19 de fevereiro de 2013

 
Autoria do Reverendo Romeu Maluhy, pastor da Igreja Presbiteriana
 

Publicação autorizada pelo Presbítero Romeu Maluhy Junior, pastor e epíscopo

Agradecimentos de Universal Assembléia da Santa Aliança Cristã

Presbítero Jailson Pereira, apóstolo e epíscopo

 

16 – ONDE JESUS CRISTO VIVEU NO PERÍODO DE SUA ADOLESCÊNCIA COMO A IGREJA VÊ ESTE PERÍODO?

 

 

Resposta:

                 Na volta do Egito, José e Maria receberam instruções angelicais acerca do reinado de Arquelau (filho de Herodes – que havia ordenado a matança de todos os meninos menores de 3 anos, a fim de eliminar a Jesus), resolvendo buscar abrigo na sua velha morada de Nazaré. Em conseqüência disto, Jesus apareceu entre o povo, no começo de sua via pública, como profeta de Nazaré.

Talvez poucas pessoas tinham testemunhado os incidentes do nascimento e da infância de Jesus e, mesmo elas, esqueceram-se ou os guardaram para si. Porém, quando se fundou a Igreja, é lícito supor que Maria os revelou aos discípulos. Mateus e Lucas os escreveram, cada um a seu modo, o primeiro ilustrando a realeza de Jesus e o cumprimento da profecia, e o segundo expli- cando a origem de Jesus e a história de seus primeiros anos. Depois de voltar a Nazaré, nada mais se nos diz a respeito da vida de Jesus, a não ser o incidente da sua visita a Jerusalém na companhia de seus pais, quando o encontram no templo a discutir com os doutores da lei, quando tinha apenas 12 anos (Lucas 2:41-51). Este incidente é instrutivo; mostra que José e Maria continuaram a ser piedosos e fiéis na educação religiosa do menino.  Mostra, também, como se desenvolveu o espírito religioso de Jesus, visto já se mostrar tão interessado nas questões religiosas em que os rabinos instruíam as crianças. Jesus, em sua adolescência cresceu em família, gozando de seus prazeres e obedecendo à sua disciplina. Como seu pai José, exercia o ofício de carpinteiro, de modo que estava habituado ao trabalho manual. Não lhe faltava a disciplina mental. As crianças dos hebreus eram bem instruídas nas Escrituras, o que se evidencia nos ensinos de Jesus..

As parábolas revelam um espírito aberto aos ensinos da natureza, tão fecundos para demonstrar a sabedoria de Deus nas obras de Sua mão.

            Nazaré, ainda que um pouco oculta, achava-se na orla da parte mais laboriosa do mundo judaico, e perto das mais famosas cenas da história de Israel.

Sãs alturas que lhe ficavam na face posterior, descortinavam-se a olho nu, muitos lugares associados a grandes acontecimentos. Não muito distante, via-se o mar da Galiléia, em cujo horizonte se agrupavam todos os elementos da vida mundial em miniatura. Era também um período de grande excitação política, em que os lares da família se agitavam com as notícias de acontecimentos sensacionais.

Não há razão para supor que Jesus tivesse uma vida de isolamento. Devemos antes imaginar que Ele acompanhava com interesse os acontecimentos progressivos de sua pátria. Quanto à linguagem por ele falada, devia ser o aramaico, idioma este que havia substituído o hebraico. A língua grega não lhe era desconhecida por ser falada geralmente na Judéia. Todo este período de sua vida, os evangelistas não relatam. Os seus escritos não tinham por objetivo descrever a vida íntima de Jesus, e sim relatar o seu ministério público. Podemos, entretanto, ver o suficiente para provar a naturalidade da vida de Jesus, a adaptação do meio em que vivia e no qual se preparava para a sua obra futura, e a beleza de Seu caráter; e, deste modo, apreciar o desenvolvimento gradual de sua humanidade, até chegar o momento de oferecer-Se a Seu povo como o enviado de Deus.

 

A HUMANIDADE DE CRISTO

            Esse é um tema por demais negligenciado no seio da Igreja, até mesmo em sua seção evangélica, a qual, apesar de tudo quanto diz em contrário, enfatiza-se tão-somente a divindade de Cristo, até mesmo no que tange à natureza da encarnação. Por isso, em muitas Igrejas, Cristo é um Cristo docético(docetismo – Heresia dos séculos II e III que negava houvesse tido Jesus Cristo corpo verdadeiro e afirmava que só em aparência nascera, vivera e sofrera). Explicando, na opinião de tantos cristãos, Cristo é humano apenas na “aparência”; e isso representa uma antiga heresia gnóstica. De acordo com esse ponto de vista, tudo quanto Cristo é visto a fazer, em sua missão terrena, como seus milagres e a sua impecabilidade, é atribuído à sua “natureza divina”, de tal modo que não é maravilha que Ele tenha feito o que fez, exceto que morreu. Porém, a verdade inteira dessa questão é que o Senhor cumpriu a Sua missão inteira como homem, Extraindo do Espírito Santo, que a Ele fora conferido sem medida, todo o poder que exerceu. E este o foi transformando como homem, para que pudesse operar obras admiráveis. Poder-se-ia afirmar que Cristo operou os Seus prodígios do mesmo modo que podemos operá-los, e maiores ainda, (ver João 14:12), tal como um crente pode fazer, conforme vai sendo transformado ou “espiritualizado”. Porquanto essa é uma avenida de desenvolvimento espiritual aberta para todos os salvos. Ora, é exatamente esse aspecto que empresta sentido e força à humanidade de Cristo e à Sua encarnação – pois declara que tudo quanto Ele realizou como homem pode ser realizado também por nós.

 

FATOS A CONSIDERAR

1 – Cristo se identificou totalmente conosco, em nossa natureza humana, a fim de que, eventualmente, pudéssemos identificar-nos totalmente com Ele, em Sua natureza divina. Portanto, a própria salvação consiste da condição de “muitos filhos” à glória (ver Hebreus 2:10).

2 – Em Sua encarnação, Ele se autolimitou, e, por isso mesmo, usualmente realizou tudo pelo poder de Sua humanidade espiritualizada, mediante a virtude da presença e da capacitação dada pelo Espírito Santo. Talvez, em Seus milagres sobre a natureza (como a multiplicação dos pães e a transformação da tempestade), Cristo tenha apelado para Sua divindade inerente. Contudo, de modo geral, o que Ele fez, fez em Sua humanidade, demonstrando-nos assim o caminho para o poder divino (ver João 14:12).

3 – Embora impecável, Cristo aprendeu certas coisas por meio daquilo que sofreu, e assim, como homem foi aperfeiçoado. Isso nos é ensinado em Hebreus 5:8,9. Por conseguinte, em tudo isso Ele foi aperfeiçoado como simples homem, e não como o Logos eterno. O que tange a este último aspecto, Ele sempre perfeito. Porém, como homem, Ele mostrou aos demais homens qual o caminho do desenvolvimento espiritual, porquanto realmente atravessou esse caminho.

4 – Ele tomou sobre Si nosso próprio tipo de natureza humana, debilitada como ela está pelo pecado (ver Romanos 8:3), embora nunca houvesse cometido pecado. Não obstante, em Sua humanidade, Ele teve de abordar os mesmos problemas e fraquezas que nos afligem. Em Jesus, pois, Deus irrompeu no mundo, e assim permitiu que os homens alcançassem autêntica vitória espiritual.

A humanidade de Cristo é claramente ensinada pela Bíblia inteira. Ele seria o descendente de Abraão e n’Ele todas as nações seriam abençoadas (Gênesis 22:18); e esse descendente, conforme Paulo explicou, era exatamente Cristo (Gálatas 3:16). Além disso, o Messias prometido pertenceria à tribo de Judá (Gênesis 49:10) e seria da linhagem real de Davi (Isaías 11:1,10 e Jeremias 23:5). Assim é que Mateus traça a genealogia de Cristo partindo de Abraão, através de Davi (Mateus 1:1 e seguintes), ao passo que Lucas traça a genealogia de Cristo para trás, passando por Davi, por Abraão, e chegando até Adão, o primeiro homem (Lucas 3:23 e seguintes). De conformidade com a profecia (Isaías 7:14), Jesus nasceria miraculosamente de uma mãe virgem (Mateus 1:18 e seguintes; Lucas 1:26 e seguintes e comparar com Gênesis 3:15).

O Filho encarnado não cessou e nem poderia cessar de ser Deus verdadeiro; porém, ao mesmo tempo, Filho de Deus e Filho do homem (Mateus 16:13,16,etc).

A genuinidade da humanidade de Cristo é ainda confirmada pelo fato que cresceu desde a infância até à idade adulta (Lucas 2:40.52), pelo fato que experimentou a tentação (Mateus 4:1 e seguintes; Lucas 4:1 e seguintes; Marcos 1:12 e seguintes; Hebreus 2:18 e 4:15), pelo fato que padeceu fome (Mateus 21:18), sede (João 4:7 e 19:28), fadiga (João 4:6 e marcos 4:38); tristeza (João 11:35), pelo fato que não sabia todas as coisas, como homem (Marcos 13:32), e pelo fato que sofreu, e, sobretudo pelo fato que morreu (ver as narrativas bíblicas de Sua agonia e crucificação). Finalmente, é importante observarmos que a humanidade de nosso Senhor foi retida até mesmo após a Sua ressurreição dentre os mortos. (Lucas 24:38-42). (PHILIP HUGHES, no BAKER´S DICTIONARY OF THEOLOGY, Pag.. 273).  (extraído do “O Novo Testamento Interpretado” – versículo por versículo, de Russell Norman Champlin, Ph. D).

 

(Compilado pelo Rev. Romeu Maluhy, então Pastor da Igreja Presbiteriana do Sinai).

 

 

 

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