntado.                 um novo pão preparava

                                                                           e a todos alimentava

A moça Laura, que escolhi,                          com a habilidade dela!

é a mulher diligente

que em casa, depois, eu vi                             Como a fé, que é dom de Deus,

preparando para a família                             mas precisa ser trabalhada,

gostoso pãozinho quente!                             O fermento sempre rendeu!

                                                                           e pão de vários sabores

                                                                           ela, a todos, nos ofereceu!

                                                 

Não foi o “pão da preguiça”

mas de amor e alegria,

que a nossa casa encantou

e aqueceu a “noite fria”

do que por ela passou!

 

“Mulher virtuosa” que é,          

à vida empresta sabor

“quebrando todos os galhos”

e sendo força na dor.

 

E respondo aos que me perguntam,

À família e a todo este povo

Que festeja aqui nossas bodas:

– Eu, hoje, te amo ainda mais

e te escolheria de novo! 


 

O CASAL

 

            Na perspectiva de Deus

          À Luz da História Bíblica

          À Luz da Fé

 

            Na criação, “viu Deus que a luz era boa”. Separou a terra das águas e viu “que isso era bom”. Viu, também, que “era bom” a terra produzir relva, ervas e frutos, que os luzeiros colocados no firmamento alumiassem a terra e fizessem diferença entre o dia e a noite; e os seres viventes se multiplicassem nos mares, na terra e nos ares.

            Concluída a Sua obra, “viu Deus tudo quanto fizera e eis que era muito bom” (Gênesis 1:31).

            Criou, depois, o homem, colocou-o num paraíso onde havia rios, flores, frutos, ouro e pedras preciosas. E somente aí disse: “Não é bom” que o homem esteja só: far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea (Gênesis 2:18).

            Vemos, portanto, o casal no plano de Deus, que o criou “à sua imagem e semelhança”, para viverem ambos debaixo da Sua bênção, crescendo como família, trabalhando e sendo em sucedidos (1:28; 2:15), contando com alimento saudável e bom (1:29). E marido e mulher unidos como se fossem uma só pessoa “uma só carne” (2:21-24) e até lhes deu um só nome; “lhes chamou pelo nome de Adão” (5:2).

            Oram ambos criados em estado de inocência e pureza (2:15), dotados de livre-arbítrio, e sua liberdade foi limitada apenas pelo preceito de obediência ao Deus que os criou e de respeito à Sua soberania.

            O homem foi feito cooperador de Deus e a mulher, sua auxiliadora, ver (Gênesis 2:18-19).

            Acompanhando a história bíblica, nos deparamos com o episódio, por demais conhecido, do pecado da soberba e da desobediência, que foi o início do desacerto na vida do homem e da mulher.

            Vejamos as lições que daí podemos tirar para a vida do casal.

            Quando a serpente lançou dúvida sobre a Palavra de Deus, Eva inadvertidamente, ao invés de encerrar o assunto, dialogou com ela permitindo que uma brecha se abrisse e o inimigo prevalecesse.

            Logo encontramos a mulher, não como ajudadora, mas tentando assumir a liderança ao marido, induzindo-o à desobediência.

            Numa sessão perfeita de julgamento, ouvindo todas as partes, o Senhor responsabilizou todos os implicados (3:8-19).

Observando este detalhe, ao lermos I Timóteo 2:8-15, temos a impressão de que faltou alguém no banco de réu colocado aí por Paulo… Mas em Romanos 5:12-14 ele já deixou bem claro seu pensamento sobre a responsabilidade de Adão também.

            Uma das conseqüências do primeiro erro da mulher foi a sentença ou previsão de Deus, expressa em Gênesis 3:16b: “O teu desejo será para teu marido, e ele te governará”.

Penso que não era este o plano de Deus, mas o livre arbítrio foi cerceado pelo mau uso que dele foi feito.

            Talvez esta palavra – “ele te governará” – alguém tenha se baseado para que o machismo, que viceja tão bem no homem natural, se desenvolvesse tanto…

            Mas é importante lembrar a obra da redenção: se caiu sobre Jesus a espada da justiça divina que “se resolvia”, para guardar o caminho da árvore da vida (Gênesis 3:24), como diz Isaías (53:6); “o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos”, também a mulher, em Cristo, encontra aberto o caminho de volta a seu posto de “auxiliadora idônea”.

            Um novo erro da mulher, na tentativa de liderar o marido, aparece na história bíblica, com Sarai (Gênesis 16:1-3). É a primeira vez, na linha de fé – descendência de Sete -, que na Bíblia é mencionada a bigamia. E por sugestão da mulher, por impaciência, falta de fé ou de compreensão do plano de Deus. (Antes disso há menção da bigamia na descendência de Caim (Gênesis 4:19).

            E, como no caso de Adão, o homem (Abrão) que tinha a responsabilidade de liderar, ao invés de rejeitar a proposta da mulher, “anuiu ao conselho de Sarai…”

            Nos dois casos – Eva e Sarai observam-se as possibilidades que a mulher tem de influenciar direta ou indiretamente na vida do casal, e sua responsabilidade.

            As conseqüências negativas do erro de Sarai e Abrão, aparecem já no próprio texto: (Gênesis 16:4-14 e 21:8-21), para começar.

Conflitos entre Sarai e “a outra”; sofrimento de Abrão ao ter que se separar do filho (21:11), e como tantos em nossos dias, cujos pais não conseguiram dar um tempo de espera pelo “tempo de Deus”.

            E se atentarmos para os conflitos entre árabes e judeus, veremos que os problemas continuam na descendência de Ismael e Isaque…

            Os textos revelam a paciência de Abrão com Sarai, em meio aos conflitos que mencionamos. Não sabemos se por se darem muito bem ou por sentir-se, em parte, responsável por aquela confusão…

            Mas o que me impressiona sobremodo nessa história é a paciência de Deus. A Sua “vontade permissiva” diante dos erros de Seus filhos nestes problemas familiares.

            Sarai e Abrão deixaram um exemplo negativo neste aspecto, que reaparece em Jacó “concordando” com a decisão de Labão que lhe impôs as duas mulheres em lugar de uma, como era seu propósito (Gênesis 29:28). E o capítulo 30 descerra uma cadeia de ciúmes, desavenças e erros decorrentes disso.

            No tempo de Elcana e Ana – I Livro de Samuel – a bigamia parece que se tornara comum. Não, porém, uma coisa natural, pois os problemas que gerava ainda eram os mesmos. Basta lermos I Samuel 1:6-8.

            O climax desse erro que contrariava o plano de Deus, o encontramos na vida de Salomão (I Reis 11:1-8), que chegou a ter “setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe perverteram o coração (versículo 3).

            Como no caso de Sarai e Abrão, acompanhamos a paciência e a tolerância de Deus para com outros servos do passado, na deturpação que fizeram do Seu plano para a família. Assim é que encontramos gente aceita e abençoada por Ele, a despeito de ter situação familiar mais ou menos fora de Seus padrões. É o caso de Ester, que em condições especiais uniu-se a um rei que repudiara sua esposa; assim mesmo foi aceita e usada por Deus. Batseba, casada com Davi, que possuía outra (ou outras esposas) e que veio a figurar na genealogia de Jesus (Mateus 1:16).

            Isto, creio, se deve ao Seu grande amor, ao seu desejo expresso de que saiamos de nossos erros, como diz o Salmo 81:8 “Ouve, povo meu, quero exortar-te. Ó Israel, se me escutasses!”

            Entretanto, não encontramos na Bíblia a aprovação  de Deus a estas situações. Disse Jesus: “O Criador desde o  princípio os fez homem e mulher… Por esta causa deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne”.

“E o que Deus ajuntou, não o separe o homem” (Mateus 19:3-9). E quando lhe disseram que Moisés mandou “dar carta de divórcio e repudiar”, Jesus corrigiu: “Por causa da dureza de vossos corações é que Moisés vos permitiu…entretanto não foi assim desde o princípio”.

            Com relação ao divórcio, quando comparamos o que diz a Palavra de Deus com o que ocorre em nossos dias, não conseguimos conciliar as coisas.

            Da palavra de Jesus deduzimos que o divórcio foi permitido como remédio para situações excepcionais.

            E não para ser generalizado, servindo mais à concupiscência da carne ou à falta de perseverança na busca de soluções, ou conserto. Muito menos para satisfazer aos caprichos de tantos.

            Lamentável é que o povo de Deus tenha a tendência de olhar sempre ao seu redor e imitar o que vê pelo mundo, ao invés de olhar para cima, procurando discernir a vontade de Deus, e buscando Sua ajuda.

            Reconhecemos que há casos em que o “remédio” é necessário e conhecemos alguns deles.

            Em Deuteronômio 24:1, Moisés fala do homem “acha coisa indecente” na mulher que desposou e subentende-se que, neste caso, ele permite o divórcio.

Jesus esclarece o assunto em Mateus 5:31-32 falando sobre “relações sexuais ilícitas”, quando o divórcio é permitido. E Paulo, em I Coríntios 7:10-16, fala sobre o caso de irmãos que têm cônjuges incrédulos e que estes queiram romper os laços do casamento. Nestes casos, diz Paulo, “que se aparte”. E que “não fique sujeito à servidão nem o irmão nem a irmã”. Há os que interpretam o “não ficar sujeito” como uma permissão para novo casamento.

            Não me sinto com autoridade para tirar conclusões ou fazer afirmativas sobre o assunto. Sei que cada caso tem que ser analisado separadamente, buscando-se, com humildade e sem precipitação, a luz do Senhor.

            Quanto mais o homem natural alarga o crivo de aceitação das coisas erradas que ele mesmo inventou, contrariando a vontade de Deus, mais raros se tornam os reajustes, os consertos, o domínio próprio, a disposição de perseverar na busca da reconciliação.

            E com maior facilidade e inconsequência ele parte para casamentos arranjados às pressas, impensadamente, sabendo que, se não der certo, pode começar tudo de novo.

            O que a Palavra nos ensina em seu contexto é a lutar “contra a correnteza”, pela fé, sabendo que o Senhor não desaponta os que Lhe procuram ser fiéis.

            Nossa conclusão prática:

a) Para enfrentar a corrente de desacertos e insegurança que assola os lares e tem causas múltiplas, principalmente o desconhecimento ou olvido da Palavra de Deus, há um tratamento muito preventivo, que deve ser feito. A orientação e preparo dos jovens, maior sabedoria e dependência de Deus na escolha. Assistência aos jovens e aos casais, pela Igreja.

b) Estudo sistemático da Palavra de Deus no que diz respeito ao Seu plano e aos recursos que oferece, como oração, altruísmo, renúncia, humildade, perdão, domínio próprio, busca de poder do alto e amor.

c) Quanto aos que chegam a nós enredados em erros e problemas como os que analisamos, vamos recebê-los com amor, sem dedo em riste, na expectativa de que o próprio Espírito os esclareça e os encaminhe a uma solução que, na maioria das vezes, escapa ao nosso próprio entendimento.


 

“DIGO-VOS, PORÉM…”

                                                                                     (Lucas 6:27-38)

 

“Até os pecadores amam aos que os amam” (versículo 32).

“Amai, porém, os vossos inimigos…” (versículo 35)

            A diferença está no “porém”.

 

            “Porém” que aparece dez vezes no registro do Sermão do Monte, no Evangelho de Mates (edição revista e atualizada, capítulos 5 e 6).

            “Porém” que indica o padrão alto e perfeito de Jesus.

            É como se Ele dissesse: “Se você quiser viver no plano comum, ou seja, o dos “pecadores”, faça apenas o que eles fazem, e que é mais fácil: ame aos que o amam. Se acha, porém, que dá para aspirar a algo mais elevado, aceite o meu padrão, suba um pouco mais, e perceberá a diferença!

            A vivência contínua e estreita em família, em comunidade, em sociedade, inevitavelmente nos leva a descobrirmos mais facilmente defeitos e falhas daqueles com os quais convivemos, assim como lhes revela nossas próprias fraquezas.

            Conhecendo-nos mais de perto, nos atritamos mais.

            Gosto de lembrar a figura da roseira florida: à distância percebemos com facilidade as rosas; mas é quando nos aproximamos para colhê-las que nos defrontamos com os espinhos…..

            Graças a Deus que há, também, o outro lado: certa vez, quando acabara de usar esta ilustração, alguém lembrou que “se a aproximação da roseira nos põe em contato com os espinhos, tem a vantagem de nos fazer sentir com toda a intensidade o perfume de sujas rosas…”

            Se o “porém” de Jesus não estiver presente em nossas mentes e nossos corações, dispondo-nos a pedir perdão, não será sadia a nossa vida em família ou em comunidade.

            Muitas são as “ofensas” que nos desafiam constantemente. Algumas que poderíamos chamar de imaginárias, que afloram quando há alguém “prevenido”. Estas, na maioria das vezes, são resolvidas com um simples diálogo.

            As que se classificam de reais, podem ser menores ou mais doloridas, como é o caso daquela citada pelo salmista (Salmo 55:12-13): “Com efeito, não é inimigo que me afronta: se o fosse, eu suportaria; nem é o que odeia quem se exalta contra mim: pois dele eu me esconderia; mas és tu, homem meu igual, meu companheiro, e meu íntimo amigo…”

            Se temos suficiente humildade para deixar que o Espírito Santo nos advirta quando somos os responsáveis por determinada situação desagradável que se criou, conhecemos o caminho de volta.

            É Jesus que o ensina: “Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão, e então, voltando, faze a tua oferta” (Mateus 5:23,24).

            Nem sempre encontramos na pessoa ofendida a disposição de nos perdoar.

Mas é Paulo quem nos orienta a esse respeito, em Romanos 12:18 “Se possível, quanto depender de vós, tendes paz com todos os homens”. “Quanto depender de vós”. Se reconheço o meu erro, peço perdão e o outro mo nega, o problema é dele, agora

            E se somos (ou nos julgamos…) a “vítima?” Qual a atitude a ser tomada? “Para os que não provaram o amor de Deus, o que convém é lavar a honra…” O que a Bíblia nos ensina sobre a vingança?

            Paulo cita (em Romanos 12:19-20) a ordenança de Deus exposta em Deuteronômio 32:35: “A mim me pertence a vingança: eu retribuirei, diz o Senhor”. Em Levítico 19:18, está escrito: “Não te vingarás nem guardarás ira contra os filhos do teu povo”.

            LARRY COY diz sobre isto: “A Bíblia ensina a transferir para Deus a responsabilidade de lidar com o ofensor”.

            Por quê? Somente Ele é sábio e justo o suficiente para não cometer erros. É preciso cuidado, porém, com essa “transferência”: às vezes ouvimos alguém dizer: “Eu não vou fazer nada contra fulano, mas vou entregá-lo nas mãos de Deus…Aí, ele vai ver!”

            Neste caso está expresso o desejo de vingança…

            Antes, devemos fazer a transferência com intercessão, pois o autor da Carta aos Hebreus, depois de citar o texto que comentamos, de Deuteronômio 32:35ª, exclama: “Horrível coisa é cair nas mãos di Deus vivo” (Hebreus 10:31).

            DAVID AUGSBURGER, em seu livro “Livres para Perdoar 70 x 7”, cita um provérbio antigo que diz: “Ultrajando teu inimigo, estás abaixo dele; vingando-te, estás no mesmo nível; perdoando-o, estás acima dele”.

            Perdoar é o ensino de Jesus.

            O final do versículo 37 (de Lucas 6, texto citado acima) – “perdoais e sereis perdoados” – como que condiciona o perdão que desejamos receber de Deus. A mesma idéia encontramos na parábola do credor incompassivo (de Mateus 18:21-35).

O servo, que devia ao Rei dez mil talentos (sessenta milhões de denários) e tendo sua dívida perdoada por não poder pagá-la, assim mesmo lançou na prisão o seu conservo que não podia pagar-lhe cem denários!  Por isso deu-lhe, o Rei, o mesmo tratamento!

            Esta parábola nos ensina pelo menos duas verdades básicas:

a) Maior é a minha dívida para com Deus – o Rei – (sessenta milhões de denários) que a dívida do meu irmão para comigo (cem denários).

b) Se de graça recebi o perdão do meu Senhor, não posso negar meu perdão ao que me ofendeu. E na resposta de Jesus a Pedro que lhe indagava se (generosamente) devia perdoar sete vezes, Ele dá sua medida de perdão: Não sete, mas setenta vezes sete, ou seja, sempre!

            Quando fazemos a oração do Pai Nosso, devemos ter cuidado com a proporção que colocamos diante de Deus: “…perdoa-nos…assim como…” Não é deixar de fazer a oração (como sugerem alguns), mas consertar as coisas.

            Jesus não só ensinou, mas deu o exemplo de perdão. Basta lermos, entre outros textos: Lucas 23:33-34 e I Pedro 2:21-24.

            Seria interessante examinarmos ainda na Bíblia a prova de pequenos ou grandes atritos que foram consertados e esquecidos, por exemplo: – Paulo e João Marcos: Atos 15:37-40 comparado a II Timóteo 4:11 e Colossenses 4:10.

  Paulo e Pedro: Gálatas 2:11-12 com II Pedro 3:14-15.

   Além do perdão, a Bíblia fala várias vezes sobre a importância de não ser guardada “ira contra o filho do teu povo”. É o tratamento da ferida.

            Perdoar e esquecer a ofensa. Evitar a “raiz de amargura que, brotando, vos perturbe e, por meio dela, muitos sejam contaminados” (Hebreus 12:15). Acertar as coisas. DIALOGAR.

            Indagar sempre, honestamente, se em realidade houve um propósito de ofensa; se eutambém não tive culpa do que aconteceu e me machucou. Identificar os propósitos de Deus para a minha “lapidação”.

E responder como Paulo em II Coríntios 12:7-10: “…Mais me gloriarei nas fraquezas para que sobre mim repouse o poder de Cristo…”

            Pensar nos problemas de cada dia, não deixando acumular. “Não se ponha o sol sobre a nossa ira” (Efésios 4:26).

            Perdoar e esquecer não é covardia: revela domínio próprio, que é fruto do Espírito (Gálatas 5:23), e cuja importância encontramos em Provérbios 16:32 e 25:28.

            E como podemos testemunhar de Cristo pedindo perdão ou perdoando!

Nesta batalha é bom lembrar que não estamos sós: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:13).

SAMUEL DOCTORIAN, pastor armênio, pregando certa vez sobre o perdão, enfrentou a ira de uma mulher que quis quebrar um copo em sua frente para mostrar-lhe que assim estaria o seu coração.

E lhe dizia: “-Ainda que o senhor fosse capaz de ligar todos os pedaços deste copo, duvido que conseguisse tirar-lhe as marcas! Assim acontece comigo!”

Ele disse que contemplando aquela explosão de fúria, orava a Deus pedindo uma resposta, que não tardou: “-Isto é o que muitos tentam fazer, respondeu-lhe, e fracassam. O que aprendemos na escola de Deus é juntar os “cacos” do coração e colocá-los nas mãos do Senhor, e Ele se encarregará de fazer um novo coração!. Experimente fazer isto!”

É verdade: Ele não remenda mas refaz! (Ezequiel 36:26).

Vamos entregar-lhe agora o nosso problema?

 

O MEU ALTAR

 

“Josué edificou um altar ao Senhor…um altar de pedras toscas sobre o qual se não manejara instrumento de ferro; sobre ele ofereceram holocaustos ao Senhor” (Josué 9:30-31).

 

                        Altar de pedras toscas e de terra.

                        O de Noé foi feito nas montanhas de Ararate.

                        O de Jacó, em Luz, e “se chamou

                        El Betel; porque ali Deus se lhe revelou”.

 

                        Abrão ergueu

                        nos carvalhais de Manre o seu,

                        antes de outro mais famoso:

                        o do monte Moriá,

                        onde, por fé, o filho

                        foi oferecido a Deus.

 

                        Josué, no monte Ebal, com pedras toscas;

                        Moisés, no deserto, com madeira e bronze

                        o dos holocaustos e sacrifícios,

                        lembrando culto, entrega total,

                        dedicação, amor.

                        E, com madeira e ouro,

                        o de incenso –

                        figura da oração

                        subindo incessantemente

                        à presença do Senhor.

 

                        O altar do monte Carmelo,

                        que estava em ruínas,

                        Elias, com doze pedras, o restaurou

                        e sobre a oferta e a lenha

                        encharcada de água

                        o Deus de Abraão invocou

                        e o fogo desceu!

 

                        Altar restaurado

                        fruto renovado!

 

                        Na Nova Aliança

                        o altar de pedras

                        foi substituído por uma cruz.

                        Ao invés de um cordeiro,

                        o inocente imolado

                        foi o CORDEIRO- JESUS,

                        o que tira do mundo o pecado.

                        E os sacrifícios de sangue cessaram

                        porque o da cruz foi perfeito.

 

                        Agora o altar é invisível,

                        o sacerdócio, universal,

                        o sacrifício, muito pessoal.

 

                        “Rogo-vos, pois irmãos,

                        pelas misericórdias de Deus

                        que apresenteis os vossos corpos

                        por sacrifico vivo

                        santo e agradável a Deus,

                        que é o vosso culto racional”

 

                        E o coração explode

                        de gozo e alegria:

                     – Senhor, sou mulher, dona de casa,

                        não sou de família sacerdotal.

                        Mas em Jesus eu fui aceita

                        e sacerdotisa fui feita!

 

                        E descubro, Senhor,

                        que também tenho um altar

                        o dos holocaustos,

                        onde o ego é sacrificado;

                        onde o próprio corpo, as energias,

                        a família amada,

                        tudo deve ser colocado;

 

                       – e outro – o de incenso,

                        onde as orações

                        como cheiro suave sobem a Ti

                        e são aceitas por favor imenso!

 

                        E como eu, que sou dona-de-casa,

                        que sou esposa, mãe e avó,

                        há outras muitas, Senhor,

                        cujo altar não está fixo

                        num lugar só.

 

                        O meu altar (como o de Jacó)

                        está onde Te manifestas.

                        É no cantinho da máquina de lavar,

                        na sala ou na cozinha;

                        no lugar da costura

                        ou na escrivaninha.

                        No silêncio das manhãs

                        quando estou a orar sozinha

                        ou rodeada de netinhos

                        aos trambolhões, pedindo:

                        – Conta uma história, vovozinha!…

 

                        Eu tenho em altar, Senhor.

                        ele está onde Tu manifestas

                        e me revelas Teu poder e amor!


 

POEMINHA DE MÃE

                                                                                    (Para o Lúcio)

 

            Hoje, meu filho vai chegar

            depois de longa ausência,

            fazendo longa viagem.

 

            De repente, descobri

            que o meu amor esteve atento

            e que, aos poucos reuniu

            todos os ingredientes

            para fazer

            todas as comidinhas

            de que ele gosta:

            pão de queijo,

            lasanha, strogonoff

            e pudim de leite condensado!

 

            Eu oro: – Senhor, guarda-o na viagem!

            E penso – Que bom se ele chegar com bastante apetite!

 


 

NA FAINA DA CASA

 

            – Senhor,

            há muita roupa lavada

            estendida no varal…

            Eu te peço que mandes o sol,

            ainda que seja por um pouco,

            sobre o meu quintal!

 

            – Mas, como podes satisfazer

            aos que Te pedem a chuva

            quando outros o sol querem ter?

 

            E Ele me ensina, paciente,

            como isto se fará:

            se o meu desejo é sincero,

            se Lhe submeto o que quero,

            minha roupa se secará,

            ainda que não haja calor,

            pois o poder pertence ao Senhor!


 

EU CREIO EM TI!

 

Quando o meu dedo polegar ficou machucado

e não pôde me ajudar

senti que ele era insubstituível;

e pensei no Ser inteligente e capaz

que ordenou a existência do homem

com função respiratória

e circulatória,

com olhos que, analisados,

são tão complicados,

mas que servem tão bem

para enxergar,

como os pés para andar

e o coração

para o sangue  bombear

ou, mais romanticamente,

para amar…

Cada um perfeito em sua função:

pelas mãos, polegares,

ouvidos, olhos e coração!

 

Quando lavo a travessa engordurada

que saiu da mesa,

que acabou de ser usada,

e derramo sobre ela

a água farta e gostosa;

eu sinto a mão amorosa

do meu Deus, que sabia

a falta que, se não existisse,

esta água me faria!

 

Omo é bom tomar um banho

de chuveiro ou de ar;

e descalça posso andar

na corrente fresca de uma nascente!

Encher de água as mãos em concha

Para a sede desalterar!

 

Meu Deus, eu creio em Ti!

Eu sinto a Tua presença

no ar que respiro aqui!

Na beleza e perfume das flores.

Na variedade e na festa

de suas cores;

desde a modesta camomila amarelinha

que enfeita e cura,

até à soberba lilás

que em sua pobreza

ao mais exigente satisfaz!

Eu creio em Ti

vendo a abelha diligente,

as formigas organizadas,

o passarinho contente!

 

Eu me comovo quando penso

que colocaste o homem, –

tão detalhado por Ti, –

Como c entro da criação

e tens paciência de vê-lo

negando a Tua paternidade,

complicando as coisas tão simples,

tão cheio de tola vaidade!

Eu te amo, ó Deus, que és,

que eras e que serás,

que criaste a terra

e todos os animais.

 

Que criaste o homem

com tamanha perfeição –

E quando entrou o pecado

poluindo a Tua obra,

ainda assim o amaste

e em Jesus o alcançaste

com tão grande salvação!


 

DUELO DE GIGANTES

 

Tu vens contra mim com espada, e com a lança, e com escudo; eu, porém, vou contra ti em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a que tens afrontado. Hoje mesmo o Senhor te entregará na minha mão…e toda a terra saberá que há Deus em Israel” (I Samuel 17:45-46).

            Estava encarregada de preparar uma mensagem para um retiro de famílias. O tema do estudo seria “Lutando contra Deus em favor dos filhos”. O coração e a mente estavam abertos diante do Senhor, em súplica por um “filão” para o preparo de que necessitava, quando veio às mãos um número da revista “Decision” com um artigo de Billy Graham sob o título: “Enfrentado Gigantes” (“Frente a los Gigantes”).

            O propósito do articulista foi mostrar que, se Golias era gigante fisicamente, Davi o era espiritualmente, e que revestidos do poder de Deus, também nós agigantamos para enfrentar as forças do mal que nos ameaçam.

            Depois de ler o artigo, meu coração se aqueceu, comecei a pensar no tema do meu estudo e veio a inspiração. Senti que quando se pensa em “lutar com Deus”, geralmente a idéia é de algo semelhante ao que aconteceu a Jacó no vale de Jaboque, ou seja uma “luta” com oração. Agora se me afigurava algo diferente: seria luta com Deus ao meu lado, ou melhor, colocar-me ao lado de Deus, tomando-O como meu companheiro inseparável nas lutas em favor da minha família.

            O desafio feito por Golias aos exércitos de Israel, para que um homem fosse destacado para lutar com ele, era um costume da época. O resultado desta luta entre os dois guerreiros definia a sorte dos dois exércitos.

            Ao aceitar o desafio de Golias, Davi assumia a responsabilidade da luta, aparentemente em situação de inferioridade: o outro, além de estatura muito acima do comum, era um homem experimentado nas batalhas, e que o enfrentaria bem armado e protegido.

            Davi era um simples pastor de ovelhas, muito jovem e aparentemente indefeso.  Mas tinha consciência de sua força sobrenatural por dois motivos, como vemos no texto citado acima:

1)      Ele lutaria “em nome do Senhor”.

2)     Lutaria com o Senhor ao seu lado, e, segundo suas as palavras, o Senhor entregaria o adversário em suas mãos. 

Diante disto Davi se agiganta e a luta a ser travada toma as proporções de um “Duelo de Gigantes”.

            Se nunca foi fácil educar filhos, encaminhá-los bem na vida, eu creio que em nossos dias os problemas se avolumam de modo incomum. Crescem as forças do mal, pressionando o lar; o temor de Deus escasseia e o desafio é assustador. Somente “ao lado do Senhor”, lutando em Seu nome, podemos crescer a ponto de denominarmos também a nossa luta de “Duelo de Gigantes”.

            Vamos examinar as características dos nossos personagens para estabelecermos um paralelo e tirarmos conclusões.

            Como era Golias? Leiamos I Samuel 17:4-7 “diz-nos o versículo 4 que era guerreiro, da altura de “seis côvados e um palmo”, ou seja aproximadamente 2.92.

            O tamanho de Golias figura aqui a imensidade e abrangência dos problemas enfrentados pelos pais, começando pelos que são comuns a todos, como o sustento, a educação, o cuidado diário.

            Os versículos 5 e 6 falam das suas armas de defesa: “um capacete de bronze,…uma couraça de escamas…”  “e caneleiras de bronze”.

            A olhos naturais, protegidos assim, o gigante aparece como algo inatingível pelo “pequeno” Davi, que representa os nossos pobres e inúteis esforços para derrotá-lo.

            Mas havia as armas de ataque: “um dardo de bronze”, uma lança cuja haste era “como o eixo do tecelão” e cuja ponta era de “seiscentos ciclos de ferro”. Além da espada, sobre a qual Davi mais tarde (I Samuel 21:9): “Não há outra semelhante”.

            Estas armas tão avantajadas nos lembram as forças diabólicas usando falsos amigos, escola, meios de comunicação – coisas que escapam inteiramente ao controle dos pais – contra os jovens, os adolescentes e até as crianças, que se tornam presas fáceis nas mãos de “manipuladores” inescrupulosos.

            O gigante auto-confiante e ousado,  ciente de sua força e da aparente inferioridade do adversário, era insistente. Fazia o seu desafio: “pela manhã e à tarde; e apresentou-se por quarenta dias (versículo16)”. Como acontece agora…

            “Todos os israelitas, vendo aquele homem, fugiam diante dele, e temiam grandemente (versículo 24).

            O desafio é constante e a luta é contínua; o fantasma paira sob lares indefesos, trazendo medo e insegurança aos pais que não sabem contra quem estão lutando!

            Davi, o pastorzinho jovem e ruivo de Belém, foi mandado pelo pai à frente da batalha para saber notícias dos três irmãos que lá estavam e para levar-lhes alguns mantimentos.

            Lá ouviu o desafio do gigante. Sua maior preocupação foi com o nome de Deus: “Quem é, pois, esse incircunciso filisteu, para afrontar os exércitos do Deus vivo?  E dispôs-se a enfrentá-lo.         

            Sua motivação foi certa.

            Penso em nós, pais cristãos, quando somos encurralados pelas forças do mal que tentam e muitas vezes conseguem envolver com seus tentáculos alguns de nossos filhos. O que nos preocupa mais então? O nosso bom nome? Ou a salvação deles e o poder de Deus que está sendo desafiado?

            Costumamos falar dos filhos que são certinhos e nos orgulhar deles.

Os outros, os que causam problemas, os colocamos “embaixo da gamela”, envergonhados. Lembremo-nos de que os mais errados são os que mais precisam de assistência e amor. Não seria melhor assumirmos uns e outros, corajosamente e com muito amor e fé, e, se formos fiéis a Deus, proclamar diante de “israelitas” e “filisteus” que nossos filhos são “herança do Senhor” e que Ele mesmo os regatará?

            Davi possuía uma fé alimentada “na solidão, no vale e no monte, em oração à luz das estrelas; fortalecida nos conflitos com  leões e ursos e vendo a obra de Deus prosperar em sua vida”.

            Não se abateu com a crítica (ou censura injusta?) do irmão mais velho (17:28), com a opinião desfavorável de Saul nem com o insulto de Golias. Sabia o que queria, a força de que dispunha no Senhor e por isto rejeitou a armadura de Saul, que não estava acostumado a usar.

            Suas armas eram outras. A pedra que colocou na funda, bem pode simbolizar aquela que é chamada a “Rocha dos Séculos” – JESUS!

            De igual modo, nossas armas não devem ser as repressões nem concessões excessivas, os bate-bocas tão comuns, as descriminações.

Mas a prevenção do mal através de informações às crianças, o diálogo inteligente

e amoroso, a comunhão com Deus através da leitura da Sua Palavra, as madrugadas de oração, a fidelidade e a fé constantemente mencionadas pelo Senhor.

            Na força do Espírito (I Samuel 16:13) Davi foi ousado e não titubeou, tomou a iniciativa do combate. Mas sem jactância, confiando só no Senhor. “O Senhor me livrou das garras do leão e das do urso; ele me livrará da mão deste filisteu”.

“Hoje mesmo o Senhor te entregará na minha mão;…e toda a terra saberá que há Deus em Israel (versículos 37 e 46)”.

            Não há motivos para dúvida. Ainda que tarde a resposta. Ainda que não cheguemos a ter, neste mundo, a confirmação de que necessitamos. Não importa; vivemos e agimos em termos de eternidade. Um dia estaremos todos juntos glorificando ao Senhor!  Esta deve ser a nossa convicção!

            A resposta à f[é proclamada por Davi não tardou:

Com sua espada o gigante teve a cabeça decepada, depois de cair sob o impacto da pedra. A vitória foi inequívoca, e, realmente “Toda a terra” tomou conhecimento de que “há Deus em Israel!”.

            E hoje? O que temos feito para que isto aconteça?

            Infelizmente a nossa pequena fé, a vida pobre de oração e meditação da Palavra de Deus, a assimilação dos costumes dos povos ao nosso redor, tudo tem contribuído para que o inimigo escarneça pelos lares a dentro!   

            E o nome de Deus, ao invés de ser proclamado como o vitorioso de Israel, tem sido “blasfemado entre os gentios” por nossa causa!

            Aí está o desafio para o duelo. Temos condições de chamá-lo, realmente, de “Duelo de Gigantes”?

            Que o Senhor nos ajude.

(Transcrito de “Família em Foco” de Maria José de Almeida Elias).

 

HARPAS NOS SALGUEIROS

 

“Às margens dos rios da Babilônia nós nos assentávamos e chorávamos. Nos salgueiros…pendurávamos as nossas harpas, pois aqueles que nos levaram cativos, nos pediam canções” (Salmo 137:1-3).

 

                                                               Ganhamos dois canarinhos

                                                               Que dobravam o canto.

                                                               Mas um “caboclinho” do Norte

                                                               e um sabiá de voz triste

                                                               que, a partir de setembro,

                                                               terminada a “muda”,

                                                               acordava a gente

                                                               de manhãzinha

                                                               catando sentida

                                                               e insistentemente.

 

                                                               Também um casal

                                                               de “Biquinhos de Lacre”

                                                               miúdos e engraçadinhos

                                                               mas sabidos de verdade,

                                                               fugiam da gaiola

                                                               em busca da liberdade!

 

O “caboclinho”,                                   Não quero mais passarinhos

Que encantava com seu canto,        que vivam numa prisão.

O dia inteiro, sem parar,                   Quero vê-los como os vejo agora:

O encontramos morto,                      disputando comigo

Certa,, manhã na gaiola                    as mangas de minha mangueira,

Sofremos tanto!                                  guiando, aos bandos: “Bem-te-vi!”

No peito ficou um aperto                  Fazendo ninhos nas samambaias

E uma vontade de chorar…               ou entrando tontos na sala,

                                                               E catando –as rolinhas – os farelos

O sabiá e os canários                          Que de propósito, para elas,

duravam mais.                                    Vou jogando por aí…

Gostava deles

mas achava triste o seu canto!         Vou pintar minhas gaiolas,

E me pesava tanto                              plantar nelas samambaias

vê-los na prisão,                                  ou enchê-las de “jibóias”.

que sentia vontade

de abrir a gaiola                                  E a eles eu vou dizendo:

e dizer-lhes feliz:                                Cantai alegres, passarinhos,

– É sua a imensidade!                         como o povo do Senhor

                                                               ao sair do cativeiro!

                                                               Não haja lamento no canto

Antes o tivesse feito,                          com aparência de pranto

pois chegou também o seu dia:       pois não estais prisioneiros!

um gato da vizinhança

os apanhou bem de jeito                   Não haja lamento no canto

aí mesmo onde estavam!                  com aparência de pranto

Foi o fim da melodia,                         pois não estais prisioneiros!

do canto bonito e triste                     Cantai com força e beleza!

que, ouvindo, não se sabia                Fora com toda a tristeza!

se cantavam ou se choravam…        Tirai as hastes dos salgueiros! 


 

LÍNGUAS DAS GERAIS DO NORTE

 

– “Pode ficar a cômodo moça”,                     vai presenciar cenas assim:

   disse o homem da poltrona ao lado         a mulher com a  criança  encanchada

   vendo-me hesitar em assentar ali            na cintura

 – Ta cheio o ônibus, mas aí ta `puro          dizendo pra o marido que demora,´.

    Num tem ninguém nesse lugar aí”         apontando-lhe umas coisas lá no chão!

                                                                           – Eu vô ino co´o  Zezim,

                                                                           “avia logo, vem simbora

Gosto de ouvir essa gente falando              pra trazê esses “trem” pra mim”

Em sua voz há sorriso e emoção.

Seu rosto curtido revela firmeza                 Essa fala de roceiro

quando me encara e diz boa viaje?             destas bandas das “Gerais”,

Ô xente, entonce ta tudo bão!”                    sibilando os erres, engolindo letras,

                                                                           onde quer que a ouça

                                                                           não a confunde jamais!

Ninguém me fala tão de perto

e sabe expressar com tanta doçura             Ela é doce ao meu ouvido,

a pena que sente,                                            me lembra gente que tem alma pura,

com essa gente                                                que sem saber ainda segura

que diz com música na voz,                          as coisas boas que estão indo embora,

 num jeitinho que é dela só:                        que o nosso povo está jogando fora

– Seus menino num pudero vim?               Sem saber o prejuízo que nos traz!

Ôôôôôõ   õõõõõõ…

 

Se você andar por lá

Pode presta atenção:


 

PADRÃO DE MULHER

 Provérbios 31:10-31

 

            A soberba e a arrogância predominantes em nosso tempo e em qualquer época no coração dos que não aceitam os padrões de Deus em Sua palavra escrita, impedem a tantos de conferir com imparcialidade a beleza e perfeição do conjunto dos planos Dele para sua criação. Assim acontece no que diz respeito à mulher.

            Certa vez estive conversando com uma advogada cristã sobre o padrão que a Bíblia apresenta para o lar cristão. Estávamos de acordo até o momento em que foi mencionado Efésios 5:22, quando Paulo diz que “as mulheres sejam submissas a seus próprios maridos, como ao Senhor”. Aí, ela me disse: “Aceito tudo, menos isto!”

            Depois de conversarmos por algum tempo, cheguei à conclusão de que aquela atitude era ditada por um preconceito muito grande, gerado em parte pelo desconhecimento bíblico.

            Temos aprendido que “Bíblia se interpreta com Bíblia”. E que “não se faz teologia com um texto isolado”.

            Ao examinarmos, à luz de outros, os textos de Efésios, Colossenses, ou da carta de Pedro sobre a submissão da mulher, vamos descobrindo coisas interessantes.

            Em primeiro lugar, não é ordenado a submissão da mulher “ao homem”, mas ao seu marido.

            Imagino que no plano de Deus o  lar foi criado como um corpo que sem cabeça estaria morto, com duas cabeças seria uma deformidade; mas com uma cabeça inteligente e bem norteada, cumpriria a sua finalidade aqui na terra.

            Nem todos os maridos são dignos de liderança que o Senhor lhes confiou. Mas nem todas as mulheres são “virtuosas”, também…

            O que se deduz do estudo da Palavra e da prática é que o ideal seria os dois andarem sempre de acordo, dialogando e chegando juntos a conclusões, sem ser necessária a imposição de uma vontade. Mas o marido se reservando sempre o direito ao “voto de Minerva” quando houver divergência.

            Por que determinou Deus que o cabeça e principal responsável fosse o homem, ou melhor, o marido?  Isso pertence à Sua Soberania.

Poderia, se quisesse, ter escolhido a mulher, mas não o fez. Não por achá-la inferior. Ele os criou no mesmo plano. Creio que, ao contrário, para poupá-la, pois Ele a fez mais delicada: não do pó da terra, mas da costela do homem…

            Nenhuma organização humana – desde a ONU até o mais simples clube de bairro – depende de uma organização ou de uma diretoria. Por que deixaria Deus o lar, ou a família ao Léo, simplesmente para não parecer parcial ou machista? Ele fez o Seu plano e no-lo apresenta como o melhor: o marido é o líder, a esposa a sua “auxiliadora idônea”, os filhos cooperadores em preparação para partirem à formação de novos núcleos familiares harmônicos.

            Quando o homem não aceita este plano – ele se julga com o direito de fazê-lo – parte para as suas próprias soluções, cujas conseqüências são o caos total que vemos por aí.

            Falamos em verificação do contexto. Vamos colocar algumas mulheres da Bíblia, para conferirmos o seguinte ponto que gostaria de discutir: se a “submissão”, e algo que anule a personalidade da esposa. Se é este o padrão apresentado por Deus.

            Alguém disse que a Bíblia apresenta um retrato sem retoques da raça humana. E ela nos mostra mulheres de vários tipos. Muitas que falharam. Mas algumas que se destacaram sobremodo e se constituíram tipos de mulheres sábias ou virtuosas.

            Lemos em Juízes 4 e 5 arespeito de Débora, a juíza cantora de Israel em tempos bem remotos. Foi líder inteligente e dinâmica do seu povo, sem ultrapassar as suas fronteiras.

            Abigail (I Samuel 25), cujo marido insensato e bêbado, como que a obrigou a tomar iniciativas que, de direito seriam dele, para impedir que a guerra e a morte sobreviessem à sua casa.   

            Ester, a rainha piedosa, inteligente e corajosa, que derrotou o astuto Hamã e salvou o seu povo.

            A “submissão” não tem nada a ver com um tipo de mulher insípida e amorfa que alguns imaginam.

            É o que fica bem claro quando examinamos o quadro de Provérbios 31:10-31, ou seja, a “mulher de Provérbios”.

            Não se trata de uma biografia, mas de um ideal de mulher. Algo que talvez, seja impossível de ser visto em sua totalidade, mas aí está como padrão. Semelhante àquele apresentado por Jesus em Mateus 6:48: “Sede vós perfeitos como é perfeito o vosso Pai que está nos céus”.

            Um alvo a ser perseguido diariamente. Os versículos 16 a20 falam de uma mulher dinâmica : é capaz de negociar e administrar uma propriedade; esforçada, sempre pronta para agir; segura do que faz; atenta e vigilante; artezã habilidosa; preocupada com a beneficência.

            Outros atributos pessoais encontramos nos versículos 10, e 24 a 26; é virtuosa, forte, digna, previdente; de língua sábia e bondosa.

            Sua suficiência na família está registrada nos seguintes versículos: 11 a 15 – é confiável, econômica; faz sempre bem e não mal ao marido; tem boa vontade; vela pela boa alimentação da família e não faz tudo sozinha: sabe distribuir tarefas. Os versículos 21 a23 contam que ela planeja e executa; que se preocupa com sua aparência pessoal e com a de seu marido. E o versículo 27 diz que acompanha o bom andamento de sua casa e não é preguiçosa.

            A coroa da mulher sábia a encontramos no versículo 20, mostrando o equilíbrio dos valores: “Enganosa é a graça e vã a formosura (isso passa) mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada”.

            Os versículos 28,29 e 31 completam o quadro, mostrando as conseqüências das opções que ela teve a coragem de fazer: na apreciação dos filhos, ela é mais do que feliz; o marido afirmou que nem as mulheres mais virtuosas se assemelham a ela.

E diz o versículo 31, que publicamente será louvada por sãs obras. O que me encanta nesta mulher excepcionalmente ativa, capaz, dinâmica e temente a Deus é verificar que a despeito de sua vida intensa, de seu tempo limitado ou o que mais se possa notar em sua maneira de ser, nada a desvia da sua meta prioritária: sua realização como mulher, esposa e mãe. Seus filhos a admiram, seu marido acha-a superior a qualquer outra.

            Não me importa nem um pouco ser tachada de ultrapassada, “demodée”, ou coisas assim. Quero ser autêntica e coerente com o que creio e sinto.

            E sempre me questiono se uma mulher, no final de sua carreira, se sentirá plenamente realizada como grande cientista, literata, artista, profissional liberal ou o que mais for, se a tudo isto não puder acrescentar a alegria de ter sido “mulher virtuosa” – seja como amiga, irmã, filha, esposa ou mãe!

            Mas…

            “Mulher virtuosa, quem a achará”

 

            O padrão está na Palavra. Não custa experimentar…

 

Ebenézer !!!


FLORES, FRUTOS E SEMENTES

 

            Às vezes me sinto como uma planta.

            feliz, sem ser inteiramente

            responsável por isto.

            Recebendo luz e calor,

            tendo o sol e a chuva

            por graça exclusiva do Criador.

 

            Árvore frutífera

            ou roseira em flor.

            Simples trepadeira colorida,

            mesmo plantinha do campo

            que,tendo o dom da vida,

            desabrocha em amor!

 

            Vocês, filhos, são as flores,

           são os nossos frutos.

            Alegro-me com a missão cumprida

            da maternidade. Aquela doçura

            e aconchego ao amamentar

            ou a adormecer a criancinha

            que se entrega, embalada

            pelo canto de ninar…

 

            Foi tempo de vigília. Febre alta.

            Orações na calada da noite.

            Tempo de clamor. Aprendizado

            que nunca se completa.

            Cada dia coisa nova

            vendo o fruto amadurecer!

 

            Flores e frutos queridos

            profundamente amados

            com muito gosto saboreados!

            O bebê reconchudo.

            A criança travessa.

            O adolescente problemático

            O jovem que ensina à gente,

            se torna adulto inteligente,

            ajuda, trabalha, decide

            e nos deixa realizados!

 

Flores que se transformam em frutos,            E quando partirmos um dia,

se reproduzem, vão além,                                   a missão terminada,

muito além do que fomos:                                 as sementes da vida e da fé

A planta está feliz com vocês                              continuam a caminhar!

 

O QUE É O SEU LAR ?

 

(Perguntas para meditação e propósito de conserto)

 

– Um lugar onde pessoas se reúnem de vez em quando?

   Um lugar onde as pessoas nãose reúnem? Ou não se unem?

– Onde todos sentem prazer em estar? Ou, estando fora, não ficam alegres

   com a idéia de voltar?

– Onde os amigos tomam, com prazer, um cafezinho? Onde o irmão pobrezinho também é bem-vindo?

– Onde ainda se “dá um jeito” de arranjar um quarto de hóspedes?

– Um lugar onde todos podem falar, e se entendem, ou onde os pais sozinhos resolvem tudo? Ou, ao contrário, os jovens, ou as crianças, dominam a situação e obrigam os pais a satisfazerem todos os seus caprichos?

– Um lugar onde se responde honestamente às perguntas das crianças, onde “criança também é gente”, ou onde se acha que “não dá” para perder tempo com isso?

– Um lugar onde se sente o perfume da presença de Jesus?

– Um lugar onde há ambiente para a oração e leitura da Palavra de Deus?

– Onde se louva a Deus na saúde e na doença, na fartura ou em dias de pobreza, na alegria e na dor?

   Onde, pelo menos uma pessoa – você, por exemplo, – é lâmpada do Senhor, sempre pronta a iluminar o caminho de alguém?

 

– Até que ponto você colabora ou é responsável por aquela situação desagradável que em seu lar se cria de vez em quando? Já parou para pensar que se fosse capaz de renunciar um pouco à sua opinião formada, se fosse mais humilde, se reconhecesse seus próprios erros, os outros e você tambémseriam bem mais felizes?

– Haverá alguma palavra dirigida a você nos textos que se seguem?

   “Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” Josué 25:15.

   “Portas a dentro, em minha casa, terei coração sincero” Salmo 101:2.

   “Sobe em paz à tua casa, bem vês que ouvi a tua petição e a ela atendi”
I Samuel 25:35.

   “A mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata, com as próprias mãos a derruba” (Provérbios 14:1

   “Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vossos próprios maridos, para que, se alguns deles ainda não obedecem à palavra, sejam ganhos, sem palavra alguma, por meio do procedimento de sãs esposas” (I Pedro 3:1).

   “Mulheres, sede vós, igualmente, submissas a vossos próprios maridos, para que, se algum deles ainda não obedecem à palavra, sejam ganhos, sem palavra alguma, por meio do procedimento de suas esposas” I Pedro 3:1.

   “Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento, e tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com  dignidade, por isso que sois justamente herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações” (I Pedro 3:7).

   “Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo”. Efésios 6:1.

   “Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dará” (Êxodo 20:12).

   “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” Efésios 6:4.

   “Temos recebido o bem de Deus, e não receberíamos também o mal?” Jó 2:10.

   “Vinde a mim (Jesus) todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” Mateus 11:28.

   “Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para as vossas almas” (Mateus 11:29).

 

Autora: MARIA JOSÉ DE ALMEIDA ELIAS.

 

 

EBENÉZER !!!!!

 

Deixe uma resposta

Seu endereço de E-mail não será publicado.