16 de fevereiro de 2013

A Glória dos Mártires

Sermão Dominical

 

Leitura Bíblica: Apocalipse 7:9-17
“Estes que se vestem de vestiduras ranças, quem são e donde vieram?” (versículo 13)
  

A Glória dos Mártires: Uma Reflexão sobre o Sofrimento e a Redenção na Perspectiva Bíblica

Introdução

A Bíblia Sagrada, em sua riqueza de imagens e símbolos, oferece um retrato vívido da luta e da vitória dos fiéis. Entre as diversas figuras que encontramos nas Escrituras, os mártires, aqueles que sofreram e morreram por sua fé, ocupam um lugar especial. O livro do Apocalipse, escrito pelo apóstolo João, é particularmente rico em visões proféticas sobre o futuro dos justos e a glória que os espera. Neste estudo, exploraremos a visão de João sobre a glória dos mártires, conforme descrito em Apocalipse 7:9-17, e como esse retrato se relaciona com a experiência do sofrimento e a promessa de redenção.

1. O Número dos Glorificados

A visão de João no Apocalipse nos apresenta uma multidão que “ninguém podia contar” (Apocalipse 7:9). Este número incontável simboliza a grandeza e a abrangência da salvação de Deus. A descrição da multidão é uma poderosa afirmação da promessa divina de que a salvação é universal. O número dos 144.000, que aparece anteriormente em Apocalipse 7:4, representa os servos de Deus das doze tribos de Israel. No entanto, a visão da grande multidão transcende essa limitação, indicando que a salvação não está restrita a um grupo específico.

Esta multidão, que se estende “de todas as nações, tribos, povos e línguas”, é uma imagem de inclusividade e da universalidade da graça de Deus. O número 144.000, ao ser comparado com a vasta multidão, nos ensina que a salvação de Deus abrange mais do que podemos compreender e que Ele está chamando a todos, sem exceção. Isso reflete o desejo de Deus de que “nenhum pereça, mas que todos venham a arrepender-se” (2 Pedro 3:9). A grandeza do número dos redimidos refuta qualquer tentativa de limitar a ação da graça divina e serve como um lembrete da fidelidade de Deus em cumprir Suas promessas.

2. A Origem dos Glorificados

Os glorificados em Apocalipse 7:9 vêm de “todas as nações, tribos, povos e línguas”. Esta visão destaca a diversidade e a inclusão da salvação de Deus. A ideia de um povo eleito restringido é substituída por uma visão universal que abrange toda a humanidade. Em João 10:16, Jesus fala sobre ter “outras ovelhas” que não são deste aprisco, indicando que Sua missão de salvação é abrangente e não limitada a um grupo específico.

Além disso, a diversidade dos glorificados reflete o cumprimento das profecias do Antigo Testamento, que previam a inclusão dos gentios na promessa de Deus. Isaías 49:6, por exemplo, profetiza que o Servo do Senhor seria “luz para as nações” e que Sua salvação alcançaria “até os confins da terra”. Esta visão universal da salvação é confirmada em Atos 10:34-35, onde Pedro declara que Deus “não faz acepção de pessoas, mas que, em qualquer nação, aquele que O teme e faz o que é justo, lhe é aceitável”.

3. Os Mártires São Vencedores e Glorificados

Os mártires descritos em Apocalipse 7:13-14 são aqueles que “vieram da grande tribulação” e foram “lavados e alvejados na sangue do Cordeiro”. Esta imagem de vestiduras brancas simboliza tanto pureza quanto vitória. Na Roma antiga, generais vitoriosos eram frequentemente retratados usando túnicas brancas durante desfiles triunfais, o que sugere que a cor branca é um símbolo de triunfo e sucesso, além de pureza.

A vitória dos mártires é uma expressão da promessa divina de que, apesar das provações, os que permanecem fiéis serão recompensados. Em Romanos 8:18, Paulo nos lembra que “os sofrimentos do tempo presente não são para comparar com a glória que há de ser revelada em nós”. A vitória final dos mártires é um testemunho da justiça de Deus e da realização de Suas promessas.

Este conceito de vitória é reiterado em outras partes das Escrituras. Em 2 Timóteo 4:7-8, Paulo reflete sobre sua própria vida, dizendo: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada.” Esta coroa representa a recompensa que aguarda todos aqueles que perseveram na fé, apesar das adversidades.

4. A Vitória dos Fiéis é Atribuída a Deus

A vitória dos mártires é atribuída a Deus, que é o Salvador e Protetor de Seu povo. Em Apocalipse 7:10, a multidão glorificada clama: “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro.” Esta declaração reconhece que a salvação e a vitória são frutos da intervenção e do amor divinos, não das ações humanas.

Em 2 Coríntios 2:14, Paulo expressa que “Graças a Deus, que sempre nos faz triunfar em Cristo”. Esta vitória é uma demonstração do poder e da graça de Deus, que guia e protege Seu povo mesmo nas circunstâncias mais difíceis. A Bíblia enfatiza repetidamente que Deus é o agente principal da nossa salvação e que os fiéis são vitoriosos não por causa de seus próprios méritos, mas pela graça de Deus.

5. O Coro Celestial e a Adoração

A visão do coro celestial em Apocalipse 7:11-12 é uma imagem poderosa de adoração e louvor a Deus. O coro é organizado em círculos concêntricos ao redor do trono, com os mártires ocupando uma posição especial em frente ao trono, vestidos de branco e com palmas na mão. Esta organização reflete uma adoração ordenada e reverente, que reconhece a majestade e a santidade de Deus.

Os vários grupos presentes no coro celestial — os anjos, os vinte e quatro anciãos, os quatro seres viventes e os mártires — representam diferentes aspectos da criação e da redenção, todos unidos em adoração a Deus e ao Cordeiro. A adoração inclui atribuições de glória, sabedoria, ações de graça, honra, poder e força a Deus, que são expressões da Sua grandeza e do Seu papel fundamental na salvação.

A adoração no céu é um reflexo da adoração que os fiéis devem oferecer na Terra. Em Salmos 29:2, somos instruídos a “dar ao Senhor a glória devida ao seu nome”, e Apocalipse 5:12 exalta o Cordeiro, dizendo: “Digno é o Cordeiro que foi morto de receber poder, riqueza, sabedoria, força, honra, glória e louvor”. Esta visão de adoração celestial é um modelo para a nossa própria prática de louvor e devoção.

6. A Visão dos Glorificados como Fonte de Esperança

A visão dos glorificados em Apocalipse 7 deve servir como uma poderosa fonte de esperança e encorajamento para os cristãos que enfrentam tribulações. A imagem de uma multidão triunfante, livre de dor e sofrimento, é um lembrete de que os desafios atuais são temporários e que a recompensa eterna aguarda aqueles que permanecem fiéis.

Em 2 Coríntios 4:17-18, Paulo fala sobre a “leve e momentânea tribulação” que produz um “peso eterno de glória acima de toda comparação”. Esta perspectiva ajuda os cristãos a manter o foco na eternidade e a encontrar conforto nas promessas de Deus, mesmo em meio às dificuldades. A visão dos glorificados é uma garantia de que, apesar das lutas e do sofrimento, a vitória e a glória final são certas e incomparáveis.

Conclusão

A glória dos mártires, conforme descrito em Apocalipse 7:9-17, é um testemunho profundo da justiça e da graça de Deus. A visão de João revela uma multidão imensa e diversa, que, apesar das provações da vida, alcança uma vitória gloriosa. Esta visão serve como uma afirmação da universalidade da salvação, da vitória dos fiéis e da grandeza de Deus, que é digno de toda adoração.

Ao refletirmos sobre essa visão, somos lembrados da promessa de uma glória eterna que transcende qualquer sofrimento terreno. A imagem dos mártires triunfantes deve nos inspirar a perseverar na fé e a confiar na certeza de que a recompensa divina é segura e grandiosa. Que esta visão nos encoraje a viver com esperança e a manter nossos olhos voltados para a promessa de uma glória que é infinitamente maior do que qualquer tribulação que possamos enfrentar.

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